• Todo bom engenheiro de obras tem alguma coisa para contar. Nos anos setenta rolava o PLANASA em Recife e presenciei uma cena que só acreditou quem viu. Contei em prosa no livro Caçando Jaburu e outra Histórias e vai aqui nos versos do cordel. 

    A ANTENA DA RADIO FALOU SOZINHA

    I

    Prezado amigo leitor

    Que me dá sua atenção

    Aconteceu no Recife

    E eu narro com emoção

    No bairro Casa Amarela

    Desse querido rincão

    II

    Estava em curso o PLANASA

    Pra fazer saneamento

    A COMPESA trabalhava

    Pra cumprir o fundamento

    Na Rua da Harmonia

    Só tinha cano e cimento

    III

    Ali com as valas cavadas

    No meio de água e lama

    A gente montava os tubos

    Pra levar água bacana

    Para os lares de Recife

    Que antes tinha má fama

    IV

    Má fama da água ruim

    Servida sem tratamento

    Que tinha muitas doenças

    Matando a todo o momento

    Homem, mulher e menino

    Sem qualquer constrangimento

    V

    O Recife padecia

    Com águas de muitas cheias

    Dos dois rios e canais

    Que corriam em suas veias

    Pelas ruas e avenidas

    E a coisa ficava feia

      VI

    Ali ninguém escapava

    Nem o pobre, nem o rico

    A lama cobria tudo

    Com lixo, merda e pinico

    De dia o pobre chorava

    De noite chorava o rico

    VII

    A cheia veio em setenta

    Depois em setenta e dois

    Vinha quase todo ano

    Não deixava pra depois

    Pra resolver a parada

    O governo se propôs

    VIII

    Precisava construir

    Barragens pra segurar

    A cheia quando ela vinha

    Para tudo inundar

    Foi feita uma em Carpina

    E outra em Tapacurá

    IX

    Essa água toda junta

    Precisava tratamento

    Pra população beber

    Sem passar por sofrimento

    Água vinda pelo cano

    E não no lombo do jumento

    X

    Lá no caminho dos canos

    Bem pertim duns pés de coco

    Tinha uma antena de rádio

    No riacho do Cavouco

    Podia matar de choque

    Todo cuidado era pouco

    XI

    E foi montando esses canos

    Que eu então presenciei

    Uma coisa tão incrível

    Quase não acreditei

    Ouvi a rádio falando

    Mas o rádio eu não liguei

     XII

    Raimundo peão do pixe

    Um cabra muito tinhoso

    Resolveu fazer um teste

    Pra ver se era perigoso

    Pulou a cerca de arame

    Era muito curioso

    XIII

    Ali no pé da antena

    Ele achou que era bacana

    Quando avistou os dois ferros

    Meio enterrados na lama

    Ver se ali dava choque

    Com um cipó de gitirana

    XIV

    Ao encostar o capim

    No meio das duas barras

    O fogo saiu de dentro

    Revelando as suas garras

    Parecia um raio do céu

    Se soltando das amarras

    XV

    Raimundo pulou de lado

    Enquanto o fogo estalava

    Então se ouviu o som

    Que da antena emanava

    Era que mesmo sem rádio

    Aquela peste falava

    XVI

    Quase ninguém acredita

    Nessa história verdadeira

    Que aconteceu no Recife

    Num dia de quarta-feira

    O povo diz que é mentira

    Coisa sem eira nem beira

    XVII

    Acreditem meus leitores

    Quando ouvi aquele som

    Saindo dali sem nada

    Num volume muito bom

    Era a PE ERRE A oito

    Tocando um samba do Tom

     

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  • Um amigo de meu primo me propôs fazer uma poesia sobre o seguinte Mote:

    UM NINHO DE PAPA CAPIM

    COM DOIS PAPA CAPIM DENTRO

    Para quem não sabe o Papa Capim é um pássaro muito canoro. Ficou assim a poesia dos Papa Capim

    I

    Nossa fauna brasileira

    Tem passarim a vontade

    Em grande variedade

    Cantam de toda maneira

    Uma ária seresteira

    No abrigo ou ao relento

    Sob a chuva ou sob o vento

    No quintal e no jardim

    Um ninho de Papa capim

    Com dois Papa capim dentro

    II

    Canário belga , sanhaço

    Sabiá e tuiuiú

    O canto do uirapuru

    Composto em belo compasso

    Tem na mata seu espaço

    Propaga seu som ao vento

    Num canto com sentimento

    Na mata espera por mim

    Um ninho de Papa capim

    Com dois Papa capim dentro

    III

    A caatinga no inverno

    É verde e muito florida

    Reproduz e gera vida

    No seu espaço materno

    Refazendo o ciclo eterno

    Produz muitos nascimentos

    E naquele lindo evento

    Avistei perto de mim

    Um ninho de Papa capim

    Com dois Papa capim dentro

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  • Por mais estranho que possa parecer, os triângulos amorosos são bem comuns no interior. Conheci até quartetos nas minhas andanças pelo interior do Brasil. A história de Zefa e Chico retrata o abandono que, muitas vezes, as mulheres sofrem por parte de maridos ignorantes e com uma cultura de que mulher é só para parir e servir.

    I

    SEU DOTÔ VOU LHE CONTÁ

    O QUI AQUI SE ASSUCEDEU

     POIS DE FATO ACONTECEU

    CUM CHICO PÉ DE PREÁ

    QUI RESORVEU SI INGRAÇAR

    DE ZEFINHA DE DUDÉ

    MODE AS ANCA DA MUIÉ

    QUI REBOLA QUANO PASSA

    ANDANO CHEIA DE GRAÇA

    E MUITO PEREQUETÉ.

    II

    ERA UMA NOITE ISTRELADA

    FESTEJANO A PADROEIRA

    MUITA CACHAÇA BREJEIRA

    E QUEIJO CUM MARMELADA

    TINHA CERVEJA GELADA

    TIRA GOSTO DE GALINHA

    CUM FARINHA BREJEIRINHA

    NUM PIRÃO MUITO ARRETADO

    GOSTOSO E APIMENTADO

    PREPARADO POR ZEFINHA

    III

    VEI UM PADE LÁ DA FRANÇA

    VEI PULIÇA, DELEGADO

    MAIS UM CABO E TRÊS SORDADO

    PRA GARANTIR SIGURANÇA

    DE MUIÉ ,VÉI E CRIANÇA

    E DE MATUTO BRIGÃO

    COMO ZÉ DA CONCEIÇÃO

    QUI FICAVA IMBRIAGADO

    FALANO TODO INROLADO

    E DIZENO PALAVRÃO

    IV

    TODO MUNDO TAVA ARMADO

    UM CUSTUME DO SERTÃO

    CUM REVORVE E MOSQUETÃO

    E PUNHÁ MUITO AFIADO

    FACA E FACÃO AMOLADO

    SE UM CABRA ASSIM BEM VISTIDO

    LEVA UMA GAIA ISCONDIDO

    CUM CERTEZA SI APERREIA

    QUER LOGO METER A PEIA

    FICÁ BRABO E ATRIVIDO

     V

    DUDÉ FI DE BIU CANINHA

    É CABRA MUITO DISPOSTO

    POR ZEFA TEM MUITO GOSTO

    CONHECEU ELA NOVINHA

    CUM SUA PRIMA RITINHA

    NUM FORRÓ DE PÉ DE SERRA

    O MIÓ DAQUELA TERRA

    NUMA NOITE DE SÃO JOÃO

    QUANDO SOLTAVA ROJÃO

    QUI PARECIA UMA GUERRA

    VI

    CUMEÇARO A NAMORÁ

    E FORO LOGO CASANO

    CUM ZEFA EMBARRIGANO

    QUAJI NO PÉ DO ALTÁ

    DUDÉ BUTOU PRA QUEBRÁ

    PRA ZEFA NUM DEU MOLEZA

    ERA SÓ NA SAFADEZA

    NO QUINTÁ E NA ALCOVA

    POIS TESÃO DE MUIÉ NOVA

    NUM ISFRIA COM CERTEZA

    VII

    QUANO ZEFA SI CASÔ

    TINHA FEITO DIZESSETE

    DUDÉ TINHA VINTE E SETE

    E O CASÁ SE CUMPRETÔ

    O VIGARO ABENÇOOU

    NOVA FAMIA FORMADA

    CUM ZEFA JÁ IMPRENHADA

    NUM BUCHO DE MAIS DE MÊS

    DUDÉ NUM PERDEU A VEZ

    TINHA INXIDO A NAMORADA

    VIII

    OS ANO FORO PASSANO

    A VIDA SEGUINO IN FRENTE

    ZEFA VIVENO CONTENTE

    SUAS CRIANÇA CRIANO

    UM BRUGUELO A CADA ANO

    JÁ TINHA SEIS NA NINHADA

    E DUDÉ NA CACHORRADA

    VIVIA RAPARIGANO

    E MUNTA CANA TOMANO

    CUMA PUTA AGALEGADA

     IX

    NUM DEMORÔ MUNTO NÃO

    CUMEÇARO OS MIXIRICO

    VIZIN FAZENO FUXICO

    DAQUELA SITUAÇÃO

    SE ZEFA SABIA OU NÃO

    NUM CUMENTAVA NADINHA

    SOFRIA MERMO SOZINHA

    SEM INFORMÁ PRAS CRIANÇA

    QUI O PAI VIVIA NA DANÇA

    NO CABARÉ DE ROSINHA

    X

    DUDÉ PUXÔ E ARRASTÔ

    TODAS MANIA DO PAI

    POIS TODA NOITE ELE VAI

    PRO BUTECO DE NESTÔ

    ZEFA FICA NO TRICÔ

    ELE SE FAZ DE BACANA

    VAI INCHER O CÚ DE CANA

    IGUALZIM A BIU CANINHA

    VAI DIRRUBANO A BRANQUINHA

    E FAZENO JUS A FAMA

    XI

    ADISPOIS DE INCHER A CARA

    SEGUE DIRETO PRA ZONA

    LÁ INCONTRA AQUELAS DONA

    QUI VEVE IN RIBA DA VARA

    CUM DUENÇA QUI NUM SARA

    DE CHANHA INTÉ GONORRÉA

    INCARA QUALQUER BORRÉA

    SI SINTINO UM GARANHÃO

    MAS NUM PASSA DUM CAGÃO

    QUI VEVE CUM DIARRÉA

    XII

    A COISA FICÔ DIFICE

    POIS ZEFA ACABÔ SABENO

    SIGUIU IN FRENTE SOFRENO

    PRO MODE O DISSI MI DISSI

    POIS INTÉ CUMADE EUNICI

    DISDIBUIOU A ISTORA

    GORA JÁ TAVA NA HORA

    DI CUNVERSÁ CUM DUDÉ

    SABÊ O QUE QUELE QUÉ

    SI ACERTÁ SEM DEMORA

     XIII

    ZEFINHA TAVA PENSANO

    COMO FALÁ CUM DUDÉ

    POIS CUMA ERA MUIÉ

    TINHA QUI SIGUI LUTANO

    NO BATENTE LABUTANO

    INTÉ ARRUMÁ AS PROVA

    PRA SEM POESIA NEM PROSA

    INQUADRÁ O ELEMENTO

    DISPACHÁ SEM DOCUMENTO

    E CUMEÇÁ VIDA NOVA

    XIV

    MAS ANTES DE ARRESORVÊ

    A PARADA CUM DUDÉ

    ZEFINHA SIGUIA A PÉ

    TENTANO A DÔ ISQUECÊ

    SORRINO PRA ISPARECÊ

    QUANO VIU CHICO PREÁ

    QUI VINHA BEM DIVAGÁ

    CUM SEU SORRISO BANGUELA

    DURIM OLHANO PRA ELA

    CUMA QUEM QUÉ SI ABRAÇÁ

    XV

    FOI AÍ QUI ACONTECEU

    OS ZOI DOS DOIS SE INCONTROU

    ZEFINHA SE ARRUPIOU

    I CHICO FICOU TREMENO

    CUM AS PESTANA BATENO

    I CUMEÇÔ A GAGUEJÁ

    SEM AS PALAVRA INCONTRÁ

    MERMO ASSIM DISSI BOM DIA

    CUMA VAI FULÔ DO DIA

    NOIS IXISTE PRA SI AMÁ.

    XVI

    ZEFINHA NEM DEU OUVIDO

    CONTINUOU SEU PASSEIO

    POIS O MUNDO TAVA CHEIO

    DE CABORÉ INXIRIDO

    E DE CABRA JÁ VIVIDO

    DOUTÔ EM PAQUERAÇÃO

    CUM MUNTA CUNVERSAÇÃO

    PROMETE O MUNDO E O FUNDO

    AMOR ETERNO E PROFUNDO

    E MUNTA BADALAÇÃO

     XVII

    O CHICO ERA BOM SUJEITO

    ERA BOM TRABAIADÔ

    NUM ISTUDÔ PRA DOUTÔ

    MAS APRENDEU DO SEU JEITO

    A LÊ I ISCREVÊ DIREITO

    MAIS AS QUATRO OPERAÇÃO

    MERMO CONTA CUM FRAÇÃO

    JÁ RESORVIA NA HORA

    CUM PROVA DE NOVES FORA

    SEM ERRÁ NA TRANSAÇÃO

    XVIII

    O CHICO PÉ DE PREÁ

     SEMPRE GOSTOU DE ZEFINHA

    DERNA QUI ERA NOVINHA

    ELE PENSOU NAMORÁ

    PORÉM AGIU DIVAGÁ

    E DUDÉ CHEGÔ PRIMERO

    NAMORÔ CASÔ LIGERO

    NUN DEU CHANCE PRU PREÁ

    QUI TEVE QUI AGUENTÁ

    I FICÁ RAPAZ SORTERO

    XIX

    O TEMPO É GRANDE ALIADO

    VIRTUDE É TÊ PACIENÇA

    DEPOIS CHEGA A RECOMPENSA

    COMO BEM DIZ O DITADO

    O CHICO ISPERÔ SENTADO

    SEM PERDÊ A ISPERANÇA

    QUI TINHA DESDE CRIANÇA

    DE SI AJUNTÁ CUM ZEFINHA

    NUMA CAMA BEM QUENTINHA

    PRA FAZÊ UMA LAMBANÇA

    XX

    ENFIM O DIA CHEGÔ

    NA FESTA DA PADROERA

    NA PRAÇA PERTO DA FEIRA

    CHICO A MORENA AVISTÔ

    POIS ZEFINHA SEU AMÔ

    TAVA PARADA SOZINHA

    ISPIANDO PRA BANDINHA

    QUI TOCAVA NA RETRETA

    UM DOBRADO BEM PORRETA

    NO CORETO DA PRACINHA

     XXI

    O CORAÇÃO BATEU FORTE

     I SEM VÊ DUDÉ PU PERTO

    ARRESORVEU SÊ ESPERTO

    E ARRISCÁ SUA SORTE

    MERMO CUM RISCO DE MORTE

    O TESÃO ERA MAIÓ

    E SEM PENSÁ NO PIÓ

    CHEGÔ JUNTO DE ZEFINHA

    ABRAÇÔ A MORENINHA

    SEM MUNTO POROCOTÓ

    XXII

    DE INIÇO ELA ASSUSTÔSSE

    QUIS SI SORTÁ DO ABRAÇO

    CHICO CUNS NELVOS DE AÇO

    FALÔ CUMA FALA DOCE

    A MINHA ISPERA ACABÔSSE

    VAMO SI AMÁ AGORA

    POIS INTÉ PASSÔ DA HORA

    DI NÓIS DOIS FAZÊ AMÔ

    PURQUE DESPOIS QUI NÓIS FÔ

    VOCÊ NUM MI MANDA IMBORA

    XXIII

    ZEFINHA NUM RISISTIU

    FOI PRU BARRACO DI CHICO

    DEPOIS DE TANTO FUXICO

     SUA VERGONHA SUMIU

    RESOVEU DÁ O XIBIU

    PARA QUEM GOSTAVA DELA

    O VELHO CHICO BANGUELA

    QUI TINHA O PÉ DE PREÁ

    TRANSÔ SEM SI INCABULÁ

    CUM CORAGE SEM CAUTELA

    XXIV

    DEPOIS DA NOITE DE AMÔ

    ZEFINHA VOLTÔ PRA CASA

    PUR POUCO NUM SI ATRASA

    POIS LOGO DUDÉ CHEGÔ

    PARECE QUI ADVINHÔ

    JÁ FOI CHAMANDO ZEFINHA

    VEM CÁ MINHA GOSTOSINHA

    PRA NOSSO ATRASO TIRÁ

    TÔ PRONTO PRA NÓIS TRANSÁ

    DÁ UMA BEM RAPIDINHA

     XXV

    ZEFINHA DISSI NUM DÁ

    POIS TÔ CUM DÔ DE CABEÇA

    PUR HOJE VOCÊ MI ISQUEÇA

    QUI EU NUM VÔ NAMORÁ

    TOME UM BAIN PRA MILHORÁ

    DESSE CHERO DE TITICA

    POIS HOJE ESSA PIRIQUITA

    NUM DÁ PRA VOCÊ USÁ

    VÁ DURMI PRA DISCANSÁ

    DESSA CACHAÇA MARDITA

    XXVI

    DIPOIS DE PASSADO UNS DIA

    DUDÉ FICOU MAIS CASERO

    POIS JÁ TAVA MEIO CABRERO

    CUM O QUI ACONTECIA

    POIS ZEFINHA REPELIA

    TODA VEZ QUI ELE TENTAVA

    DIZIA QUI ASSIM NUMA DAVA

    QUI NUM TAVA BEM DISPOSTA

    I DAVA O NÃO POR RESPOSTA

    DUDÉ NUM SI CONFORMAVA

    XXVII

    NA SEMANA ELA SAÍA

    PRA VISITÁ AS CUMADE

    LÁ NU CENTO DA CIDADE

    PROCURÁ CUMADE LIA

    MAS O QUE MERMO ELA IA

    ERA INCONTRÁ CUM PREÁ

    PARA BUTÁ PRA QUEBRÁ

    VIVÊ O AMÔ PROIBIDO

    AGORA DISINIBIDO

    SEM TÊ COMO TERMINÁ

     XXVIII

    DUDÉ JÁ DISCONFIADO

    RESORVEU FICÁ TENTANO

    POIS MERMO DISCONFIANO

    NUM TINHA QUALQUÉ CERTEZA

    QUI SUA XUXU BELEZA

    TAVA LHI BUTANO GAIA

    JÁ AMOLAVA A NAVAIA

    PRA PEGÁ OS DOIS NO SUSTO

    DÁ UM CASTIGO BEM JUSTO

    NU URSO E NA MUIÉ PAIA

    XXIX

    PARTIU PARA O TUDO OU NADA

    E ZEFINHA CHEGOU JUNTO

    I SEM NEM PUXÁ ASSUNTO

    ISPERÔ DUDÉ DEITADA

     DEU UMAS OITO GOZADA

    QUI INDOIDECEU O MARIDO

    QUI PERDUÔ SÊ TRAÍDO

     ACEITÔ A PRÓPIA SORTE

    JÁ SI SINTINO MAIS FORTE

    SEM O ORGULHO FIRIDO

    XXX

    FOI ASSIM QUI MI CONTARO

    NOS MEUS VERSO REGISTREI

    POIS EU NUNCA ACREDITEI

    QUI CORNO NACE CUM FARO

    MUNTO MENOS CUM PREPARO

    PRA CUMPRI A SUA SINA

    MAS COMO A ISTORA INSINA

    É MIÓ TÊ PACIENÇA

    RESORVÊ SEM VIOLENÇA

    E MUDÁ SUA ROTINA

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  • Às vezes o poeta se depara no dia-a-dia com situações inusitadas ou mesmo acontecimentos contemporâneos, tais como catástrofes, crendices e coisas do gênero. Depois do furacão Katrina, em uma roda de conversa alguém falou: “ puxa vida o mundo vai se acabar desse jeito e daí surgiu o mote. Vale lembrar no entanto, que nós estamos levando a natureza a dar o troco, com a nossa ignorância, não respeitando o meio ambiente e o equilíbrio de suas forças.

    ESTE MUNDO SE ACABA COM CERTEZA

    PELA ÁGUA, COM FOGO OU PELA TERRA

                                                                      I

    O vulcão vomitando a sua ira,

    Pelo chão sua lava incandescendente,

    Fogaréu com furor sem precedente,

    Transformando a floresta em grande pira

    Num incêndio que o mundo jamais vira

    Resultante da força que ele encerra

    Pouca gente sobrou depois da guerra

    Dessa força sem fim da natureza

    Este mundo se acaba com certeza

    Pela água, com fogo ou pela terra.

                         II

    Lá no mar começou um furacão

    Uma força voraz devastadora

    Batizado Josefa ou Aldenora

    Vai varrendo o que acha pelo chão

    Automóvel, trem bala ou caminhão

    Pela praia, no mar ou pela serra

    Não tem alvo difícil, ele não erra

    Soberano é mais rei que sua alteza

    Este mundo se acaba com certeza

    Pela água, com fogo ou pela terra.

                          III

    Um estrondo da terra treme o chão

     E o solo então se movimenta

    A estrutura das casas não agüenta

    Pois o ferro e o concreto são em vão

    Cai o prédio, a barragem e o pontilhão

    Chora o povo, com a dor que a luta encerra

    Os destroços desabam, tudo enterra

    Morre gente ao redor é só tristeza

    Este mundo se acaba com certeza

    Pela água, com fogo ou pela terra

     

     

     

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  • Este cordel fiz para lembrar do aniversário de 30 anos do meu filho do meio, Marcel.

    Marcel chega aos 30

    I

    O tempo passa depressa

    O ontem hoje é passado

    Não adianta conversa

    Ou ficar apavorado

    Temos que ter paciência

    Fazer dele referência

    Ele não fica parado

    II

    É assim que a vida segue

    Vivendo dia após dia

    E ainda tem quem  negue

    Numa vã filosofia

    Mas não adianta fugir

    Nem berrar e nem rugir

    Nem xingar que a gata mia

     III

    Marcel nasceu em Recife

    Há trinta anos atrás

    Chegou sem disse me disse

    Já parecendo um rapaz

    Foi em dezoito de março

    Recebeu um forte abraço

    Num dia branco de paz

     IV

     Quando ele era pequeno

    Já mostrava habilidade

    Pra pescar era sereno

    Tal pescador de verdade

    Com uma piaba de isca

    E enquanto o olho pisca

    Pegava peixe à vontade

     V

    Uma vez no São Francisco

    Queria pescar dourado

    Que é um peixe muito arisco

    E brabo que é um danado

    Pois quando o bicho mordeu

    O barco todo tremeu

    Não se deixou ser fisgado

     VI

    Eu lembro bem dessa história

    Aconteceu nas Pedrinhas

    Se não me falha a memória

    Bem cedo de manhanzinha

    A linha não agüentou

    O molinete emperrou

    E a vara ficou tortinha

     VII

    Um dia foram pra praia

    Passear com os guris

    Todos de baixo da saia

    Como filhote aprendiz

    Foi quando Marcel sumiu

    E a mãe dele saiu

    Pra perguntar aos garis

    VIII

    Vocês viram um galeguinho?

    Do tamanho de um pixote?

    Tava aqui desde cedinho

    Pulando e dando pinote

    Agora ele ta sumido

    Parece que está perdido

    Isso não pode ser trote

    IX

    E o tempo foi passando

    O povo desesperado

    Choravam se desmanchando

    Todo mundo apavorado

    Pois lá em Boa Viagem

    Era um ambiente selvagem

    Para se esperar parado

    X

    Ligaram então para o pai

    Que estava na empresa

    E Marcolino então vai

    Depois daquela surpresa

    Rezando pra Jesus Cristo

    Pra não passar mais por isto

    Achar o filho com certeza

     XI

    Quando chegou ao local

    O menino apareceu

    E como qualquer mortal

    Marcolino agradeceu

    Pois foi Nossa Senhora

    Que não o deixou ir embora

    E o menino devolveu

    XII

    A vida seguiu em frente

    O menino foi crescendo

    Danado de inteligente

    Estudou, foi aprendendo

    Que a tal da informática

    Era a solucionática

    Pra conquistar dividendo

    XIII

    Gostava de dirigir

    E aprendeu logo cedo

    Como um carro conduzir

    Como pilotar sem medo

    Com doze ele viajava

    De pilotar já gostava

    Pois já sabia o segredo

    XIV

    Enquanto o tempo passava

    Marcel seguiu estudando

    E se nada atrapalhava

    Também ia namorando

    Tereza ,Ana e Chiquita

    Quem sabe Maria Rita

    E mais trinta arrodeando

     XV

    E foi na vida seguindo

     Gastando o tempo sem pressa

    Que os anos foram vindo

    E só a ele interessa

    Mas agora já são trinta

    De coroa já tem pinta

    Mas ele não se estressa

    XVI

    E Marcel foi paquerando

    Até que encontrou Nara

    E acabou se apaixonando

     Por uma menina rara

    Já assumiram o noivado

    O casamento marcado

    E assim a vida não para

    XVII

    Meu filho neste momento

    Eu lhe dou meus parabéns

    Viva a vida a contento

    Amando e querendo bem

    Um beijo e um abraço forte

    Tenha sempre boa sorte

    E o melhor que a vida tem.

     

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  • Esta poesia foi feita em um momento de puro devaneio. De tanto ver violência no dia-a-dia, grades, câmeras, insegurança, às vezes somos levados a sonhar em ter uma vida sem stress, engarrafamentos, assaltos, mesmo ficando sem aquele chopinho, um bom futebol, e outras cositas mais. Bom, vale a tentativa, pois hoje em dia, nem matuto tem sossego.

    I

     Eu quero ser “in natura”

    Cheiroso como um melão

    Só vou comer rapadura

    Adeus carne do sertão

    Serei um ser ecológico

    No sentido pedagógico

    Vou me tornar ermitão

     

    II

    Vou morar num pé de serra

    Numa maloca escondida

    Levo a cabrocha comigo

    E uma vaca parida

    Dois cavalo marchador

    E dez cachete pra dor

    E pomada pra ferida

     

    III

    Tomar banho de cachoeira

    Pescar na beira do rio

    Acender uma fogueira

    Pra esquentar noite de frio

    Cozinhar feijão na trempe

    Juá pra escovar os dente

    Pois não tem pasta nem fio

     

    IV

    Plantar sem adubo químico

    Respeitar a natureza

    De noite olhar para o céu

    Me deslumbrar com a beleza

    Ver nascer um novo dia

    Renovar a alegria

    De ter comida na mesa

     

    V

    Adeus ar condicionado

    Carro, trem e avião

    Só vou olhar as estrelas

    Não vou ver televisão

    De dia na agricultura

    De noite na criatura

    Eu vou levar um vidão.

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  • BIA e BELUGA
    BIA e BELUGA

    BELUGA – UM PROGNATA DO BARULHO

     I

    Beluga não é baleia

    Como se pode pensar

    É um buldogue manhoso

    Difícil de segurar

    Se a pessoa bobeia

    E vacilar, se aperreia

    Não pode se descuidar

     II

    O bicho é de raça pura

    Também é gordo e cagão

    Tem uma cara invocada

    Respira mal e é babão

    E com tanta qualidade

    Ronca com facilidade

    Inda por cima é peidão

     III

    Tem força como um trator

    Quando caga cisca em cima

    Derruba o lixo da casa

    Chega a dona desanima

    Mas tem a pegada forte

    Parece um leão do norte

    Morde embaixo e rasga em cima

    IV

    Começou na Inglaterra

    A fama desse durão

    Enfrentava touro bravo

    Raivoso como um trovão

    Pra evitar a chifrada

    Ia com a cara abaixada

    Botava o touro no chão

    V

    Isso há três séculos atrás

    Com os seus antepassados

    Quando a raça foi formada

    Com os cachorros treinados

    Lutando com touros bravos

    Gladiadores escravos

    De humanos desalmado

    VI

    Eram batalhas cruéis

    Que duravam muitas horas

    O touro é bicho valente

    Com raiva não se apavora

    Quando acertava a chifrada

    Cão com a barriga rasgada

    Botava os bofes de fora 

     VII

    Cachorro pegando touro

    Parece até que é demais

    Mas assim aconteceu

    Há muitos anos atrás

    Fazendo a fama da raça

    Que chegou e sentou praça

    Em duras lutas mortais

    VIII

    Beluga ganhou seu nome

    Porque nos lembra a baleia

    É branco, gordo e fofão

    Tem a cara muito feia

    Mas isso é padrão da raça

    Chama atenção onde passa

    Quando na rua passeia

     IX

    O baixinho é tenebroso

    Tem uma mordida potente

    Pegou um cão bem maior

    Quando atacou de repente

    Jogou o bicho no chão

    Quebrou o pé e a mão

    E duas filas de dente

    X

    Mas esse saiu barato

    Se puxar aos ancestrais

    Vai pegar boi pelo queixo

    Segurar não soltar mais

    Pois é um cão prognata

    Só descola quando mata

    E o bicho não mexe mais

    XI

    Mas não se pode negar

    Ele não é educado

    Bagunça por onde passa

    Deixa tudo esculhambado

    Não me pergunte os porquês

    Mas em bom pernambuquês

    Ele é amundiçado

    XII

    Mas como todo valente

    Ele tem um ponto fraco

    Pois a cachorra da casa

    É quem manda sem ter saco

    É valente e pequenina

    É lhasa e se chama Nina

    Porém garante o seu taco

    XIII

    Mas no frigir desses ovos

    Beluga é muito querido

    Só tem um ano de idade

    É valente e destemido

    Corre com força e com graça

    Mas a ninguém ameaça

    Embora seja aguerrido

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

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  • Esta poesia foi inspirada no”HABEAS PINHO” do grande poeta e conterrâneo Ronaldo da Cunha Lima. Uma questão familiar onde um telefone foi bloqueado pela suposição de que seria mal utilizado. A solução foi proposta em verso para resolver o impasse a um dos irmãos que estudava Direito na época.

    HABEAS FONE

     I

    EM NOME DO BOM DIREITO

    PRA QUE SE FAÇA JUSTIÇA

    NÃO VÁ PARTIR DA PREMISSA

    SE O CRIME INDA NÃO FOI FEITO

    A NÃO SER QUE POR DESPEITO

    NÃO RESPEITE O CIDADÃO

    COLOQUE A ACUSAÇÃO

    SEM PROVAS E SEM LIMITES

    SÓ NA BASE DO PALPITE

    SEM REGRAS, NA EXCEÇÃO

    II

     NA LEI O TEXTO DEFINE

    DIGO COM TODO O RESPEITO

    NÃO SE JULGA POR DEFEITO

    JÁ QUE A RAIVA NÃO REDIME

    QUE POR JUSTO SE ENSINE

    TRATAR CERTO ESSA QUESTÃO

    NÃO SE FAZ ACUSAÇÃO

    SEM PROVAS E SEM LIMITES

    SÓ NA BASE DO PALPITE

    SEM REGRAS, NA EXCEÇÃO

    III

    SEM QUERER QUE DESANIME

    COM O APERTO DENTRO DO PEITO

    E O CORAÇÃO CONTRAFEITO

    COMO PAI, PEÇO QUE AFINE

    NUM GESTO BOM E SUBLIME

    O AMOR COM SEU IRMÃO

    SEM FAZER ACUSAÇÃO

    SEM CERTEZA E SEM LIMITE

    SÓ NA BASE DO PALPITE

    SEM REGRAS, NA EXCEÇÃO

    IV

    DO SERTÃO DE PETROLINA

    MESMO COM TODO DEFEITO

    PEÇO QUE PENSE NO LEITO

    E QUE O BOM SENSO PREVINA

    A SABEDORIA ENSINA

    ASSINE COM O CORAÇÃO

    DO FONE, A LIBERAÇÃO

    JÁ QUE A FALTA NÃO EXISTE

    SÓ NA BASE DO PALPITE

    SEM REGRAS, NA EXCEÇÃO

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  • Esta poesia começou muitos anos atrás quando visitei o delta do Parnaíba. A idéia foi se consolidando a partir da convivência diária com as lindas dunas de Natal que, além de silenciosas, às vezes descansam sonolentas e desérticas como no Parque das Dunas.

    Mote: Passeando nas dunas tão desérticas,

    Percebi como é grande a natureza

    I

    Viajei por paragens tão distantes,

    De navio, cavalo e avião

    Na Europa, na China e no Sudão

    Por estradas e mares fulgurantes,

    Pelas terras de Cabral e de Cervantes,

    Vi países repletos de beleza

    Fiz amigos formados na nobreza

    Nos saraus nas noitadas tão poéticas

    Passeando nas dunas tão desérticas

    Percebi como é grande a natureza

    II

    No Brasil comecei por Teresina

    Fui parar nos lençóis do Maranhão

    Imponentes as dunas cobrem o chão

    A visão do lugar nos contamina

    Portentosa paisagem nos anima

    Num postal retumbante de beleza

    Uma obra de Deus tenho certeza,

    No desenho, no traço e na estética

    Passeando nas dunas tão desérticas

    Percebi como é grande a natureza

     

     

    III

    Caminhei pelas praias da Holanda

    Onde as dunas o mar quer engolir

    Logo logo eu tive que partir

    Retornando aqui pra essas bandas

    Pra rever um amor chamado Wanda

    Com seu porte altivo de princesa

    Elegante, tão fina, bem francesa

    Com sotaque suave na fonética  

    Passeando nas dunas tão desérticas

    Percebi como é grande a natureza

    IV

    Sou feliz por morar neste rincão

    Desfrutando o melhor do litoral

    Nesta linda cidade do Natal

    Vou vivendo cantando o meu bordão

    Biritando e dançando um bom baião

    No Forró da Coréia com Tereza

    Que rebola as cadeiras com destreza

    Balançando de forma tão frenética

    Passeando nas dunas tão desérticas

    Percebi como é grande a natureza

     

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  • Fiz este cordel em homenagem ao noivado do meu filho do meio com sua noiva Nara.

    I
    Encontraram-se os dois com a paixão
    Ao cair nos braços de Morfeu
    O cupido então os envolveu
    Numa aura de amor e emoção
    Como sonhos de noites de verão
    O sonhar se torna mais gostoso
    Cada um acorda mais dengoso
    Relembrando a lua e o seu mel
    O noivado de NARA com MARCEL
    Para nós é bem vindo e prazeroso

    II
    Já se espera que venha rapidinho
    A notícia que a família vai crescer
    Os avós esperando ver nascer
    O primeiro dos mais de dez netinhos
    Bem saudáveis gordinhos rosadinhos
    Um chorão, um risonho e um dengoso
    Dois peraltas e um moleque mais manhoso
    E as meninas fazendo escarcéu
    O noivado de NARA com MARCEL
    Para nós é bem vindo e prazeroso

    III
    A mamãe mesmo sendo pediatra
    Nesse caso não pega seus rebentos
    Vovó Dalva é que assiste esse momento
    No primeiro instante ela é quem trata
    O papai bem nervoso só retrata
    Esse dia em si maravilhoso
    Um rebento que nasce tão garboso
    Vem ao mundo pra cumprir o seu papel
    O noivado de NARA com MARCEL
    Para nós é bem vindo e prazeroso

    IV
    Desejando total felicidade
    Ao casal que muito se merece
    Sou feliz por que tudo que acontece
    Com amor finaliza na bondade
    Que se torne eterna a amizade
    Com as bênçãos do todo poderoso
    Esse é o meu desejo fervoroso
    Pelo verso do poeta de cordel
    O noivado de NARA com MARCEL
    Para nós é bem vindo e prazeroso

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