• Por mais estranho que possa parecer, os triângulos amorosos são bem comuns no interior. Conheci até quartetos nas minhas andanças pelo interior do Brasil. A história de Zefa e Chico retrata o abandono que, muitas vezes, as mulheres sofrem por parte de maridos ignorantes e com uma cultura de que mulher é só para parir e servir.

    I

    SEU DOTÔ VOU LHE CONTÁ

    O QUI AQUI SE ASSUCEDEU

     POIS DE FATO ACONTECEU

    CUM CHICO PÉ DE PREÁ

    QUI RESORVEU SI INGRAÇAR

    DE ZEFINHA DE DUDÉ

    MODE AS ANCA DA MUIÉ

    QUI REBOLA QUANO PASSA

    ANDANO CHEIA DE GRAÇA

    E MUITO PEREQUETÉ.

    II

    ERA UMA NOITE ISTRELADA

    FESTEJANO A PADROEIRA

    MUITA CACHAÇA BREJEIRA

    E QUEIJO CUM MARMELADA

    TINHA CERVEJA GELADA

    TIRA GOSTO DE GALINHA

    CUM FARINHA BREJEIRINHA

    NUM PIRÃO MUITO ARRETADO

    GOSTOSO E APIMENTADO

    PREPARADO POR ZEFINHA

    III

    VEI UM PADE LÁ DA FRANÇA

    VEI PULIÇA, DELEGADO

    MAIS UM CABO E TRÊS SORDADO

    PRA GARANTIR SIGURANÇA

    DE MUIÉ ,VÉI E CRIANÇA

    E DE MATUTO BRIGÃO

    COMO ZÉ DA CONCEIÇÃO

    QUI FICAVA IMBRIAGADO

    FALANO TODO INROLADO

    E DIZENO PALAVRÃO

    IV

    TODO MUNDO TAVA ARMADO

    UM CUSTUME DO SERTÃO

    CUM REVORVE E MOSQUETÃO

    E PUNHÁ MUITO AFIADO

    FACA E FACÃO AMOLADO

    SE UM CABRA ASSIM BEM VISTIDO

    LEVA UMA GAIA ISCONDIDO

    CUM CERTEZA SI APERREIA

    QUER LOGO METER A PEIA

    FICÁ BRABO E ATRIVIDO

     V

    DUDÉ FI DE BIU CANINHA

    É CABRA MUITO DISPOSTO

    POR ZEFA TEM MUITO GOSTO

    CONHECEU ELA NOVINHA

    CUM SUA PRIMA RITINHA

    NUM FORRÓ DE PÉ DE SERRA

    O MIÓ DAQUELA TERRA

    NUMA NOITE DE SÃO JOÃO

    QUANDO SOLTAVA ROJÃO

    QUI PARECIA UMA GUERRA

    VI

    CUMEÇARO A NAMORÁ

    E FORO LOGO CASANO

    CUM ZEFA EMBARRIGANO

    QUAJI NO PÉ DO ALTÁ

    DUDÉ BUTOU PRA QUEBRÁ

    PRA ZEFA NUM DEU MOLEZA

    ERA SÓ NA SAFADEZA

    NO QUINTÁ E NA ALCOVA

    POIS TESÃO DE MUIÉ NOVA

    NUM ISFRIA COM CERTEZA

    VII

    QUANO ZEFA SI CASÔ

    TINHA FEITO DIZESSETE

    DUDÉ TINHA VINTE E SETE

    E O CASÁ SE CUMPRETÔ

    O VIGARO ABENÇOOU

    NOVA FAMIA FORMADA

    CUM ZEFA JÁ IMPRENHADA

    NUM BUCHO DE MAIS DE MÊS

    DUDÉ NUM PERDEU A VEZ

    TINHA INXIDO A NAMORADA

    VIII

    OS ANO FORO PASSANO

    A VIDA SEGUINO IN FRENTE

    ZEFA VIVENO CONTENTE

    SUAS CRIANÇA CRIANO

    UM BRUGUELO A CADA ANO

    JÁ TINHA SEIS NA NINHADA

    E DUDÉ NA CACHORRADA

    VIVIA RAPARIGANO

    E MUNTA CANA TOMANO

    CUMA PUTA AGALEGADA

     IX

    NUM DEMORÔ MUNTO NÃO

    CUMEÇARO OS MIXIRICO

    VIZIN FAZENO FUXICO

    DAQUELA SITUAÇÃO

    SE ZEFA SABIA OU NÃO

    NUM CUMENTAVA NADINHA

    SOFRIA MERMO SOZINHA

    SEM INFORMÁ PRAS CRIANÇA

    QUI O PAI VIVIA NA DANÇA

    NO CABARÉ DE ROSINHA

    X

    DUDÉ PUXÔ E ARRASTÔ

    TODAS MANIA DO PAI

    POIS TODA NOITE ELE VAI

    PRO BUTECO DE NESTÔ

    ZEFA FICA NO TRICÔ

    ELE SE FAZ DE BACANA

    VAI INCHER O CÚ DE CANA

    IGUALZIM A BIU CANINHA

    VAI DIRRUBANO A BRANQUINHA

    E FAZENO JUS A FAMA

    XI

    ADISPOIS DE INCHER A CARA

    SEGUE DIRETO PRA ZONA

    LÁ INCONTRA AQUELAS DONA

    QUI VEVE IN RIBA DA VARA

    CUM DUENÇA QUI NUM SARA

    DE CHANHA INTÉ GONORRÉA

    INCARA QUALQUER BORRÉA

    SI SINTINO UM GARANHÃO

    MAS NUM PASSA DUM CAGÃO

    QUI VEVE CUM DIARRÉA

    XII

    A COISA FICÔ DIFICE

    POIS ZEFA ACABÔ SABENO

    SIGUIU IN FRENTE SOFRENO

    PRO MODE O DISSI MI DISSI

    POIS INTÉ CUMADE EUNICI

    DISDIBUIOU A ISTORA

    GORA JÁ TAVA NA HORA

    DI CUNVERSÁ CUM DUDÉ

    SABÊ O QUE QUELE QUÉ

    SI ACERTÁ SEM DEMORA

     XIII

    ZEFINHA TAVA PENSANO

    COMO FALÁ CUM DUDÉ

    POIS CUMA ERA MUIÉ

    TINHA QUI SIGUI LUTANO

    NO BATENTE LABUTANO

    INTÉ ARRUMÁ AS PROVA

    PRA SEM POESIA NEM PROSA

    INQUADRÁ O ELEMENTO

    DISPACHÁ SEM DOCUMENTO

    E CUMEÇÁ VIDA NOVA

    XIV

    MAS ANTES DE ARRESORVÊ

    A PARADA CUM DUDÉ

    ZEFINHA SIGUIA A PÉ

    TENTANO A DÔ ISQUECÊ

    SORRINO PRA ISPARECÊ

    QUANO VIU CHICO PREÁ

    QUI VINHA BEM DIVAGÁ

    CUM SEU SORRISO BANGUELA

    DURIM OLHANO PRA ELA

    CUMA QUEM QUÉ SI ABRAÇÁ

    XV

    FOI AÍ QUI ACONTECEU

    OS ZOI DOS DOIS SE INCONTROU

    ZEFINHA SE ARRUPIOU

    I CHICO FICOU TREMENO

    CUM AS PESTANA BATENO

    I CUMEÇÔ A GAGUEJÁ

    SEM AS PALAVRA INCONTRÁ

    MERMO ASSIM DISSI BOM DIA

    CUMA VAI FULÔ DO DIA

    NOIS IXISTE PRA SI AMÁ.

    XVI

    ZEFINHA NEM DEU OUVIDO

    CONTINUOU SEU PASSEIO

    POIS O MUNDO TAVA CHEIO

    DE CABORÉ INXIRIDO

    E DE CABRA JÁ VIVIDO

    DOUTÔ EM PAQUERAÇÃO

    CUM MUNTA CUNVERSAÇÃO

    PROMETE O MUNDO E O FUNDO

    AMOR ETERNO E PROFUNDO

    E MUNTA BADALAÇÃO

     XVII

    O CHICO ERA BOM SUJEITO

    ERA BOM TRABAIADÔ

    NUM ISTUDÔ PRA DOUTÔ

    MAS APRENDEU DO SEU JEITO

    A LÊ I ISCREVÊ DIREITO

    MAIS AS QUATRO OPERAÇÃO

    MERMO CONTA CUM FRAÇÃO

    JÁ RESORVIA NA HORA

    CUM PROVA DE NOVES FORA

    SEM ERRÁ NA TRANSAÇÃO

    XVIII

    O CHICO PÉ DE PREÁ

     SEMPRE GOSTOU DE ZEFINHA

    DERNA QUI ERA NOVINHA

    ELE PENSOU NAMORÁ

    PORÉM AGIU DIVAGÁ

    E DUDÉ CHEGÔ PRIMERO

    NAMORÔ CASÔ LIGERO

    NUN DEU CHANCE PRU PREÁ

    QUI TEVE QUI AGUENTÁ

    I FICÁ RAPAZ SORTERO

    XIX

    O TEMPO É GRANDE ALIADO

    VIRTUDE É TÊ PACIENÇA

    DEPOIS CHEGA A RECOMPENSA

    COMO BEM DIZ O DITADO

    O CHICO ISPERÔ SENTADO

    SEM PERDÊ A ISPERANÇA

    QUI TINHA DESDE CRIANÇA

    DE SI AJUNTÁ CUM ZEFINHA

    NUMA CAMA BEM QUENTINHA

    PRA FAZÊ UMA LAMBANÇA

    XX

    ENFIM O DIA CHEGÔ

    NA FESTA DA PADROERA

    NA PRAÇA PERTO DA FEIRA

    CHICO A MORENA AVISTÔ

    POIS ZEFINHA SEU AMÔ

    TAVA PARADA SOZINHA

    ISPIANDO PRA BANDINHA

    QUI TOCAVA NA RETRETA

    UM DOBRADO BEM PORRETA

    NO CORETO DA PRACINHA

     XXI

    O CORAÇÃO BATEU FORTE

     I SEM VÊ DUDÉ PU PERTO

    ARRESORVEU SÊ ESPERTO

    E ARRISCÁ SUA SORTE

    MERMO CUM RISCO DE MORTE

    O TESÃO ERA MAIÓ

    E SEM PENSÁ NO PIÓ

    CHEGÔ JUNTO DE ZEFINHA

    ABRAÇÔ A MORENINHA

    SEM MUNTO POROCOTÓ

    XXII

    DE INIÇO ELA ASSUSTÔSSE

    QUIS SI SORTÁ DO ABRAÇO

    CHICO CUNS NELVOS DE AÇO

    FALÔ CUMA FALA DOCE

    A MINHA ISPERA ACABÔSSE

    VAMO SI AMÁ AGORA

    POIS INTÉ PASSÔ DA HORA

    DI NÓIS DOIS FAZÊ AMÔ

    PURQUE DESPOIS QUI NÓIS FÔ

    VOCÊ NUM MI MANDA IMBORA

    XXIII

    ZEFINHA NUM RISISTIU

    FOI PRU BARRACO DI CHICO

    DEPOIS DE TANTO FUXICO

     SUA VERGONHA SUMIU

    RESOVEU DÁ O XIBIU

    PARA QUEM GOSTAVA DELA

    O VELHO CHICO BANGUELA

    QUI TINHA O PÉ DE PREÁ

    TRANSÔ SEM SI INCABULÁ

    CUM CORAGE SEM CAUTELA

    XXIV

    DEPOIS DA NOITE DE AMÔ

    ZEFINHA VOLTÔ PRA CASA

    PUR POUCO NUM SI ATRASA

    POIS LOGO DUDÉ CHEGÔ

    PARECE QUI ADVINHÔ

    JÁ FOI CHAMANDO ZEFINHA

    VEM CÁ MINHA GOSTOSINHA

    PRA NOSSO ATRASO TIRÁ

    TÔ PRONTO PRA NÓIS TRANSÁ

    DÁ UMA BEM RAPIDINHA

     XXV

    ZEFINHA DISSI NUM DÁ

    POIS TÔ CUM DÔ DE CABEÇA

    PUR HOJE VOCÊ MI ISQUEÇA

    QUI EU NUM VÔ NAMORÁ

    TOME UM BAIN PRA MILHORÁ

    DESSE CHERO DE TITICA

    POIS HOJE ESSA PIRIQUITA

    NUM DÁ PRA VOCÊ USÁ

    VÁ DURMI PRA DISCANSÁ

    DESSA CACHAÇA MARDITA

    XXVI

    DIPOIS DE PASSADO UNS DIA

    DUDÉ FICOU MAIS CASERO

    POIS JÁ TAVA MEIO CABRERO

    CUM O QUI ACONTECIA

    POIS ZEFINHA REPELIA

    TODA VEZ QUI ELE TENTAVA

    DIZIA QUI ASSIM NUMA DAVA

    QUI NUM TAVA BEM DISPOSTA

    I DAVA O NÃO POR RESPOSTA

    DUDÉ NUM SI CONFORMAVA

    XXVII

    NA SEMANA ELA SAÍA

    PRA VISITÁ AS CUMADE

    LÁ NU CENTO DA CIDADE

    PROCURÁ CUMADE LIA

    MAS O QUE MERMO ELA IA

    ERA INCONTRÁ CUM PREÁ

    PARA BUTÁ PRA QUEBRÁ

    VIVÊ O AMÔ PROIBIDO

    AGORA DISINIBIDO

    SEM TÊ COMO TERMINÁ

     XXVIII

    DUDÉ JÁ DISCONFIADO

    RESORVEU FICÁ TENTANO

    POIS MERMO DISCONFIANO

    NUM TINHA QUALQUÉ CERTEZA

    QUI SUA XUXU BELEZA

    TAVA LHI BUTANO GAIA

    JÁ AMOLAVA A NAVAIA

    PRA PEGÁ OS DOIS NO SUSTO

    DÁ UM CASTIGO BEM JUSTO

    NU URSO E NA MUIÉ PAIA

    XXIX

    PARTIU PARA O TUDO OU NADA

    E ZEFINHA CHEGOU JUNTO

    I SEM NEM PUXÁ ASSUNTO

    ISPERÔ DUDÉ DEITADA

     DEU UMAS OITO GOZADA

    QUI INDOIDECEU O MARIDO

    QUI PERDUÔ SÊ TRAÍDO

     ACEITÔ A PRÓPIA SORTE

    JÁ SI SINTINO MAIS FORTE

    SEM O ORGULHO FIRIDO

    XXX

    FOI ASSIM QUI MI CONTARO

    NOS MEUS VERSO REGISTREI

    POIS EU NUNCA ACREDITEI

    QUI CORNO NACE CUM FARO

    MUNTO MENOS CUM PREPARO

    PRA CUMPRI A SUA SINA

    MAS COMO A ISTORA INSINA

    É MIÓ TÊ PACIENÇA

    RESORVÊ SEM VIOLENÇA

    E MUDÁ SUA ROTINA

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  • Nando: Quem tem um amigo nunca está sozinho. Você sempre foi um amigo, um irmão. Mesmo quando tivemos que nos afastar por razões profissionais e familiares, continuamos amigos. Hoje aos sessenta, inicia o terceiro trinta. Saúde e felicidades. Um grande abraço.

    I

    PRIMO NANDO FEZ SESSENTA

    COM A FAMÍLIA COMEMORA

    O TEMPO PASSOU DEPRESSA

    POIS A VIDA NÃO DEMORA

    TEM QUE PRESTAR ATENÇÃO

    PRA NÃO PERDER A RAZÃO

    E PARTIR ANTES DA HORA

                                   II

    HOJE COMEÇA A VELHICE

    NA IDADE CRONOLÓGICA

    MAS NA CABEÇA DE NANDO

    A VELHICE NÃO TEM LÓGICA

    POR ISSO AINDA É MENINO

    DIZ QUE AINDA TOCA O SINO

    COM HARMONIA MELÓDICA

    III

    FOI UM MOLEQUE TRAVESSO

    NOS TEMPOS DE MENINÃO

    VIA FILME DE CAUBÓI

    ZORRO E O HERÓI DO SERTÃO

    MAS JÁ NA ADOLESCÊNCIA

    RECEBIA A INFLUÊNCIA

    DO XAXADO E DO BAIÃO

                                   IV

    NAS FESTAS DE FIM DE ANO

    IA NAMORAR NA PRAÇA

    EM SANTA RITA ERA REI

    NADA DEIXAVA DE GRAÇA

    DEPOIS DE SARRABULHAR

    IA LÁ PRAS POPULAR

    TREINAR PARA SENTAR PRAÇA

                    V

    AS MENINAS JÁ SABIAM

    QUEM ERA O BODE DALI

    FICAVAM TUDO ASSANHADA

    FLERTANDO E QUERENDO RIR

    JÁ PENSANDO NO DINHEIRO

    IAM SENTANDO O TRASEIRO

    JÁ ESPERANDO ELE AGIR

    VI

    O MOÇO ERA CONHECIDO

    TAMBÉM GOSTAVA DE CANA

    SE TIVESSE JURUBEBA

    SATISFAZIA O BACANA

    MAS SE A VERDADE DESEJA

    DESSE UMA BOA CERVEJA

    QUE ESSA LOURA ELE AMA

                                   VII

    QUANDO VINHA O CARNAVAL

    OITO DIAS FARREAVA

    ERA DO BLOCO ANIMADO

    DA FOLIA NÃO ARREDAVA

    NEM PRA COMER UM PIRÃO

    NEM SANDUICHE NEM PÃO

    SÓ A MARVARDA ENTORNAVA

                                   VIII

    PASSOU NO VESTIBULAR

    FOI CURSAR A FACULDADE

    JÁ NAMORAVA COM NUCA

    DESDE DEZ ANOS DE IDADE

    JÁ FALAVA EM SE CASAR

    PRA SEIS MENINOS CRIAR

    JUNTO COM SUA BELDADE

                                   IX

    SEGUIU EM FRENTE NA VIDA

    ESTUDANDO E APRENDENDO

    CONCLUIU E SE FORMOU

    E ASSIM FOI SE FAZENDO

    ASSUMIU SEU MINISTÉRIO

    ABRAÇANDO O MAGISTÉRIO

    UM MESTRE ENTÃO FOI NASCENDO

                                   X

    CASOU E VIERAM OS FILHOS

    QUE FOI COM NUCA CRIANDO

    E LÁ NA ACADEMIA

    CONTINUAVA ENSINANDO

    LEVAVA O CONHECIMENTO

    E COM PLENO SENTIMENTO

    AS TURMAS IA FORMANDO

                                   XI

    ASSIM OS ANOS PASSARAM

    CUMPRIU A META E PAROU

    E COMO BOM BRASILEIRO

    FEZ JUS E SE APOSENTOU

    DIZ QUE HOJE SÓ NAMORA

    FAZ AMOR A TODA HORA

    PRA ISSO NÃO DESCANSOU

                                   XII

    O CABRA É BOM PEGADOR

     PERGUNTE A QUEM O CONHECE

    PEGA TOSSE E RESFRIADO

    DE VEZ EM QUANDO ADOECE

    TEM FEBRE E DOR DE CABEÇA

    E PARA QUE NÃO ESQUEÇA

    QUANDO TEM FEBRE AMOLECE

                             XIII

    MAS DIZ QUE É NAMORADOR

    QUE NUNCA FALHA EM SERVIÇO

    NÃO É A TOA QUE É QUÍMICO

    SABE FAZER O FEITIÇO

    PEGA UM COMPRIMIDO AZUL

    NEM PRECISA FICAR NÚ

    QUE APRONTA UM REBULIÇO

                                   XIV

    MAS BRINCADEIRAS A PARTE

    VOCÊ LUTOU E VENCEU

    DESEJO FELICIDADES

    E O MELHOR QUE PROMETEU

    SIGA VIVENDO O PRESENTE

    ESTEJA SEMPRE CONTENTE

    PORQUE VOCÊ MERECEU

     

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  • Folclore 22.10.2009 2 Comments

    Sempre gostei de ouvir e contar histórias. Umas verdadeiras, outras nem tanto, então fui juntando aqui e ali e acabei fazendo uma coletânea que publiquei no meu primeiro livro cujo título é “Caçando Jaburu e outras Histórias. Aqui vai uma dessas histórias que repasso como me contaram. Se é verdade não sei, mas o cenário é bem real e pode ser visto em muitas cidades do interior do nosso país. Espero que apreciem.

    RESPOSTA ADEQUADA

    Festa de padroeira no interior é sempre o maior acontecimento do ano. Em um país com uma religiosidade tão arraigada como o Brasil, as festas da fé são verdadeiros eventos, onde o religioso e o profano andam lado a lado.

                    Esta história passou-se numa dessas festas em um lugarejo do interior do Nordeste.

                    A festa da padroeira Nossa Senhora das Boas Virtudes durava dez dias. Acontecia sempre nos meses de julho, época menos seca e coincidente com as férias escolares, o que possibilitava receber filhos da terra egressos de outras cidades onde tinham ido morar, estudar e fazer a vida. Vinha gente de todo lugar, incluindo Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Recife entre outras.

                    A igreja matriz ficava no fim da avenida principal, numa grande praça arborizada com um coreto no centro e um passeio dando uma volta completa, por onde as moças desfilavam de braços dados em grupos, enquanto os rapazes ficavam parados observando e flertando em busca daquela que seria a sua namorada na festa e nos bailes.

                    Diariamente aconteciam novenas, e após o culto religioso a banda de música Lira do Sertão fazia uma retreta animando o local enquanto as pessoas divertiam-se no parque de diversões e bebiam umas e outras nas diversas mesas espalhadas pelas ruas em torno da matriz.

     Nos diversos bares e restaurantes eram servidos ótimos tira-gostos da cozinha regional que incluíam sarapatel, buchada de bode, lingüiça de porco, sem falar em carne de sol com macaxeira, regada por uma excelente manteiga de garrafa.

    Não faltava também um churrasco de carne de bode e carneiro guisado com pirão. Galinha de capoeira com pirão de parida servia para levantar até defunto bêbado, coisa bem comum nos finais de noite. Diz-se que um pirão de parida ou uma cabeça de galo, são perfeitos para evitar ressaca no dia seguinte e agüentar a maratona de bailes e bebedeiras.

    Depois da novena e da retreta a quermesse incluía um leilão de produtos doados pela população para gerar renda para a igreja.

                    Mariazinha era uma moça de poucas posses, mas de beleza destacada no lugar, chamando a atenção da garotada que queria namorar. Embora, ainda não tivesse feito dezoito anos, já demonstrava ser muito esperta e sabia como poucas tirar proveito em certas situações. Tinha arrumado um guarda-roupa razoável para agradar os pretendentes durante a festa, mas, faltava-lhe um componente essencial para aparecer bem no último dia da festa na praça e no baile; um belo par de sapatos.

    José era o que se podia chamar de  pessoa do bem. Vivia lá no sítio da família, levando uma vida simples cuidando do gado e das criações. Já tinha algumas cabeças próprias para negociar e fazer um dinheiro para gastar na festa e doar um pouco para as obras da Santa Madre Igreja.

    Só ia à cidade quando tinha negócios ou nas ocasiões festivas. No último sábado da festa, levou sua mercadoria para vender na cidade na feira pública que acontecia durante todo o dia.

    Alguns quilos de carne de cabrito, dois carneiros já tratados, uns trinta quilos de queijo que tinha feito com o leite das vacas, uma carne de sol de primeira e umas garrafas de manteiga. Somava-se ainda lingüiça sertaneja e umas latas de chouriço, um doce muito apreciado feito com sangue de porco, farinha de gergelim, açúcar e castanha de caju assada.

    Vendeu tudo antes das duas da tarde e apurou uns cento e cinqüenta contos de reis. Um conto de réis correspondia a um mil cruzeiros da época em que se chamava cinqüenta centavos de quinhentos réis.

    Botou o dinheiro no bolso e seguiu feliz para o centro da cidade para comprar a roupa que iria vestir à noite na festa. Estava olhando as vitrines quando viu Mariazinha e ficou literalmente encantado, com um olhar de bobo, como se tivesse visto visagem. Ela o estava fitando com um largo sorriso nos lábios carnudos de cabocla bem criada. Virou de lado para ter certeza que era para ele que ela estava realmente olhando. Era, não havia dúvidas, a festa começara bem para Dedé como era conhecido entre os amigos.

    Por ser sempre bem intencionado, costumavam lhe pregar peças e alguns por maldade o chamavam de Dedé Besta, porque sempre era vítima das brincadeiras de mau gosto. Diziam até que uns versos atribuídos ao poeta Moisés Sesiom teriam sido dedicados a ele, dada a tamanha leseira que costumava aparentar.

     

    Andei procurando um besta,

    Um besta que fosse capaz,

    De tanto procurar um besta,

    Encontrei este rapaz,

    Que nem pra besta serve,

    Porque é besta demais.

     

    Ela foi logo puxando conversa com ele.

    Você vai para a quermesse hoje?

    Dedé respondeu: Vou, só falta comprar a roupa, e você?

    Mariazinha respondeu:

    Estou doida pra ir, mas, tem um problema, tenho vestido, mas, não tenho sapato. Talvez tenha que ficar em casa.

    Acabara de jogar o laço

    Falou Dedé:

    Por isso não, se eu lhe der o sapato, você se encontra comigo lá?

    Ela respondeu:

    Com toda certeza, à noite nos encontraremos no leilão da quermesse.

    Então vamos à sapataria, chamou Dedé.

    Ela o guiou rua abaixo na direção da melhor sapataria da cidade. O ponto era famoso na venda de sapatos para as moças da cidade, donzelas ou não, pois encontravam produtos da moda usados nas principais cidades do país. Era evidente que os preços também não eram os mais baratos.

    Ela dirigiu-se à vendedora e já foi pedindo o par de sapatos que já estava separado. Pronto Dedé é esse aqui que eu quero. Pode pagar e à noite nos encontramos conforme combinado. Agora tenho que ir.

    A vendedora apresentou a conta a Dedé que quase morreu de susto quando viu o preço. Setenta contos de réis custava o sapatinho da moça. Era um presente muito caro para quem tinha apurado menos de cento e cinqüenta e ainda tinha alguns gastos para honrar. Mas, agora estava sem jeito. Tirou os cobres do bolso, pagou e saiu pensativo com uma estranha sensação de que tinha sido enrolado. Teria que esperar até à noite para saber.

    Arranjou-se como pode para pagar as contas e comprar sua própria roupa com o pouco que lhe restou, Ficou quase sem dinheiro para gastar no leilão. Encontrou seus amigos e contou-lhes só a parte boa, que tinha arranjado uma tremenda gata para namorar à noite, uma das mais bonitas da cidade. Todos ficaram curiosos e com uma ponta de inveja. Afinal, ainda não tinham conseguido nada.

    Chegou o tão esperado momento. A ansiedade era indisfarçável e Dedé não via a hora de encontrar Mariazinha e mostrar aos amigos a sua grande conquista.

    Ao chegarem ao pátio do leilão lá estava ela, linda em seu vestido de festa e os sapatos brilhando nos pés. Estava rodeada de amigas e de braços com outro e pelo jeito carinhoso dava a entender que era namorado. Foi uma ducha de água fria para Dedé. Ela acenou levemente para ele e desviou a atenção para o leilão.

    Entre uma oferta e outra, havia um espaço para recados, música e participação do público. Num desses intervalos Mariazinha dirigiu-se ao palco, pegou o microfone e anunciou que ia fazer uma homenagem.

    Senhoras e senhores, queridos amigos, quero fazer uma homenagem especial a uma pessoa, que possibilitou a minha presença aqui hoje à noite. É para você Dedé a quadrinha que vou recitar.

     

    Sapato de setenta contos,

    Só quem tem aqui sou eu,

    De braços com quem eu gosto,

    Olhando pra quem me deu.

     

    Foi uma facada pelas costas. Todos riram à vontade, principalmente os que já sabiam do golpe que ela dera no pobre do matuto.

    O locutor anunciou que o direito de resposta para agradecer estava garantido e disponibilizou o microfone para Dedé falar.

    Extremamente contrariado com o papelão que tinha feito, considerou: barco perdido, bem carregado, pensou.

    Senhoras e senhores agradeço a oportunidade para falar e poder responder à altura da homenagem de Mariazinha, e recitou:

     

    Sapatos de setenta contos,

    Só quem tem aqui és tu,

    Custou-me o suor do rosto,

    E as pregas do seu cú.

     

    Estava vingado.

     

     

     

     

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  • É isso. Hoje no dia do poeta, cabe-me lembrar alguns cordéis feitos para datas especiais. Um deles é o que homenageou nossa matriarca nos seus jovens 87 anos. Vale relembrar e compartilhar com todos.

    I

    No ano de vinte e dois

    Com a benção do Salvador

    Nasceu Lourdinha Veloso

    Moça de grande valor

    Em onze de fevereiro

    Chegou, gostou e ficou

     II

    Chegou lá na Paraíba

    Na terra de Santa Rita

    Família de boa cepa

    Nobreza que não se imita

    Com dois meses de idade

    Já tinha laço de fita

     III

    O papai era Colombo

    A mamãe era Nevinha

    Com muito jeito e carinho

    Conduziram a garotinha

    Educando e preparando

    Pra quando fosse mocinha

     IV

    A menina ficou moça

    A beleza floresceu

    Começou a trabalhar

    A competência cresceu

    Já queria namorar

    E então aconteceu

     V

    Apareceu um rapaz

    Que vinha da construção

    Das obras do aeroporto

    Que estava em execução

    Sujeito de boa pinta

    De nome Napoleão

     VI

    Nascera no Seridó

    Lá na terra potiguar

    O pai era Pedro Dias

    Um ferreiro singular

    E Dona Ana Fernandes

    Era uma mãe exemplar

    VII

    O pai que era fazendeiro

    Também tinha ferraria

    Fazia foice e facão

    E peça de montaria

    Só não fazia o cavalo

    Porque a égua corria

    VIII

    Começaram a namorar

    E o amor fez efeito

    Escolheu Napoleão

    Para ser o seu eleito

    Então em quarenta e sete

    O casamento foi feito

    IX

    Depois de vãs tentativas

    Chegou mestre Marcolino

    Foi o primeiro da prole

    É  um cabra genuíno

    Madeira de dar em doido

    Cordelista nordestino

    X

    Veio a primeira Maria

    Pra ser Auxiliadora

    A gente chama de Têca

    Tem uns que chamam de Dora

    Estudou pedagogia

    Mas não quis ser professora

    XI

    Veio o terceiro rebento

    Com o nome do avô

    Foi o Pedro Dias Neto

    Papai amou com fervor

    Pois lembrava o velho dele

    Que morava com o Senhor

    XII

    Na capital potiguar

    No bairro do Alecrim

    Nasceu Fernando José

    O quarto depois de mim

    Enquanto o quinto já vinha

    Juntando todos assim

    XIII

    O quinto da grande prole

    Também nasceu em Natal

    Lá no bairro do Tirol

    Dessa linda capital

    Maternidade São Lucas

    Nasceu de parto normal

    XIV

    Batizou-se como Ueliton

    Pra gente virou Tonton

    Vivia bem humorado

    Gostava muito de Ron

    Partiu em noventa e oito

    Era um cara muito bom

    XV

    Nasceu a Lucia de Fátima

    Era a segunda Maria

    Chegou depois de Tonton

    Pra morar na freguesia

    Era a sexta que chegava

    Pra aumentar a dinastia

     XVI

    Não dava tempo crescer

    Nem a barriga murchar

    Pois o pai Napoleão

    Não deixava descansar

    Nem bem desmamava um

    Mamãe voltava a embuchar

    XVII

    Nem bem tirou o resguardo

    A mãe emprenhou de novo

    Veio a terceira Maria

    Pra se juntar com o povo

    Dessa vez Maria Célia

    Começou tudo de novo

    XVIII

    O tempo passou depressa

    Não completou nem três anos

    O veio ajeitou a veia

    Ali debaixo dos panos

    Preparou Maria Monica

    Pra se juntar aos seus manos

     XIX

    O grupo estava completo

    Nesta terra tropical

    Nasceu três em João Pessoa

    E outros três em Natal

    Dois são lá de Caicó

    Nesta turma sem igual

     XX

    Então se multiplicaram

    Neste Brasil federal

    Com genros noras e netos

    Numa história sem igual

    A turma ficou bem grande

    Tudo a partir de um casal

     XI

    Era um casal de outros tempos

    Que hoje não existe mais

    Pois pra criar oito filhos

    Já não tem gente capaz

    De agüentar a parada

    Pois é difícil demais

     XXII

    Pense num cabra disposto

    Era o pai Napoleão

    Criou-se comendo bode

    Com arroz tripa e feijão

    Mel de furo e rapadura

    E raspa de requeijão

     XXIII

    Só assim é que se explica

    Ter tanta disposição

    Um menino atrás do outro

    No carnaval e São João

    Num tinha folga de dia

    Pra fazer reprodução

     XXIV

    A verdadeira heroína

    É a Lourdinha Veloso

    Que está ai até hoje

    Pra conduzir o seu povo

    Cada vez que nasce um

    Começa tudo de novo

      XXV

    Pra confirmar essa história

    Tem um parido recente

    Lá em terras da Europa

    Onde vai ser residente

    E quem sabe no futuro

    Vai se eleger presidente

     XXVI

    Hoje faz oitenta e sete

    E aqui se comemora

    Com filhos netos e genros

    Com irmãs primas e noras

    Pois uma data como essa

    Não se tem a toda hora

     XXVII

    O poeta se despede

    Nesse momento sublime

    Que pela sua grandeza

    A esperança redime

    Que essa festa se repita

    Sem que ninguém desanime

     XXVIII

    Lourdinha em dois mil e dez

    Vai fazer oitenta e oito

    Convidamos todo mundo

    Até dois mil e dezoito

    Pra comemorar o dia

    Com feijoada e biscoito

     

     

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  • Este martelo foi feito para registrar o namoro de meu filho Lucas com sua amada Mariana. Ele deu o Mote e depois de alguns ajustes ficou assim:

    CONSEGUIR NAMORADA IGUAL A MINHA

    SÓ COM BÊNÇÃO, COM SORTE E PACIÊNCIA

    I

    Já andei, já corri por este mundo

    Procurando um amor bem verdadeiro,

    Pra amar sem limites, por inteiro

    Para ser dentre todos, o mais profundo

    O maior, mais sincero, o mais fecundo

    Da pureza nascido na essência

    Construído  com calma, com decência

    Com a certeza  que um dia ele vinha

     CONSEGUIR NAMORADA IGUAL A MINHA

    SÓ COM BÊNÇÃO, COM SORTE E PACIÊNCIA

    II

    Conheci uma moça em Jacobina

    Já pensei que ia ser minha princesa

    Preparei bem ligeiro cama e mesa

    Planejei me casar com a menina

    Não deu certo voltei pra Petrolina

    Decidi apostar na eficiência

    Fui treinar aprender essa ciência

    Para amar em Recife ou na Redinha

    CONSEGUIR NAMORADA IGUAL A MINHA

    SÓ COM BÊNÇÃO, COM SORTE E PACIÊNCIA

     III

    Fui dançar um forró em Cabrobó

     No distante sertão pernambucano

    Numa festa que lá tem todo ano

    Festejando a querida padroeira

    Foi ali que encontrei uma brejeira

    E perdi de uma vez a inocência

    Aprendi a amar com reverência

    Seja ela coroa ou gatinha

    CONSEGUIR NAMORADA IGUAL A MINHA

    SÓ COM BÊNÇÃO, COM SORTE E PACIÊNCIA

    IV

    Do amor não se perde a caravana

    Quem almeja se tornar feliz um dia

    Conquistar uma vida de harmonia

    Na feliz capital pernambucana

    Namorando a gatinha Mariana

    Convivendo em paz, sem má querência

    Um amor pra servir de referência

    Para o filho, o neto  ou pra vizinha

    CONSEGUIR NAMORADA IGUAL A MINHA

    SÓ COM BÊNÇÃO, COM SORTE E PACIÊNCIA

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  • Este cordel fiz para lembrar do aniversário de 30 anos do meu filho do meio, Marcel.

    Marcel chega aos 30

    I

    O tempo passa depressa

    O ontem hoje é passado

    Não adianta conversa

    Ou ficar apavorado

    Temos que ter paciência

    Fazer dele referência

    Ele não fica parado

    II

    É assim que a vida segue

    Vivendo dia após dia

    E ainda tem quem  negue

    Numa vã filosofia

    Mas não adianta fugir

    Nem berrar e nem rugir

    Nem xingar que a gata mia

     III

    Marcel nasceu em Recife

    Há trinta anos atrás

    Chegou sem disse me disse

    Já parecendo um rapaz

    Foi em dezoito de março

    Recebeu um forte abraço

    Num dia branco de paz

     IV

     Quando ele era pequeno

    Já mostrava habilidade

    Pra pescar era sereno

    Tal pescador de verdade

    Com uma piaba de isca

    E enquanto o olho pisca

    Pegava peixe à vontade

     V

    Uma vez no São Francisco

    Queria pescar dourado

    Que é um peixe muito arisco

    E brabo que é um danado

    Pois quando o bicho mordeu

    O barco todo tremeu

    Não se deixou ser fisgado

     VI

    Eu lembro bem dessa história

    Aconteceu nas Pedrinhas

    Se não me falha a memória

    Bem cedo de manhanzinha

    A linha não agüentou

    O molinete emperrou

    E a vara ficou tortinha

     VII

    Um dia foram pra praia

    Passear com os guris

    Todos de baixo da saia

    Como filhote aprendiz

    Foi quando Marcel sumiu

    E a mãe dele saiu

    Pra perguntar aos garis

    VIII

    Vocês viram um galeguinho?

    Do tamanho de um pixote?

    Tava aqui desde cedinho

    Pulando e dando pinote

    Agora ele ta sumido

    Parece que está perdido

    Isso não pode ser trote

    IX

    E o tempo foi passando

    O povo desesperado

    Choravam se desmanchando

    Todo mundo apavorado

    Pois lá em Boa Viagem

    Era um ambiente selvagem

    Para se esperar parado

    X

    Ligaram então para o pai

    Que estava na empresa

    E Marcolino então vai

    Depois daquela surpresa

    Rezando pra Jesus Cristo

    Pra não passar mais por isto

    Achar o filho com certeza

     XI

    Quando chegou ao local

    O menino apareceu

    E como qualquer mortal

    Marcolino agradeceu

    Pois foi Nossa Senhora

    Que não o deixou ir embora

    E o menino devolveu

    XII

    A vida seguiu em frente

    O menino foi crescendo

    Danado de inteligente

    Estudou, foi aprendendo

    Que a tal da informática

    Era a solucionática

    Pra conquistar dividendo

    XIII

    Gostava de dirigir

    E aprendeu logo cedo

    Como um carro conduzir

    Como pilotar sem medo

    Com doze ele viajava

    De pilotar já gostava

    Pois já sabia o segredo

    XIV

    Enquanto o tempo passava

    Marcel seguiu estudando

    E se nada atrapalhava

    Também ia namorando

    Tereza ,Ana e Chiquita

    Quem sabe Maria Rita

    E mais trinta arrodeando

     XV

    E foi na vida seguindo

     Gastando o tempo sem pressa

    Que os anos foram vindo

    E só a ele interessa

    Mas agora já são trinta

    De coroa já tem pinta

    Mas ele não se estressa

    XVI

    E Marcel foi paquerando

    Até que encontrou Nara

    E acabou se apaixonando

     Por uma menina rara

    Já assumiram o noivado

    O casamento marcado

    E assim a vida não para

    XVII

    Meu filho neste momento

    Eu lhe dou meus parabéns

    Viva a vida a contento

    Amando e querendo bem

    Um beijo e um abraço forte

    Tenha sempre boa sorte

    E o melhor que a vida tem.

     

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  • I

    O caminho da vida é tortuoso

    Armadilhas estão sempre presentes

    O que faz ser a gente diferente

    É viver pelo modo virtuoso

    Pois assim tudo fica mais gostoso

    Faz a vida em si mais prazerosa

    A pessoa se torna mais bondosa

    Pelo amor que terá constantemente

    E amando, é feliz intensamente

    Recompensa por ser laboriosa

    II

    Lealdade plantada em bom rincão

    Sempre traz amizade permanente

    Um amigo leal é um presente

    Pra guardar com amor no coração

    Se lembrar de cuidar com devoção

    Dessa jóia tão rica e preciosa

    Uma peça assim tão valiosa

    Vai lhe dar por retorno seu carinho

    Ajudando a trilhar o seu caminho

    Na estrada da sorte venturosa

    III

    Não se deve viver nem um pouquinho

    Pelo modo chamado vicioso

    Pois não é nem um pouco auspicioso

    Se viver de um jeito tão mesquinho

    Não se ganha, se perde ligeirinho

    Todo o amor de quem está por perto

    As pessoas se afastam isso é certo

    Ninguém quer conviver dessa maneira

    É assim a verdade verdadeira

    Entender e saber é ser esperto.

     

     

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