• Poesia 02.11.2009 No Comments

    Sempre lembro de Olinda com saudades. Nossa Marim dos Caetés de mar gostoso, barzinhos com aquelas agulhinhas fritas, camarões, goiamuns e aquela cervejinha muito, quase estupidamente gelada. Lembro de um amigo angolano que dizia: Ah daqui se olhar com atenção enxergo minha terra ali do outro lado desse mar. E o carnaval? Como esquecer aquelas horas maravilhosas no Bloco da Saudade subindo e descendo ladeiras no tríduo momesco? Nossa querida Olinda, tão pernambucana, de tantos artistas, de tantos valores.

    I

    Subindo a ladeira

    Revendo a saudade

    Encontro a cidade

    Tão bela e fagueira

    Olinda faceira

    De todas as artes

    Acordas no mar

    Dormes seresteira

    II 

    Eterna boêmia

    De poetas mil

    Tuas ruas retratam

    Com ar juvenil

    Aos velhos, aos jovens

    Passado ou presente

    As honras, as glórias

    Do nosso Brasil

     

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  • É isso. Hoje no dia do poeta, cabe-me lembrar alguns cordéis feitos para datas especiais. Um deles é o que homenageou nossa matriarca nos seus jovens 87 anos. Vale relembrar e compartilhar com todos.

    I

    No ano de vinte e dois

    Com a benção do Salvador

    Nasceu Lourdinha Veloso

    Moça de grande valor

    Em onze de fevereiro

    Chegou, gostou e ficou

     II

    Chegou lá na Paraíba

    Na terra de Santa Rita

    Família de boa cepa

    Nobreza que não se imita

    Com dois meses de idade

    Já tinha laço de fita

     III

    O papai era Colombo

    A mamãe era Nevinha

    Com muito jeito e carinho

    Conduziram a garotinha

    Educando e preparando

    Pra quando fosse mocinha

     IV

    A menina ficou moça

    A beleza floresceu

    Começou a trabalhar

    A competência cresceu

    Já queria namorar

    E então aconteceu

     V

    Apareceu um rapaz

    Que vinha da construção

    Das obras do aeroporto

    Que estava em execução

    Sujeito de boa pinta

    De nome Napoleão

     VI

    Nascera no Seridó

    Lá na terra potiguar

    O pai era Pedro Dias

    Um ferreiro singular

    E Dona Ana Fernandes

    Era uma mãe exemplar

    VII

    O pai que era fazendeiro

    Também tinha ferraria

    Fazia foice e facão

    E peça de montaria

    Só não fazia o cavalo

    Porque a égua corria

    VIII

    Começaram a namorar

    E o amor fez efeito

    Escolheu Napoleão

    Para ser o seu eleito

    Então em quarenta e sete

    O casamento foi feito

    IX

    Depois de vãs tentativas

    Chegou mestre Marcolino

    Foi o primeiro da prole

    É  um cabra genuíno

    Madeira de dar em doido

    Cordelista nordestino

    X

    Veio a primeira Maria

    Pra ser Auxiliadora

    A gente chama de Têca

    Tem uns que chamam de Dora

    Estudou pedagogia

    Mas não quis ser professora

    XI

    Veio o terceiro rebento

    Com o nome do avô

    Foi o Pedro Dias Neto

    Papai amou com fervor

    Pois lembrava o velho dele

    Que morava com o Senhor

    XII

    Na capital potiguar

    No bairro do Alecrim

    Nasceu Fernando José

    O quarto depois de mim

    Enquanto o quinto já vinha

    Juntando todos assim

    XIII

    O quinto da grande prole

    Também nasceu em Natal

    Lá no bairro do Tirol

    Dessa linda capital

    Maternidade São Lucas

    Nasceu de parto normal

    XIV

    Batizou-se como Ueliton

    Pra gente virou Tonton

    Vivia bem humorado

    Gostava muito de Ron

    Partiu em noventa e oito

    Era um cara muito bom

    XV

    Nasceu a Lucia de Fátima

    Era a segunda Maria

    Chegou depois de Tonton

    Pra morar na freguesia

    Era a sexta que chegava

    Pra aumentar a dinastia

     XVI

    Não dava tempo crescer

    Nem a barriga murchar

    Pois o pai Napoleão

    Não deixava descansar

    Nem bem desmamava um

    Mamãe voltava a embuchar

    XVII

    Nem bem tirou o resguardo

    A mãe emprenhou de novo

    Veio a terceira Maria

    Pra se juntar com o povo

    Dessa vez Maria Célia

    Começou tudo de novo

    XVIII

    O tempo passou depressa

    Não completou nem três anos

    O veio ajeitou a veia

    Ali debaixo dos panos

    Preparou Maria Monica

    Pra se juntar aos seus manos

     XIX

    O grupo estava completo

    Nesta terra tropical

    Nasceu três em João Pessoa

    E outros três em Natal

    Dois são lá de Caicó

    Nesta turma sem igual

     XX

    Então se multiplicaram

    Neste Brasil federal

    Com genros noras e netos

    Numa história sem igual

    A turma ficou bem grande

    Tudo a partir de um casal

     XI

    Era um casal de outros tempos

    Que hoje não existe mais

    Pois pra criar oito filhos

    Já não tem gente capaz

    De agüentar a parada

    Pois é difícil demais

     XXII

    Pense num cabra disposto

    Era o pai Napoleão

    Criou-se comendo bode

    Com arroz tripa e feijão

    Mel de furo e rapadura

    E raspa de requeijão

     XXIII

    Só assim é que se explica

    Ter tanta disposição

    Um menino atrás do outro

    No carnaval e São João

    Num tinha folga de dia

    Pra fazer reprodução

     XXIV

    A verdadeira heroína

    É a Lourdinha Veloso

    Que está ai até hoje

    Pra conduzir o seu povo

    Cada vez que nasce um

    Começa tudo de novo

      XXV

    Pra confirmar essa história

    Tem um parido recente

    Lá em terras da Europa

    Onde vai ser residente

    E quem sabe no futuro

    Vai se eleger presidente

     XXVI

    Hoje faz oitenta e sete

    E aqui se comemora

    Com filhos netos e genros

    Com irmãs primas e noras

    Pois uma data como essa

    Não se tem a toda hora

     XXVII

    O poeta se despede

    Nesse momento sublime

    Que pela sua grandeza

    A esperança redime

    Que essa festa se repita

    Sem que ninguém desanime

     XXVIII

    Lourdinha em dois mil e dez

    Vai fazer oitenta e oito

    Convidamos todo mundo

    Até dois mil e dezoito

    Pra comemorar o dia

    Com feijoada e biscoito

     

     

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  • Este martelo foi feito para registrar o namoro de meu filho Lucas com sua amada Mariana. Ele deu o Mote e depois de alguns ajustes ficou assim:

    CONSEGUIR NAMORADA IGUAL A MINHA

    SÓ COM BÊNÇÃO, COM SORTE E PACIÊNCIA

    I

    Já andei, já corri por este mundo

    Procurando um amor bem verdadeiro,

    Pra amar sem limites, por inteiro

    Para ser dentre todos, o mais profundo

    O maior, mais sincero, o mais fecundo

    Da pureza nascido na essência

    Construído  com calma, com decência

    Com a certeza  que um dia ele vinha

     CONSEGUIR NAMORADA IGUAL A MINHA

    SÓ COM BÊNÇÃO, COM SORTE E PACIÊNCIA

    II

    Conheci uma moça em Jacobina

    Já pensei que ia ser minha princesa

    Preparei bem ligeiro cama e mesa

    Planejei me casar com a menina

    Não deu certo voltei pra Petrolina

    Decidi apostar na eficiência

    Fui treinar aprender essa ciência

    Para amar em Recife ou na Redinha

    CONSEGUIR NAMORADA IGUAL A MINHA

    SÓ COM BÊNÇÃO, COM SORTE E PACIÊNCIA

     III

    Fui dançar um forró em Cabrobó

     No distante sertão pernambucano

    Numa festa que lá tem todo ano

    Festejando a querida padroeira

    Foi ali que encontrei uma brejeira

    E perdi de uma vez a inocência

    Aprendi a amar com reverência

    Seja ela coroa ou gatinha

    CONSEGUIR NAMORADA IGUAL A MINHA

    SÓ COM BÊNÇÃO, COM SORTE E PACIÊNCIA

    IV

    Do amor não se perde a caravana

    Quem almeja se tornar feliz um dia

    Conquistar uma vida de harmonia

    Na feliz capital pernambucana

    Namorando a gatinha Mariana

    Convivendo em paz, sem má querência

    Um amor pra servir de referência

    Para o filho, o neto  ou pra vizinha

    CONSEGUIR NAMORADA IGUAL A MINHA

    SÓ COM BÊNÇÃO, COM SORTE E PACIÊNCIA

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  • Esta poesia foi feita em um momento de puro devaneio. De tanto ver violência no dia-a-dia, grades, câmeras, insegurança, às vezes somos levados a sonhar em ter uma vida sem stress, engarrafamentos, assaltos, mesmo ficando sem aquele chopinho, um bom futebol, e outras cositas mais. Bom, vale a tentativa, pois hoje em dia, nem matuto tem sossego.

    I

     Eu quero ser “in natura”

    Cheiroso como um melão

    Só vou comer rapadura

    Adeus carne do sertão

    Serei um ser ecológico

    No sentido pedagógico

    Vou me tornar ermitão

     

    II

    Vou morar num pé de serra

    Numa maloca escondida

    Levo a cabrocha comigo

    E uma vaca parida

    Dois cavalo marchador

    E dez cachete pra dor

    E pomada pra ferida

     

    III

    Tomar banho de cachoeira

    Pescar na beira do rio

    Acender uma fogueira

    Pra esquentar noite de frio

    Cozinhar feijão na trempe

    Juá pra escovar os dente

    Pois não tem pasta nem fio

     

    IV

    Plantar sem adubo químico

    Respeitar a natureza

    De noite olhar para o céu

    Me deslumbrar com a beleza

    Ver nascer um novo dia

    Renovar a alegria

    De ter comida na mesa

     

    V

    Adeus ar condicionado

    Carro, trem e avião

    Só vou olhar as estrelas

    Não vou ver televisão

    De dia na agricultura

    De noite na criatura

    Eu vou levar um vidão.

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  • I

    O caminho da vida é tortuoso

    Armadilhas estão sempre presentes

    O que faz ser a gente diferente

    É viver pelo modo virtuoso

    Pois assim tudo fica mais gostoso

    Faz a vida em si mais prazerosa

    A pessoa se torna mais bondosa

    Pelo amor que terá constantemente

    E amando, é feliz intensamente

    Recompensa por ser laboriosa

    II

    Lealdade plantada em bom rincão

    Sempre traz amizade permanente

    Um amigo leal é um presente

    Pra guardar com amor no coração

    Se lembrar de cuidar com devoção

    Dessa jóia tão rica e preciosa

    Uma peça assim tão valiosa

    Vai lhe dar por retorno seu carinho

    Ajudando a trilhar o seu caminho

    Na estrada da sorte venturosa

    III

    Não se deve viver nem um pouquinho

    Pelo modo chamado vicioso

    Pois não é nem um pouco auspicioso

    Se viver de um jeito tão mesquinho

    Não se ganha, se perde ligeirinho

    Todo o amor de quem está por perto

    As pessoas se afastam isso é certo

    Ninguém quer conviver dessa maneira

    É assim a verdade verdadeira

    Entender e saber é ser esperto.

     

     

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