• Depois de 40 anos de casados, muito amor e muita prosa, por tradição não podem faltar os versos. Comemoramos com parentes e amigos no último dia 03/12/16 em Natal/RN onde moramos. Eu Mestre Marcolino e minha fiel escudeira e companheira Ângela Venturinha.

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    BODAS DE ESMERALDA – 40 ANOS DE CASADOS

     

    I

    Quarenta anos se foram

    Eu com você ao meu lado

    É sorte pra pouca gente

    Merece ser bem lembrado

    Com muita festa e alegria

    Muita conversa e poesia

    Momento bem festejado

    II

    Vêm amigos de Natal

    Paraíba e Pernambuco

    Queria a banda de Pífanos

    Uma salva de trabucos

    Sarapatel com cachaça

    Champanhe tomado em taça

    E pirão de osso buco

    III

    Conosco estarão presentes

    Umas quatro gerações

    O decano é tio Doca

    Cunhado de minha mãe

    Pois era irmão de papai

    Com ele não tem mas, mais

    Bisavô com muitos fãs

    IV

    Estamos muito felizes

    Pois tia Ivonete veio

    Tia Inês também presente

    Assim nada fica feio

    São duas tias queridas

    Presentes nas nossas vidas

    Nos servindo de esteio

    V

    Para uma festa completa

    De bodas de Esmeralda

    Não podem faltar os filhos

    Os netos e a parentada

    Irmãos, primos e cunhados

    Compadres e agregados

    Os amigos de jornada

    VI

    Com tanto tempo de casa

    Parece fácil fazer

    Uma festa pros amigos

    Preparar e receber

    Mas não se engane menino

    Tô com a cabeça zunindo

    Do trabalho de fazer

    VII

    Começa com o cardápio

    O que fazer pra comer?

    Pois festa só com conversa

    Ninguém faz por merecer

    Pra segurar o assunto

    Manter todo mundo junto

    Tem que comer e beber

    VIII

    Na tradição da família

    Receber bem é de praxe

    Para isso o regabofes

    Tem que ser bom e de classe

    Uma comida gostosa

    Com uma deliciosa

    Sobremesa de repasse

    IX

    Depois de muito pensar

    Estudar as opções

    De carne assada a filé

    Com salada e melões

    Depois de muito zumbido

    E atendendo a pedidos

    Ficamos com os feijões

    X

    A feijoada famosa

    Que já serviu tantas mesas

    Foi primeira na escolha

    De quem conhece a proeza

    De uma soma de sabores

    Com perfumados odores

    Satisfação com certeza

    XI

    Vindo bem acompanhada

    De uma boa farofinha

    Um arroz bem preparado

    E uma pimenta quentinha

    É um prazer infinito

    Tudo fica mais bonito

    Só falta uma cachacinha

    XII

    Tem uma couve à mineira

    Um caldinho elaborado

    Tem vinagrete fresquinho

    Um tempero aprimorado

    Tudo pra satisfazer

    Comer e a barriga encher

    E sair bem saciado

    XIII

    Tem bolo, tem sobremesa

    Cantador com violão

    Musicando nossa festa

    Com força e inspiração

    Pois recordar é viver

    A vida é um renascer

    Na poesia da canção

    XIV

    Nas lembranças dessas bodas

    No tempo que se passou

    Tem cartas, tem bilhetinhos

    Muita fé, muito fervor

    Convite de casamento

    Um registro dos momentos

    De nossa história de amor

    XV

    Lembro dos tempos no Vale

    Dos anos em Petrolina

    Que nos deu muito aperreio

    Demos a volta por cima

    E trouxemos na bagagem

    Os momentos de coragem

    E o saber que a vida ensina

    XVI

    No sertão do São Francisco

    Fizemos grande amizade

    Com Rosalvo e com Goret

    Criamos uma irmandade

    Rafael, Maíra e Neto (s)

    O time fica completo

    É pura felicidade

    XVII

    Os primeiros quinze anos

    Lá no Recife vivemos

    Lá nasceram nossos filhos

    E a todos muito queremos

    Oh Pernambuco querido

    Foi um tempo bem vivido

    Que jamais esqueceremos

    XVIII

    Foi pelas mãos do destino

    Que viemos para Natal

    Pois recebi um convite

    No campo profissional

    Pensei em passar dois anos

    A vida mudou os planos

    Fiquei nesta capital

    XIX

    Lá se vão quatorze anos

    Nesta terra potiguar

    Fizemos novos amigos

    Temos o que festejar

    Morar aqui é gostoso

    É um povo carinhoso

    Oh lugar bom de morar

    XX

    Mas, sempre falta um pedaço

    Pra festa ficar completa

    Os nossos pais já se foram

    Aí a saudade aperta

    Forjaram nossos valores

    Nos deram tempos e amores

    Para uma vida repleta

    XXI

    Nós também sentimos falta

    Dos filhos no dia-a-dia

    Dos netos então nem se fala

    Chega a dar uma agonia

    Queremos ficar mais perto

    Um dia isso vai dar certo

    Então é só alegria.

    XXII

    Bianca, Marcel e Lucas

    São nossos filhos queridos

    Com Nara e Mariana

    Formam um time aguerrido

    Já nos deram quatro netos

    E pra nós é firme e certo

    Que não tem um preferido

    XXIII

    Nara e Marcel nos deram

    Dois homens, João e Tomaz

    Bianca nos deu Vicente

    Que já é quase um rapaz

    De Mari e Lucas, Aurora

    Que é linda até quando chora

    E já sabe falar papai.

    XXIV

    Vovô Marcos, Vovó Ângela

    Venturinha e Marcolino

    Caminhado lado a lado

    E a vida lhes sorrindo

    É um amor de verdade

    Com carinho, sem maldade

    Por isso o amor é lindo

    XXV

    Aos meus irmãos e cunhadas

    Aos nossos primos e  primas

    Aos tios e tias queridas

    E que não me falte rima

    O nosso abraço apertado

    Com nosso muito obrigado

    Nossa festa não termina

    XXVI

    Para encerrar me despeço

    Do nosso grupo de amigos

    Que aqui estavam presentes

    A quem a todos bendigo

    São parte dessa alegria

    Na prosa e na poesia

    E isso eu afirmo e digo.

    Natal 03 de dezembro de 2016

    MESTRE MARCOLINO

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

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  • A REVOLUÇÃO DA COMUNICAÇÃO APROXIMA OU AFASTA AS FAMÍLIAS?

     

    Em plena era da Internet fica claro que as distâncias praticamente sumiram. Quase todos no mundo, ou melhor, quem possui um computador ou smartphone pode se conectar com parentes, amigos em tempo real e ao redor desse mundão de meu Deus.

    Fica na minha cabeça a pergunta: O quanto isso é bom? Podem os bits substituir o calor de um abraço? E aquela conversa, aquela prosa contando as últimas resenhas?  Perdemos o hábito de mandar cartas, visitar os amigos, ver os parentes. Hoje é tudo pela web.

    Lembro que, morando a mais de 1000 km de Natal, sempre que tinha oportunidade viajava com os filhos para visitar a família, principalmente os pais e avós, fosse em Recife, em Natal, ou João Pessoa, juntar a turma toda, irmos juntos à praia, beber aquela cervejinha gelada com caranguejo e aquelas reuniões gastronômicas impagáveis e insubstituíveis. Eu e meus primos sempre fomos como irmãos, laços reforçados por longos anos de convivência.

    Hoje temos estradas duplicadas, carros mais rápidos, seguros e modernos, mas vejo os jovens sem tempo para essas visitas, já que 300 km parecem 3.000, pela falta do hábito de conviver fora do quadrilátero em que vivem.

    Gosto da tecnologia, e não há como não conviver com ela, mas, sou mais cinestésico do que visual e por isso sinto falta de um bom bate papo pessoalmente. Gosto de receber parentes e amigos. Filhos e netos então, nem se fala.

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  • Folclore 06.05.2012 4 Comments

    O HOMEM QUE COPO LAVA

    Poderia passar totalmente despercebido não fosse o cuidado com que tratava a todos. Com elas, até por serem mais delicadas e frágeis, fazia questão de banhá-las com todo cuidado num prazer quase lúdico. Sabia que repetiria aqueles gestos muitas vezes, embora sonhasse diariamente com o dia em que poderia desfrutá-las em vez de servi-las.

    Com eles o caso era diferente. Embora que, por dever de ofício devesse deixá-los impecáveis, tratava-os com uma quase indiferença, limitando-se ao ato protocolar de entregá-los perfeitos e não receber reclamações. Sim, porque tremia só de pensar que pudesse perder sua importante posição.

    Na sociedade de castas em que vivia estava no penúltimo degrau da escala. Nascera pobre, sem muitas oportunidades de estudar o que acabara afetando duramente sua posição social. Apesar de sua origem pra lá de humilde, aprendera desde muito cedo que cada dia é uma conquista que deve ser valorizada. Afinal, tinha boa saúde, e trazia consigo os reflexos da educação doméstica exigente que recebera onde não se fazia concessão à má qualidade. Por isso era esmerado e detalhista.

    Em dias de grandes eventos, seu trabalho aumentava muito, porque parecia que eles e elas se multiplicavam numa velocidade alucinante. Mas, sabia, que galgar uma melhor posição na vida era uma questão de tempo e paciência. Mais alguns meses em um curso que estava fazendo e sairia da função de lavador de copos e taças no restaurante e viraria um cocktail man passando a criar drinques exclusivos servidos de forma impecável.

    Natal/RN, 05 de maio de 2012

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  • Poesia 07.10.2011 No Comments

    A luta diária pela sobrevivência, nos coloca a cada instante diante dos mais variados desafios. Um dos maiores desafios que enfrentamos na lida é  gerir pessoas que, muitas vezes, não foram escolhidas por você. A competição acaba mostrando o quanto você está só, tão nú quanto o rei diante da corte. Naquele momento interpretei assim:

    Navegar na bruma solitário,

    Nos sete mares, órfão navegante,

    Enfrentar guerras, lutas e farsantes,

    Dom Quixote, moderno corsário.

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  • Poesia 07.10.2011 No Comments

    Cada filho tem sua própria maneira de amar, conviver, relacionar-se com seus pais. Marcel o meu filho do meio, na época com seis anos, sentia muito quando eu viajava. Às vezes tinha até febre. Como eu viajava muito, todos sentiam muito a minha ausência. Num desses retornos de viagem de trabalho ele estava febril. A alegria de me ver foi tanta que logo, logo ficou bom. Escrevi para ele os versos abaixo:

    Cabelo cortado com redemoinho

    Carinha travessa,

    Sou bom menininho.

    Estava dodói

    Agora sarei,

    Papai retornou

    Feliz estarei.

    Recife, 01 de junho de 1985.

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  • Poesia 07.10.2011 No Comments

    Sempre tive o hábito de registrar momentos da minha convivência no dia-a-dia. Em mesa de bar e restaurante nem se fala. Bom, muitos registros se perderam nos guardanapos da vida, mas, depois de uma busca no baú de recordações minha caríssima metade resgatou alguns escritos que aproveito para registrar no blog e compartilhar com meus leitores. No meu aniversário de 1986 foi assim:

    Mesa de bar

    Whisky com gelo

    Copos, corpos

    Muito som.

    Trinta e sete são passados

    Ano novo, a vida continua,

    Cantar, dançar

    Festejar no Chez Moi

    Com você.

    Adiante, sigamos a caminhada do destino.

    Recife, 22 de novembro de 1986.

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  • Na atual sociedade de consumo na maioria das vezes as pessoas medem o seu sucesso principalmente pelo que conseguem em bens materiais. Nada contra, pois sem dinheiro fica difícil obter o que se precisa para sobreviver. Entretanto, essa busca desenfreada pelo $uce$$o, quando não é coroada do êxito  que a pessoa espera, leva muita gente à frustação, decepção e o que é pior, à depressão. Por que isto acontece? Porque falta fé em si próprio. Quando você não vence a culpa não é do mundo, e talvez não seja totalmente sua. Mas a derrota só é total quando você desiste de você.

    I
    Lutar e não desistir
    Não perder a esperança
    Ter fé sempre persistir
    Que depois vem a bonança
    Ser feliz no existir
    Mantendo a perseverança
    II
    Deus em primeiro lugar
    Faz a coisa acontecer
    Mas, é preciso lutar
    Desde até o amanhecer
    É preciso pelejar
    Não desistir de crescer
    III
    Nada vem fácil na vida
    Toda conquista é suada
    Depois da seca ardida
    Sempre vem a invernada
    Após a luta renhida
    A conta fica abonada
    IV
    A força todos nós temos
    Jamais deixe arrefecer
    Pois a fé no que nós cremos
    Mostram um novo renascer
    Com um olhar novo te vemos
    Não desista de você.

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  • Poesia 25.05.2010 1 Comment

    dsc01100-copiaUm grande amor deve ser festejado, bem tratado, bem vivido. Quem tem essa ventura de conseguir, deve agradecer e zelar por esse presente precioso. Este poema foi escrito em julho de 2000 e faz parte da minha vida com Ângela.

     

    O mar com seu verde azulado

    Em Boa Viagem testemunha o passar do tempo

    Com tantos sóis e tantas luas;

     

    Do Veleiro que sumiu, transformado em pó

    Restam as lembranças do passado

    Nem nuas, nem cruas

    Tão minhas, tão suas;

     

    E se a fronte grisalha

    Aponta as marcas do tempo,

    Julho sempre será

    Dos verdes anos da juventude

    Até a velhice que virá

    A testemunha secular

    Que nos amamos.

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  • O Natal é especialmente representativo para mim. No Natal de 2009 sofri um grande susto, pois passei mal na hora da ceia e acabei internado por três dias em um hospital. Jamais esquecerei pois tudo na vida tem um profundo significado. O que aconteceu foi um alerta, e mais do que nunca, nessas horas é que sentimos como é bom viver. Agradeço às divinas forças que me ajudaram a sair da crise e reviver. Obrigado Senhor.

    I

    Pra sentir como a vida é preciosa

    É preciso sofrer um grande susto?

    Não concordo e também não acho justo

    Caminhar por estrada tortuosa

    Pois viver de uma forma harmoniosa

    É o jeito mais sábio e dadivoso

    Existir pelo modo virtuoso

    Valoriza este dom que Deus nos deu

    Que é real para o rico e o plebeu

    Pois viver, é em si, maravilhoso

    II

    Levo a vida comigo sem temores

    Pois aceito os ditames do destino

    Ao sofrer de um mal no intestino

    No Natal padeci de muitas dores

    O vermelho pintando as outras cores

    A chegar numa forte hemorragia

    Me levando a sofrer grande agonia

    Internado naquele nosocômio

    Que me fez perder peso e patrimônio

    Pra ganhar minha carta de alforria

    III

    Ao saber o valor da assistência

    Quase volto a sofrer internamento

    Pois a conta incluindo apartamento

    Me deixou em estado de dormência

    Paciente precisa paciência

    E sentir que a vida vale mais

    Vou avante, não vou olhar pra trás

    E tentar melhorar daqui pra frente

    Evitar sentir tudo novamente

    Mas passar pela dor, não quero mais.

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  • Um por do sol às margens do Lago de Sobradinho na Bahia, para variar degustando uma cervejinha bem gelada num calor de trinta e poucos graus. De repente uma visão digna de um quadro de Di Cavalcanti . Uma belíssima silhueta saindo da água de vestido a sacudir os cabelos negros sobre aqueles ombros morenos. Era jovem e linda naquela rusticidade sertaneja. Por um instante cheguei a pensar que vinha em nossa direção. Ledo engano, saiu da água e sumiu. Ficaram os versos.

    I

    Flor sertaneja

    De olhar tão doce.

    Quisera que fosses

    Tão linda pra mim.

    II

    Flor sertaneja

    Teu jeito brejeiro.

    Teu riso, teu cheiro

    Eu sonho pra mim.

    III

    Flor sertaneja

    Por mais que eu procure

    Aqui e alhures

    Eu não chego ao fim.

    IV

    Flor sertaneja

    Acabou meu sonho.

    Viverei tristonho.

    Não vens para mim.

     

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