• Folclore 22.10.2009 2 Comments

    Sempre gostei de ouvir e contar histórias. Umas verdadeiras, outras nem tanto, então fui juntando aqui e ali e acabei fazendo uma coletânea que publiquei no meu primeiro livro cujo título é “Caçando Jaburu e outras Histórias. Aqui vai uma dessas histórias que repasso como me contaram. Se é verdade não sei, mas o cenário é bem real e pode ser visto em muitas cidades do interior do nosso país. Espero que apreciem.

    RESPOSTA ADEQUADA

    Festa de padroeira no interior é sempre o maior acontecimento do ano. Em um país com uma religiosidade tão arraigada como o Brasil, as festas da fé são verdadeiros eventos, onde o religioso e o profano andam lado a lado.

                    Esta história passou-se numa dessas festas em um lugarejo do interior do Nordeste.

                    A festa da padroeira Nossa Senhora das Boas Virtudes durava dez dias. Acontecia sempre nos meses de julho, época menos seca e coincidente com as férias escolares, o que possibilitava receber filhos da terra egressos de outras cidades onde tinham ido morar, estudar e fazer a vida. Vinha gente de todo lugar, incluindo Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Recife entre outras.

                    A igreja matriz ficava no fim da avenida principal, numa grande praça arborizada com um coreto no centro e um passeio dando uma volta completa, por onde as moças desfilavam de braços dados em grupos, enquanto os rapazes ficavam parados observando e flertando em busca daquela que seria a sua namorada na festa e nos bailes.

                    Diariamente aconteciam novenas, e após o culto religioso a banda de música Lira do Sertão fazia uma retreta animando o local enquanto as pessoas divertiam-se no parque de diversões e bebiam umas e outras nas diversas mesas espalhadas pelas ruas em torno da matriz.

     Nos diversos bares e restaurantes eram servidos ótimos tira-gostos da cozinha regional que incluíam sarapatel, buchada de bode, lingüiça de porco, sem falar em carne de sol com macaxeira, regada por uma excelente manteiga de garrafa.

    Não faltava também um churrasco de carne de bode e carneiro guisado com pirão. Galinha de capoeira com pirão de parida servia para levantar até defunto bêbado, coisa bem comum nos finais de noite. Diz-se que um pirão de parida ou uma cabeça de galo, são perfeitos para evitar ressaca no dia seguinte e agüentar a maratona de bailes e bebedeiras.

    Depois da novena e da retreta a quermesse incluía um leilão de produtos doados pela população para gerar renda para a igreja.

                    Mariazinha era uma moça de poucas posses, mas de beleza destacada no lugar, chamando a atenção da garotada que queria namorar. Embora, ainda não tivesse feito dezoito anos, já demonstrava ser muito esperta e sabia como poucas tirar proveito em certas situações. Tinha arrumado um guarda-roupa razoável para agradar os pretendentes durante a festa, mas, faltava-lhe um componente essencial para aparecer bem no último dia da festa na praça e no baile; um belo par de sapatos.

    José era o que se podia chamar de  pessoa do bem. Vivia lá no sítio da família, levando uma vida simples cuidando do gado e das criações. Já tinha algumas cabeças próprias para negociar e fazer um dinheiro para gastar na festa e doar um pouco para as obras da Santa Madre Igreja.

    Só ia à cidade quando tinha negócios ou nas ocasiões festivas. No último sábado da festa, levou sua mercadoria para vender na cidade na feira pública que acontecia durante todo o dia.

    Alguns quilos de carne de cabrito, dois carneiros já tratados, uns trinta quilos de queijo que tinha feito com o leite das vacas, uma carne de sol de primeira e umas garrafas de manteiga. Somava-se ainda lingüiça sertaneja e umas latas de chouriço, um doce muito apreciado feito com sangue de porco, farinha de gergelim, açúcar e castanha de caju assada.

    Vendeu tudo antes das duas da tarde e apurou uns cento e cinqüenta contos de reis. Um conto de réis correspondia a um mil cruzeiros da época em que se chamava cinqüenta centavos de quinhentos réis.

    Botou o dinheiro no bolso e seguiu feliz para o centro da cidade para comprar a roupa que iria vestir à noite na festa. Estava olhando as vitrines quando viu Mariazinha e ficou literalmente encantado, com um olhar de bobo, como se tivesse visto visagem. Ela o estava fitando com um largo sorriso nos lábios carnudos de cabocla bem criada. Virou de lado para ter certeza que era para ele que ela estava realmente olhando. Era, não havia dúvidas, a festa começara bem para Dedé como era conhecido entre os amigos.

    Por ser sempre bem intencionado, costumavam lhe pregar peças e alguns por maldade o chamavam de Dedé Besta, porque sempre era vítima das brincadeiras de mau gosto. Diziam até que uns versos atribuídos ao poeta Moisés Sesiom teriam sido dedicados a ele, dada a tamanha leseira que costumava aparentar.

     

    Andei procurando um besta,

    Um besta que fosse capaz,

    De tanto procurar um besta,

    Encontrei este rapaz,

    Que nem pra besta serve,

    Porque é besta demais.

     

    Ela foi logo puxando conversa com ele.

    Você vai para a quermesse hoje?

    Dedé respondeu: Vou, só falta comprar a roupa, e você?

    Mariazinha respondeu:

    Estou doida pra ir, mas, tem um problema, tenho vestido, mas, não tenho sapato. Talvez tenha que ficar em casa.

    Acabara de jogar o laço

    Falou Dedé:

    Por isso não, se eu lhe der o sapato, você se encontra comigo lá?

    Ela respondeu:

    Com toda certeza, à noite nos encontraremos no leilão da quermesse.

    Então vamos à sapataria, chamou Dedé.

    Ela o guiou rua abaixo na direção da melhor sapataria da cidade. O ponto era famoso na venda de sapatos para as moças da cidade, donzelas ou não, pois encontravam produtos da moda usados nas principais cidades do país. Era evidente que os preços também não eram os mais baratos.

    Ela dirigiu-se à vendedora e já foi pedindo o par de sapatos que já estava separado. Pronto Dedé é esse aqui que eu quero. Pode pagar e à noite nos encontramos conforme combinado. Agora tenho que ir.

    A vendedora apresentou a conta a Dedé que quase morreu de susto quando viu o preço. Setenta contos de réis custava o sapatinho da moça. Era um presente muito caro para quem tinha apurado menos de cento e cinqüenta e ainda tinha alguns gastos para honrar. Mas, agora estava sem jeito. Tirou os cobres do bolso, pagou e saiu pensativo com uma estranha sensação de que tinha sido enrolado. Teria que esperar até à noite para saber.

    Arranjou-se como pode para pagar as contas e comprar sua própria roupa com o pouco que lhe restou, Ficou quase sem dinheiro para gastar no leilão. Encontrou seus amigos e contou-lhes só a parte boa, que tinha arranjado uma tremenda gata para namorar à noite, uma das mais bonitas da cidade. Todos ficaram curiosos e com uma ponta de inveja. Afinal, ainda não tinham conseguido nada.

    Chegou o tão esperado momento. A ansiedade era indisfarçável e Dedé não via a hora de encontrar Mariazinha e mostrar aos amigos a sua grande conquista.

    Ao chegarem ao pátio do leilão lá estava ela, linda em seu vestido de festa e os sapatos brilhando nos pés. Estava rodeada de amigas e de braços com outro e pelo jeito carinhoso dava a entender que era namorado. Foi uma ducha de água fria para Dedé. Ela acenou levemente para ele e desviou a atenção para o leilão.

    Entre uma oferta e outra, havia um espaço para recados, música e participação do público. Num desses intervalos Mariazinha dirigiu-se ao palco, pegou o microfone e anunciou que ia fazer uma homenagem.

    Senhoras e senhores, queridos amigos, quero fazer uma homenagem especial a uma pessoa, que possibilitou a minha presença aqui hoje à noite. É para você Dedé a quadrinha que vou recitar.

     

    Sapato de setenta contos,

    Só quem tem aqui sou eu,

    De braços com quem eu gosto,

    Olhando pra quem me deu.

     

    Foi uma facada pelas costas. Todos riram à vontade, principalmente os que já sabiam do golpe que ela dera no pobre do matuto.

    O locutor anunciou que o direito de resposta para agradecer estava garantido e disponibilizou o microfone para Dedé falar.

    Extremamente contrariado com o papelão que tinha feito, considerou: barco perdido, bem carregado, pensou.

    Senhoras e senhores agradeço a oportunidade para falar e poder responder à altura da homenagem de Mariazinha, e recitou:

     

    Sapatos de setenta contos,

    Só quem tem aqui és tu,

    Custou-me o suor do rosto,

    E as pregas do seu cú.

     

    Estava vingado.

     

     

     

     

    Tags: , , ,

  • Assim acontece com quase todo mundo. Namorar, se apaixonar, espantar os” inxiridos” de plantão, conquistar a moça e casar. Depois ver que na vida tudo vale a pena se a alma não é pequena, conforme dizia Fernando Pessoa. Relembrar é muito bom.

    I

    O nosso conversadeiro

    Faz  tempo qui começou

    Tem mais de trinta janeiro

    Qui a gente se enamorou

    Num foi meu amor primeiro

    Mas foi o mais verdadeiro

    Qui meu coração amou

    II

    Naquele mês de Santana

    Na beira mar recifense

    Tu virou o meu xodó

    Eu virei seu confidente

    Nosso caminho cruzou

    Pela vida enveredou

    E se tornou permanente

    III

    Era quarta-feira, lembro

    Num bar chamado Veleiro

    Com linda noite estrelada

    E um céu de brigadeiro

    No dois pra lá, dois pra cá

    Com as perna a se isfregá

    Num balançá tesudeiro

    IV

    Ah quanta boa lembrança

    Muito tempo bom passou

    Nós viramo gente grande

    Qui namorou e casou

    Saindo da dolecência

    Pra ganhar ixperiença

    Nas brincadeira do amor

    V

    Né pra lembrá com saudade?

    Namorá agarradinho

    Com mil cheirin no cangote

    Alisando de mansinho

    Querendo pegá nos peito

    Ela impurrando sem jeito

    O braço devagazinho

     VI

    Em começo de namoro

    Né fácil pegá nos peito

    Pois mermo a moça querendo

    Num acha muito direito

    Pois pra o bem das virtude

    Tem qui tomá atitude

    Pois num conhece o sujeito

    VII

    Pra dá o primeiro beijo

    Tem qui ajeitá na buchecha

    Porque pra beijo de língua

    Tem que isperá a decha

    Pois beijo bom é robado

    Bejá com os beiço colado

    Qui assim ninguém se quexa

    VIII

    Nas travessura do amor

    Se aprende todo dia

    Pois o qui a mãe num insina

    Si aprende na fulia

    Os home aprende nas puta

    As minina na iscuta

    Ou então na putaria

    IX

    As coisa do nosso amor

    Somente nóis dois qui sabe

    Um abraço bem juntinho

    Um beijinho qui  num babe

    Beijo é bom de todo jeito

    Ou no pescoço ou no peito

    Do jeitinho que lhe cabe

     X

    E o rol dos interessado

    Tava chein de inxirido

    Pretendentes de magote

    Sem capilé nem muído

    De comunista a babão

    Cambada de arrumação

    Cabras sem qualquer sentido

     XI

    Isso era pobrema pouco

    Prum mestre do caqueado

    A coisa pra resolvê

    Era o tar do namorado

    Qui com três ano de casa

    Já tava pra mandá brasa

    E obrigá o noivado

    XII

    Meu povo acredite in neu

    A coisa é dificultosa

    Pois só cum cunversa mole

    Num se sobe as Alterosa

    Precisa ter muito jeito

    Agir de modo perfeito

    Conquistar cum verso e prosa

    XIII

    Às vezes um chocolatim

    Deixado cum displicença

    Na mesa qui ela trabaia

    Pode fazê diferença

    Sabê do que ela gosta

    É sempre a mió resposta

    Pra virá acontecença

    XIV

    Um passo de cada vez

    Todo dia um ajeitado

    Foi uma questão de tempo

    Espantá o namorado

    Qui num era um cabra ruim

    Mas era chei de pantim

    Num servia pro riscado

     XV

    Foi aí que começou

    O tempo do nosso amor

    Que ta durando até hoje

    Com respeito e com fervor

    Andando sempre pra frente

    Batalhando no batente

    Vivendo sem destemor

     XVI

    Entre namoro e noivado

    Dois anos foi ligeirim

    Pedir a moça ao vei Dão

    Não foi tão facim assim

    Pois era um vei das antiga

    Sem falseá na cantiga

    Tudo tim tim por tim tim

     XVII

    No dia qui nós casemo

    Você num chegou na hora

    O pade então ispritou-se

    E quiria ir simbora

    Nós fiquemo debatendo

    Convenci o reverendo

    A isperá a demora

     XVIII

    Fumo vivendo feliz

    Um casá bem aprumado

    Os minino foi nascendo

    Nós criando cum cuidado

    Rigulando os bacurim

    Pra evitar coisa ruim

    Minino maleducado

    XIX

    Nas coisa do nosso amor

    O ciúme era constante

    Passava qualquer bruaca

    Pegava ar num instante

    Eu olhava sem maldade

    O balançá da beldade

    Que era simples passante

    XX

    Mas tu num se conformava

    Se afobava dimais

    Achava qui todo mundo

    Ia querer seu rapaz

    Então lá vinha ciúme

    E um monte de queixume

    E eu num ficava em paz

     XXI

    Quando vinha o carnaval

    Ninguém brincava direito

    Porque no bloco do frevo

    Ninguém achava defeito

    Depois de quarenta cana

    Toda catraia é bacana

    Todo mundo é bom sujeito

    XXII

    Mas se você não bebeu

    Num entende tanto abraço

    Um bebo segura o outro

    Assim ninguém erra o passo

    Toda mulher é amiga

    As mais nova, as mais antiga

    Se brinca sem embaraço

    XXIII

    Olhando por esse lado

    Num dá pra se descuidá

    Porque se marcar bobeira

    O jacaré vem pegá

    Essa parada é difice

    Tem muito disse me disse

    É melhor deixar pra lá

     XXIV

    Nas coisa do nosso amor

    Tem almoço com cuzido

    Um pirão incrementado

    Muita zuada e muído

    Tem verdura da quitanda

    Uma rede na varanda

    Tem soneca com ruído

     XXV

    Ronco separa casais?

    Diz o povo qui separa

    Mas você segura a barra

    Porque meu ronco não para

    Agüenta sem reclamar

    Dorme com meu ronronar

    É coisa de mulher rara

     XXVI

    Cum três filho bem criado

    Ficamo como no iníço

    Dois priquito numa quenga

    Vivendo sem ribuliço

    Namorando como pode

    As vez dançando pagode

    Os dois cum corpo ruliço

    XXVII

    Nóis vivendo de regime

    Cum reumatismo nos pés

    Procurando a melhor forma

    Cum sorvete e canapés

    O qui num falta é vontade

    De ficá duas beldade

    Namorando nos motéis

    XXVIII

    As vezes diz o ditado

    A vontade dá e passa

    Mas nos tempo de hoje in dia

    Os home num se imbaraça

    Ingole uma piula azul

    O bicho aponta pro sul

    O qui vier ele traça

     XXIX

    Nas coisa de nossa vida

    Vamos falá dos amigo

    Essas pedra preciosa

    Carrego sempre comigo

    No lado esquerdo do peito

    No coração do meu jeito

    Jamais fico arrependido

     XXX

    Quiria escrever mais

    Tem tanta coisa a dizê

    Fico com água nos oios

    Já num consigo iscrever

    Pois seu amor me sorriu

    E minha vida seguiu

    Amando sempre você.

     

    Tags: , , ,

  • É isso. Hoje no dia do poeta, cabe-me lembrar alguns cordéis feitos para datas especiais. Um deles é o que homenageou nossa matriarca nos seus jovens 87 anos. Vale relembrar e compartilhar com todos.

    I

    No ano de vinte e dois

    Com a benção do Salvador

    Nasceu Lourdinha Veloso

    Moça de grande valor

    Em onze de fevereiro

    Chegou, gostou e ficou

     II

    Chegou lá na Paraíba

    Na terra de Santa Rita

    Família de boa cepa

    Nobreza que não se imita

    Com dois meses de idade

    Já tinha laço de fita

     III

    O papai era Colombo

    A mamãe era Nevinha

    Com muito jeito e carinho

    Conduziram a garotinha

    Educando e preparando

    Pra quando fosse mocinha

     IV

    A menina ficou moça

    A beleza floresceu

    Começou a trabalhar

    A competência cresceu

    Já queria namorar

    E então aconteceu

     V

    Apareceu um rapaz

    Que vinha da construção

    Das obras do aeroporto

    Que estava em execução

    Sujeito de boa pinta

    De nome Napoleão

     VI

    Nascera no Seridó

    Lá na terra potiguar

    O pai era Pedro Dias

    Um ferreiro singular

    E Dona Ana Fernandes

    Era uma mãe exemplar

    VII

    O pai que era fazendeiro

    Também tinha ferraria

    Fazia foice e facão

    E peça de montaria

    Só não fazia o cavalo

    Porque a égua corria

    VIII

    Começaram a namorar

    E o amor fez efeito

    Escolheu Napoleão

    Para ser o seu eleito

    Então em quarenta e sete

    O casamento foi feito

    IX

    Depois de vãs tentativas

    Chegou mestre Marcolino

    Foi o primeiro da prole

    É  um cabra genuíno

    Madeira de dar em doido

    Cordelista nordestino

    X

    Veio a primeira Maria

    Pra ser Auxiliadora

    A gente chama de Têca

    Tem uns que chamam de Dora

    Estudou pedagogia

    Mas não quis ser professora

    XI

    Veio o terceiro rebento

    Com o nome do avô

    Foi o Pedro Dias Neto

    Papai amou com fervor

    Pois lembrava o velho dele

    Que morava com o Senhor

    XII

    Na capital potiguar

    No bairro do Alecrim

    Nasceu Fernando José

    O quarto depois de mim

    Enquanto o quinto já vinha

    Juntando todos assim

    XIII

    O quinto da grande prole

    Também nasceu em Natal

    Lá no bairro do Tirol

    Dessa linda capital

    Maternidade São Lucas

    Nasceu de parto normal

    XIV

    Batizou-se como Ueliton

    Pra gente virou Tonton

    Vivia bem humorado

    Gostava muito de Ron

    Partiu em noventa e oito

    Era um cara muito bom

    XV

    Nasceu a Lucia de Fátima

    Era a segunda Maria

    Chegou depois de Tonton

    Pra morar na freguesia

    Era a sexta que chegava

    Pra aumentar a dinastia

     XVI

    Não dava tempo crescer

    Nem a barriga murchar

    Pois o pai Napoleão

    Não deixava descansar

    Nem bem desmamava um

    Mamãe voltava a embuchar

    XVII

    Nem bem tirou o resguardo

    A mãe emprenhou de novo

    Veio a terceira Maria

    Pra se juntar com o povo

    Dessa vez Maria Célia

    Começou tudo de novo

    XVIII

    O tempo passou depressa

    Não completou nem três anos

    O veio ajeitou a veia

    Ali debaixo dos panos

    Preparou Maria Monica

    Pra se juntar aos seus manos

     XIX

    O grupo estava completo

    Nesta terra tropical

    Nasceu três em João Pessoa

    E outros três em Natal

    Dois são lá de Caicó

    Nesta turma sem igual

     XX

    Então se multiplicaram

    Neste Brasil federal

    Com genros noras e netos

    Numa história sem igual

    A turma ficou bem grande

    Tudo a partir de um casal

     XI

    Era um casal de outros tempos

    Que hoje não existe mais

    Pois pra criar oito filhos

    Já não tem gente capaz

    De agüentar a parada

    Pois é difícil demais

     XXII

    Pense num cabra disposto

    Era o pai Napoleão

    Criou-se comendo bode

    Com arroz tripa e feijão

    Mel de furo e rapadura

    E raspa de requeijão

     XXIII

    Só assim é que se explica

    Ter tanta disposição

    Um menino atrás do outro

    No carnaval e São João

    Num tinha folga de dia

    Pra fazer reprodução

     XXIV

    A verdadeira heroína

    É a Lourdinha Veloso

    Que está ai até hoje

    Pra conduzir o seu povo

    Cada vez que nasce um

    Começa tudo de novo

      XXV

    Pra confirmar essa história

    Tem um parido recente

    Lá em terras da Europa

    Onde vai ser residente

    E quem sabe no futuro

    Vai se eleger presidente

     XXVI

    Hoje faz oitenta e sete

    E aqui se comemora

    Com filhos netos e genros

    Com irmãs primas e noras

    Pois uma data como essa

    Não se tem a toda hora

     XXVII

    O poeta se despede

    Nesse momento sublime

    Que pela sua grandeza

    A esperança redime

    Que essa festa se repita

    Sem que ninguém desanime

     XXVIII

    Lourdinha em dois mil e dez

    Vai fazer oitenta e oito

    Convidamos todo mundo

    Até dois mil e dezoito

    Pra comemorar o dia

    Com feijoada e biscoito

     

     

    Tags: , , , , , ,

  • BIA: Gostaria de poder encontrá-la todos os dias. Mesmo não sendo possível pessoalmente, mas em espírito estou sempre com você. Você merece tudo de bom e eu quis registrar neste martelo a minha certeza na sua vitória na busca de seus objetivos, tanto profissionais, quanto pessoais. Creia sempre em você e no amor. Deus lhe abençoe e proteja sempre.

    I

    Eu me lembro você bem pequenina

    Eu cantava a canção do Caetano

    Assistí seu crescer a cada ano

    Se tornar uma jovem leonina

    Perna longa, bem reta feminina

    Para mim será sempre uma princesa

    Com seu porte, seu charme e beleza

    Se destaca com fibra nordestina

    E na luta tem fé, não desanima

    Na vitória acredita com certeza

    II

    Ser feliz é o que todos nós queremos

    E você certamente assim será

    Pois merece alguém para lhe amar

    Um amor tipo unidos venceremos

    Com doçura, com paz e nada menos

    Que uma vida feliz e prazerosa

    Um moleque e uma filha bem dengosa

    E o vovô vai ficar muito contente

    A vovó vai sorrir intensamente

    E a família ficará mais numerosa

    III

    Sei que o tempo parece demorado

    Mas tem hora pra tudo acontecer

    Siga em frente lutando pra vencer

    Que o esforço será recompensado

    O que espera irá ser alcançado

    Com certeza, é só ter paciência

    Que o esforço somado à eficiência

    Levará brevemente a vitória

    Reescrevendo então a sua história

    De uma luta pautada na decência

     

    Tags: , , , ,

  • Este martelo foi feito para registrar o namoro de meu filho Lucas com sua amada Mariana. Ele deu o Mote e depois de alguns ajustes ficou assim:

    CONSEGUIR NAMORADA IGUAL A MINHA

    SÓ COM BÊNÇÃO, COM SORTE E PACIÊNCIA

    I

    Já andei, já corri por este mundo

    Procurando um amor bem verdadeiro,

    Pra amar sem limites, por inteiro

    Para ser dentre todos, o mais profundo

    O maior, mais sincero, o mais fecundo

    Da pureza nascido na essência

    Construído  com calma, com decência

    Com a certeza  que um dia ele vinha

     CONSEGUIR NAMORADA IGUAL A MINHA

    SÓ COM BÊNÇÃO, COM SORTE E PACIÊNCIA

    II

    Conheci uma moça em Jacobina

    Já pensei que ia ser minha princesa

    Preparei bem ligeiro cama e mesa

    Planejei me casar com a menina

    Não deu certo voltei pra Petrolina

    Decidi apostar na eficiência

    Fui treinar aprender essa ciência

    Para amar em Recife ou na Redinha

    CONSEGUIR NAMORADA IGUAL A MINHA

    SÓ COM BÊNÇÃO, COM SORTE E PACIÊNCIA

     III

    Fui dançar um forró em Cabrobó

     No distante sertão pernambucano

    Numa festa que lá tem todo ano

    Festejando a querida padroeira

    Foi ali que encontrei uma brejeira

    E perdi de uma vez a inocência

    Aprendi a amar com reverência

    Seja ela coroa ou gatinha

    CONSEGUIR NAMORADA IGUAL A MINHA

    SÓ COM BÊNÇÃO, COM SORTE E PACIÊNCIA

    IV

    Do amor não se perde a caravana

    Quem almeja se tornar feliz um dia

    Conquistar uma vida de harmonia

    Na feliz capital pernambucana

    Namorando a gatinha Mariana

    Convivendo em paz, sem má querência

    Um amor pra servir de referência

    Para o filho, o neto  ou pra vizinha

    CONSEGUIR NAMORADA IGUAL A MINHA

    SÓ COM BÊNÇÃO, COM SORTE E PACIÊNCIA

    Tags: , , , , , ,

  • Este cordel fiz para lembrar do aniversário de 30 anos do meu filho do meio, Marcel.

    Marcel chega aos 30

    I

    O tempo passa depressa

    O ontem hoje é passado

    Não adianta conversa

    Ou ficar apavorado

    Temos que ter paciência

    Fazer dele referência

    Ele não fica parado

    II

    É assim que a vida segue

    Vivendo dia após dia

    E ainda tem quem  negue

    Numa vã filosofia

    Mas não adianta fugir

    Nem berrar e nem rugir

    Nem xingar que a gata mia

     III

    Marcel nasceu em Recife

    Há trinta anos atrás

    Chegou sem disse me disse

    Já parecendo um rapaz

    Foi em dezoito de março

    Recebeu um forte abraço

    Num dia branco de paz

     IV

     Quando ele era pequeno

    Já mostrava habilidade

    Pra pescar era sereno

    Tal pescador de verdade

    Com uma piaba de isca

    E enquanto o olho pisca

    Pegava peixe à vontade

     V

    Uma vez no São Francisco

    Queria pescar dourado

    Que é um peixe muito arisco

    E brabo que é um danado

    Pois quando o bicho mordeu

    O barco todo tremeu

    Não se deixou ser fisgado

     VI

    Eu lembro bem dessa história

    Aconteceu nas Pedrinhas

    Se não me falha a memória

    Bem cedo de manhanzinha

    A linha não agüentou

    O molinete emperrou

    E a vara ficou tortinha

     VII

    Um dia foram pra praia

    Passear com os guris

    Todos de baixo da saia

    Como filhote aprendiz

    Foi quando Marcel sumiu

    E a mãe dele saiu

    Pra perguntar aos garis

    VIII

    Vocês viram um galeguinho?

    Do tamanho de um pixote?

    Tava aqui desde cedinho

    Pulando e dando pinote

    Agora ele ta sumido

    Parece que está perdido

    Isso não pode ser trote

    IX

    E o tempo foi passando

    O povo desesperado

    Choravam se desmanchando

    Todo mundo apavorado

    Pois lá em Boa Viagem

    Era um ambiente selvagem

    Para se esperar parado

    X

    Ligaram então para o pai

    Que estava na empresa

    E Marcolino então vai

    Depois daquela surpresa

    Rezando pra Jesus Cristo

    Pra não passar mais por isto

    Achar o filho com certeza

     XI

    Quando chegou ao local

    O menino apareceu

    E como qualquer mortal

    Marcolino agradeceu

    Pois foi Nossa Senhora

    Que não o deixou ir embora

    E o menino devolveu

    XII

    A vida seguiu em frente

    O menino foi crescendo

    Danado de inteligente

    Estudou, foi aprendendo

    Que a tal da informática

    Era a solucionática

    Pra conquistar dividendo

    XIII

    Gostava de dirigir

    E aprendeu logo cedo

    Como um carro conduzir

    Como pilotar sem medo

    Com doze ele viajava

    De pilotar já gostava

    Pois já sabia o segredo

    XIV

    Enquanto o tempo passava

    Marcel seguiu estudando

    E se nada atrapalhava

    Também ia namorando

    Tereza ,Ana e Chiquita

    Quem sabe Maria Rita

    E mais trinta arrodeando

     XV

    E foi na vida seguindo

     Gastando o tempo sem pressa

    Que os anos foram vindo

    E só a ele interessa

    Mas agora já são trinta

    De coroa já tem pinta

    Mas ele não se estressa

    XVI

    E Marcel foi paquerando

    Até que encontrou Nara

    E acabou se apaixonando

     Por uma menina rara

    Já assumiram o noivado

    O casamento marcado

    E assim a vida não para

    XVII

    Meu filho neste momento

    Eu lhe dou meus parabéns

    Viva a vida a contento

    Amando e querendo bem

    Um beijo e um abraço forte

    Tenha sempre boa sorte

    E o melhor que a vida tem.

     

    Tags: , , , , , ,

  • Às vezes você está tão perto e nem nota. Mas, então um belo dia olha pra ela e….

    I

    Olhando pro seu cabelo

    Cortado bem no cantinho

    Fico muito emocionado

    Curtindo o seu charminho

    II

    Cada dia mais bonita

    De cabelo grande ou curto

    Provoca nos arredores

    Epidemia ou surto

    III

    De olhares admirados

    De soslaio ou de furto

    Se o coração não for bom

    E o pavio for curto

    IV

    Ou o moço morre brigando

    Por um motivo que é justo

    Ou se conforma com o fato

    E encara o caso sem susto

     

    Tags: ,