• Depois de 40 anos de casados, muito amor e muita prosa, por tradição não podem faltar os versos. Comemoramos com parentes e amigos no último dia 03/12/16 em Natal/RN onde moramos. Eu Mestre Marcolino e minha fiel escudeira e companheira Ângela Venturinha.

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    BODAS DE ESMERALDA – 40 ANOS DE CASADOS

     

    I

    Quarenta anos se foram

    Eu com você ao meu lado

    É sorte pra pouca gente

    Merece ser bem lembrado

    Com muita festa e alegria

    Muita conversa e poesia

    Momento bem festejado

    II

    Vêm amigos de Natal

    Paraíba e Pernambuco

    Queria a banda de Pífanos

    Uma salva de trabucos

    Sarapatel com cachaça

    Champanhe tomado em taça

    E pirão de osso buco

    III

    Conosco estarão presentes

    Umas quatro gerações

    O decano é tio Doca

    Cunhado de minha mãe

    Pois era irmão de papai

    Com ele não tem mas, mais

    Bisavô com muitos fãs

    IV

    Estamos muito felizes

    Pois tia Ivonete veio

    Tia Inês também presente

    Assim nada fica feio

    São duas tias queridas

    Presentes nas nossas vidas

    Nos servindo de esteio

    V

    Para uma festa completa

    De bodas de Esmeralda

    Não podem faltar os filhos

    Os netos e a parentada

    Irmãos, primos e cunhados

    Compadres e agregados

    Os amigos de jornada

    VI

    Com tanto tempo de casa

    Parece fácil fazer

    Uma festa pros amigos

    Preparar e receber

    Mas não se engane menino

    Tô com a cabeça zunindo

    Do trabalho de fazer

    VII

    Começa com o cardápio

    O que fazer pra comer?

    Pois festa só com conversa

    Ninguém faz por merecer

    Pra segurar o assunto

    Manter todo mundo junto

    Tem que comer e beber

    VIII

    Na tradição da família

    Receber bem é de praxe

    Para isso o regabofes

    Tem que ser bom e de classe

    Uma comida gostosa

    Com uma deliciosa

    Sobremesa de repasse

    IX

    Depois de muito pensar

    Estudar as opções

    De carne assada a filé

    Com salada e melões

    Depois de muito zumbido

    E atendendo a pedidos

    Ficamos com os feijões

    X

    A feijoada famosa

    Que já serviu tantas mesas

    Foi primeira na escolha

    De quem conhece a proeza

    De uma soma de sabores

    Com perfumados odores

    Satisfação com certeza

    XI

    Vindo bem acompanhada

    De uma boa farofinha

    Um arroz bem preparado

    E uma pimenta quentinha

    É um prazer infinito

    Tudo fica mais bonito

    Só falta uma cachacinha

    XII

    Tem uma couve à mineira

    Um caldinho elaborado

    Tem vinagrete fresquinho

    Um tempero aprimorado

    Tudo pra satisfazer

    Comer e a barriga encher

    E sair bem saciado

    XIII

    Tem bolo, tem sobremesa

    Cantador com violão

    Musicando nossa festa

    Com força e inspiração

    Pois recordar é viver

    A vida é um renascer

    Na poesia da canção

    XIV

    Nas lembranças dessas bodas

    No tempo que se passou

    Tem cartas, tem bilhetinhos

    Muita fé, muito fervor

    Convite de casamento

    Um registro dos momentos

    De nossa história de amor

    XV

    Lembro dos tempos no Vale

    Dos anos em Petrolina

    Que nos deu muito aperreio

    Demos a volta por cima

    E trouxemos na bagagem

    Os momentos de coragem

    E o saber que a vida ensina

    XVI

    No sertão do São Francisco

    Fizemos grande amizade

    Com Rosalvo e com Goret

    Criamos uma irmandade

    Rafael, Maíra e Neto (s)

    O time fica completo

    É pura felicidade

    XVII

    Os primeiros quinze anos

    Lá no Recife vivemos

    Lá nasceram nossos filhos

    E a todos muito queremos

    Oh Pernambuco querido

    Foi um tempo bem vivido

    Que jamais esqueceremos

    XVIII

    Foi pelas mãos do destino

    Que viemos para Natal

    Pois recebi um convite

    No campo profissional

    Pensei em passar dois anos

    A vida mudou os planos

    Fiquei nesta capital

    XIX

    Lá se vão quatorze anos

    Nesta terra potiguar

    Fizemos novos amigos

    Temos o que festejar

    Morar aqui é gostoso

    É um povo carinhoso

    Oh lugar bom de morar

    XX

    Mas, sempre falta um pedaço

    Pra festa ficar completa

    Os nossos pais já se foram

    Aí a saudade aperta

    Forjaram nossos valores

    Nos deram tempos e amores

    Para uma vida repleta

    XXI

    Nós também sentimos falta

    Dos filhos no dia-a-dia

    Dos netos então nem se fala

    Chega a dar uma agonia

    Queremos ficar mais perto

    Um dia isso vai dar certo

    Então é só alegria.

    XXII

    Bianca, Marcel e Lucas

    São nossos filhos queridos

    Com Nara e Mariana

    Formam um time aguerrido

    Já nos deram quatro netos

    E pra nós é firme e certo

    Que não tem um preferido

    XXIII

    Nara e Marcel nos deram

    Dois homens, João e Tomaz

    Bianca nos deu Vicente

    Que já é quase um rapaz

    De Mari e Lucas, Aurora

    Que é linda até quando chora

    E já sabe falar papai.

    XXIV

    Vovô Marcos, Vovó Ângela

    Venturinha e Marcolino

    Caminhado lado a lado

    E a vida lhes sorrindo

    É um amor de verdade

    Com carinho, sem maldade

    Por isso o amor é lindo

    XXV

    Aos meus irmãos e cunhadas

    Aos nossos primos e  primas

    Aos tios e tias queridas

    E que não me falte rima

    O nosso abraço apertado

    Com nosso muito obrigado

    Nossa festa não termina

    XXVI

    Para encerrar me despeço

    Do nosso grupo de amigos

    Que aqui estavam presentes

    A quem a todos bendigo

    São parte dessa alegria

    Na prosa e na poesia

    E isso eu afirmo e digo.

    Natal 03 de dezembro de 2016

    MESTRE MARCOLINO

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

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  • A REVOLUÇÃO DA COMUNICAÇÃO APROXIMA OU AFASTA AS FAMÍLIAS?

     

    Em plena era da Internet fica claro que as distâncias praticamente sumiram. Quase todos no mundo, ou melhor, quem possui um computador ou smartphone pode se conectar com parentes, amigos em tempo real e ao redor desse mundão de meu Deus.

    Fica na minha cabeça a pergunta: O quanto isso é bom? Podem os bits substituir o calor de um abraço? E aquela conversa, aquela prosa contando as últimas resenhas?  Perdemos o hábito de mandar cartas, visitar os amigos, ver os parentes. Hoje é tudo pela web.

    Lembro que, morando a mais de 1000 km de Natal, sempre que tinha oportunidade viajava com os filhos para visitar a família, principalmente os pais e avós, fosse em Recife, em Natal, ou João Pessoa, juntar a turma toda, irmos juntos à praia, beber aquela cervejinha gelada com caranguejo e aquelas reuniões gastronômicas impagáveis e insubstituíveis. Eu e meus primos sempre fomos como irmãos, laços reforçados por longos anos de convivência.

    Hoje temos estradas duplicadas, carros mais rápidos, seguros e modernos, mas vejo os jovens sem tempo para essas visitas, já que 300 km parecem 3.000, pela falta do hábito de conviver fora do quadrilátero em que vivem.

    Gosto da tecnologia, e não há como não conviver com ela, mas, sou mais cinestésico do que visual e por isso sinto falta de um bom bate papo pessoalmente. Gosto de receber parentes e amigos. Filhos e netos então, nem se fala.

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  • Fiz este cordel para homenagear a minha esposa Angela no seu aniversário em 23 de abril. Foi impresso e distribuído. Agora aproveito o dia das Mães para estender a minha homenagem a ela e dar conhecimento ao mundo de quanto a amo. Feliz dia das mães Venturinha.

    I

    Amigos aqui presentes

    Neste solene momento

    O que aqui vou contar

    Com profundo sentimento

    É uma história de vida

    E seus acontecimentos

    II

    Nascida em cinquenta e quatro

    A vinte e três de abril

    No solo pernambucano

    Terra de encantos mil

    Num quartel de infantaria

    Orgulho deste Brasil

    III

    Era dia de São Jorge

    E ela chegou sorrindo

    Pois teria a proteção

    De santo muito bem-vindo

    Recebeu nome de anjo

    Tinha um mundo se abrindo

    IV

    Cresceu, teve boa infância

    Arranjou muitas amigas

    Ficou fã do Rei Roberto

    Ouvindo suas cantigas

    Que a todo mundo encanta

    E faz sumir as fadigas

    V

    A festa de 15 anos

    Foi marcante em sua vida

    Já não era tão menina

    Era uma moça aguerrida

    Que jogava e estudava

    Se preparando pra vida

    VI

    Entre o estudo e o esporte

    Gostava mais do segundo

    Pois era mais divertido

    E agradava a todo mundo

    Estudar era dureza

    Pedia esforço profundo

    VII

    Entre os quinze e dezenove

    Começou a namorar

    Um aqui, um outro ali

    Sem com ninguém se firmar

    Aí conheceu o sapo

    Que resolveu segurar

    VIII

    O sapo nem sempre vira

    O príncipe que se sonhou

    Esperou mais de mil dias

    E o bicho não mudou

    Caiu na realidade

    E o encanto acabou

    IX

    O que provocou tal fato?

    Namoro virou noivado

    A festa tava prevista

    Tinha peru engordado

    E antes que de repente

    O sonho tinha acabado

    X

    Nossa princesa moderna

    Começou a trabalhar

    Porque princesa de hoje

    Não fica em casa a bordar

    Viu um mundo diferente

    E resolveu acordar

    XI

    Pouco depois no trabalho

    Sentiu o mundo girar

    De repente viu o príncipe

    Como chegara a sonhar

    A paixão aconteceu

    Não deu para segurar

    XII

    Como uma boa princesa

    Preocupou-se na hora

    O que é que eu vou fazer

    Pra jogar o sapo fora

    Para pedir proteção

    Rezou pra Nossa Senhora

    XIII

    Não foi uma coisa rápida

    Como era de se esperar

    Pra desmanchar compromisso

    O certo é negociar

    Ter apoio da família

    E o assunto encerrar

    XIV

    A assim se sucedeu

    Naquele mês de Santana

    O anjo encontrou seu príncipe

    Que era um rapaz bacana

    Sabia como agradar

    E dizer sempre que ama

    XV

    Então foram namorando

    Nos três anos que seguiram

    Perto das mil e uma noites

    Eles então decidiram

    Juntar os panos de bunda

    Pra vida juntos partiram

    XVI

    Partiram para vida a dois

    Um casal apaixonado

    Construindo uma família

    Educando lado a lado

    Com respeito e com carinho

    Três guris energizados

    XVII

    Dois homens e uma mulher

    Três elos nas suas vidas

    Filhos gerados do amor

    Uma família querida

    Que unida é sempre forte

    E terão sempre guarida

    XVIII

    A missão não está cumprida

    Pois agora recomeça

    Primeiros netos estão vindo

    Ela os esperou sem pressa

    Como avó já está amando

    Neste caso é ré confessa

    XIX

    A vida foi generosa

    Para a nossa cinderela

    Pois tem saúde de ferro

    E cachorra na janela

    E quando junta os amigos

    Feijoada na panela

    XX

    Trinta e seis anos passados

    Depois do sim no casório

    É a dengosa de sempre

    Que reza no oratório

    E sempre que pode pede

    Pra não faltar repertório

    XXI

    Repertório de palavras

    Pra repetir que me ama

    Se me esquecer de dizer

    Não deixa passar, reclama

    Pois se cansar de fazer

    Vai dormir fora da cama

    XXII

    Sonha em se aposentar

    Receber seu numerário

    Pra sentir mais segurança

    Não depender do salário

    Que hoje ela não recebe

    Pelo trabalho diário

    XXIII

    Continua muito amada

    Mesmo às vezes duvidando

    Porque mesmo com a idade

    Tem ciúmes quando em quando

    Acha que seu velho príncipe

    Às vezes ainda é malandro

    XXIV

    Esta artista tão prendada

    Sempre sempre está criando

    Ora o trabalho é tecido

    Ora é feito costurando

    E agora pra variar

    Está pintando e bordando

    XXV

    O poeta está feliz

    Por conviver todo dia

    Ela ausente só faz falta

    Lhe deixa sem alegria

    Fica com falta de ar

    Chora de noite e de dia

    XXVI

    O tempo passou depressa

    Vencemos com paciência

    O sucesso conquistamos

    Com a nossa eficiência

    De ver a vida do lado

    Que aposta na decência

    XXVII

    Que mais eu posso dizer?

    Dessa mulher tão prendada

    Que quando anda de fusca

    Encanta a rapaziada

    Então fico com ciúmes

    E com a cara amarrada

    XXVIII

    É uma história bonita

    Vivida sem desengano

    Cada dia que se passa

    Cada mês e cada ano

    Seja aqui no Rio Grande

    Ou no chão pernambucano

    XXIX

    Ângela fiz para você

    Esta homenagem devida

    Pois aqui ou Japão

    Você é a preferida

    Dona do meu coração

    A mulher da minha vida.

    Natal, 23 de abril de 2012.

    Por Mestre Marcolino

     

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  •  

    Coração nordestino

    Demonstra o que sente

    Não nega, não mente

    Tem ardor de menino

     

    É que Marcolino

    Sempre adolescente

    Com Ângela presente

    Cumpre o seu destino

     

    Segue apaixonado

    Ao longo dos anos

    Não tem desenganos

     

    Com o par encontrado

    O amor segue em frente

    E viverá contente

     

    Escrito em 12 de junho de 1998. Dia dos namorados em Petrolina/PE

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  • Depois de um carnaval gripado fui premiado com uma diverticulite novamente. Sim porque no Natal de 2009 emplaquei uma e quase passo dessa para melhor. Dois anos e um mês depois a marvarda me pega de novo e lá fui eu para hospital por cinco dias e todo o sofrimento repetido. Mas, graças a Deus e Nossa Senhora de Fátima e aos médicos e pessoas que me atenderam saí da crise e voltei à ativa. A vida é assim, sempre cheia de surpresas. Agradeço às forças divinas e a minha mulher que não mediu esforço para me acompanhar e ajudar a me curar. Aos muitos que rezaram, agradeço, pois as orações têm muita força.

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  • Poesia 07.10.2011 No Comments

    Cada filho tem sua própria maneira de amar, conviver, relacionar-se com seus pais. Marcel o meu filho do meio, na época com seis anos, sentia muito quando eu viajava. Às vezes tinha até febre. Como eu viajava muito, todos sentiam muito a minha ausência. Num desses retornos de viagem de trabalho ele estava febril. A alegria de me ver foi tanta que logo, logo ficou bom. Escrevi para ele os versos abaixo:

    Cabelo cortado com redemoinho

    Carinha travessa,

    Sou bom menininho.

    Estava dodói

    Agora sarei,

    Papai retornou

    Feliz estarei.

    Recife, 01 de junho de 1985.

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  • Poesia 07.10.2011 No Comments

    Sempre tive o hábito de registrar momentos da minha convivência no dia-a-dia. Em mesa de bar e restaurante nem se fala. Bom, muitos registros se perderam nos guardanapos da vida, mas, depois de uma busca no baú de recordações minha caríssima metade resgatou alguns escritos que aproveito para registrar no blog e compartilhar com meus leitores. No meu aniversário de 1986 foi assim:

    Mesa de bar

    Whisky com gelo

    Copos, corpos

    Muito som.

    Trinta e sete são passados

    Ano novo, a vida continua,

    Cantar, dançar

    Festejar no Chez Moi

    Com você.

    Adiante, sigamos a caminhada do destino.

    Recife, 22 de novembro de 1986.

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  • Poesia 25.05.2010 1 Comment

    dsc01100-copiaUm grande amor deve ser festejado, bem tratado, bem vivido. Quem tem essa ventura de conseguir, deve agradecer e zelar por esse presente precioso. Este poema foi escrito em julho de 2000 e faz parte da minha vida com Ângela.

     

    O mar com seu verde azulado

    Em Boa Viagem testemunha o passar do tempo

    Com tantos sóis e tantas luas;

     

    Do Veleiro que sumiu, transformado em pó

    Restam as lembranças do passado

    Nem nuas, nem cruas

    Tão minhas, tão suas;

     

    E se a fronte grisalha

    Aponta as marcas do tempo,

    Julho sempre será

    Dos verdes anos da juventude

    Até a velhice que virá

    A testemunha secular

    Que nos amamos.

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  • Poesia 01.11.2009 No Comments

    Viver feliz, sim

    Não por um vão momento

    Diariamente

     

    Viver feliz, sim

    Não fugazmente

    Cada dia, vivendo sorridente

    Semanalmente

     

    Viver feliz, sim

    Não velozmente

    Cada semana passada mansamente

    Mensalmente

     

    Viver feliz, sim

    Não ferozmente

    O mês passando construtivamente

    Semanas numa luta efervescente

    Anualmente

     

    Viver feliz, sim

    Não descontente

    Ano após ano, efusivamente

    O coração amando loucamente

    Correspondido apaixonadamente,

    Eternamente

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  • Por mais estranho que possa parecer, os triângulos amorosos são bem comuns no interior. Conheci até quartetos nas minhas andanças pelo interior do Brasil. A história de Zefa e Chico retrata o abandono que, muitas vezes, as mulheres sofrem por parte de maridos ignorantes e com uma cultura de que mulher é só para parir e servir.

    I

    SEU DOTÔ VOU LHE CONTÁ

    O QUI AQUI SE ASSUCEDEU

     POIS DE FATO ACONTECEU

    CUM CHICO PÉ DE PREÁ

    QUI RESORVEU SI INGRAÇAR

    DE ZEFINHA DE DUDÉ

    MODE AS ANCA DA MUIÉ

    QUI REBOLA QUANO PASSA

    ANDANO CHEIA DE GRAÇA

    E MUITO PEREQUETÉ.

    II

    ERA UMA NOITE ISTRELADA

    FESTEJANO A PADROEIRA

    MUITA CACHAÇA BREJEIRA

    E QUEIJO CUM MARMELADA

    TINHA CERVEJA GELADA

    TIRA GOSTO DE GALINHA

    CUM FARINHA BREJEIRINHA

    NUM PIRÃO MUITO ARRETADO

    GOSTOSO E APIMENTADO

    PREPARADO POR ZEFINHA

    III

    VEI UM PADE LÁ DA FRANÇA

    VEI PULIÇA, DELEGADO

    MAIS UM CABO E TRÊS SORDADO

    PRA GARANTIR SIGURANÇA

    DE MUIÉ ,VÉI E CRIANÇA

    E DE MATUTO BRIGÃO

    COMO ZÉ DA CONCEIÇÃO

    QUI FICAVA IMBRIAGADO

    FALANO TODO INROLADO

    E DIZENO PALAVRÃO

    IV

    TODO MUNDO TAVA ARMADO

    UM CUSTUME DO SERTÃO

    CUM REVORVE E MOSQUETÃO

    E PUNHÁ MUITO AFIADO

    FACA E FACÃO AMOLADO

    SE UM CABRA ASSIM BEM VISTIDO

    LEVA UMA GAIA ISCONDIDO

    CUM CERTEZA SI APERREIA

    QUER LOGO METER A PEIA

    FICÁ BRABO E ATRIVIDO

     V

    DUDÉ FI DE BIU CANINHA

    É CABRA MUITO DISPOSTO

    POR ZEFA TEM MUITO GOSTO

    CONHECEU ELA NOVINHA

    CUM SUA PRIMA RITINHA

    NUM FORRÓ DE PÉ DE SERRA

    O MIÓ DAQUELA TERRA

    NUMA NOITE DE SÃO JOÃO

    QUANDO SOLTAVA ROJÃO

    QUI PARECIA UMA GUERRA

    VI

    CUMEÇARO A NAMORÁ

    E FORO LOGO CASANO

    CUM ZEFA EMBARRIGANO

    QUAJI NO PÉ DO ALTÁ

    DUDÉ BUTOU PRA QUEBRÁ

    PRA ZEFA NUM DEU MOLEZA

    ERA SÓ NA SAFADEZA

    NO QUINTÁ E NA ALCOVA

    POIS TESÃO DE MUIÉ NOVA

    NUM ISFRIA COM CERTEZA

    VII

    QUANO ZEFA SI CASÔ

    TINHA FEITO DIZESSETE

    DUDÉ TINHA VINTE E SETE

    E O CASÁ SE CUMPRETÔ

    O VIGARO ABENÇOOU

    NOVA FAMIA FORMADA

    CUM ZEFA JÁ IMPRENHADA

    NUM BUCHO DE MAIS DE MÊS

    DUDÉ NUM PERDEU A VEZ

    TINHA INXIDO A NAMORADA

    VIII

    OS ANO FORO PASSANO

    A VIDA SEGUINO IN FRENTE

    ZEFA VIVENO CONTENTE

    SUAS CRIANÇA CRIANO

    UM BRUGUELO A CADA ANO

    JÁ TINHA SEIS NA NINHADA

    E DUDÉ NA CACHORRADA

    VIVIA RAPARIGANO

    E MUNTA CANA TOMANO

    CUMA PUTA AGALEGADA

     IX

    NUM DEMORÔ MUNTO NÃO

    CUMEÇARO OS MIXIRICO

    VIZIN FAZENO FUXICO

    DAQUELA SITUAÇÃO

    SE ZEFA SABIA OU NÃO

    NUM CUMENTAVA NADINHA

    SOFRIA MERMO SOZINHA

    SEM INFORMÁ PRAS CRIANÇA

    QUI O PAI VIVIA NA DANÇA

    NO CABARÉ DE ROSINHA

    X

    DUDÉ PUXÔ E ARRASTÔ

    TODAS MANIA DO PAI

    POIS TODA NOITE ELE VAI

    PRO BUTECO DE NESTÔ

    ZEFA FICA NO TRICÔ

    ELE SE FAZ DE BACANA

    VAI INCHER O CÚ DE CANA

    IGUALZIM A BIU CANINHA

    VAI DIRRUBANO A BRANQUINHA

    E FAZENO JUS A FAMA

    XI

    ADISPOIS DE INCHER A CARA

    SEGUE DIRETO PRA ZONA

    LÁ INCONTRA AQUELAS DONA

    QUI VEVE IN RIBA DA VARA

    CUM DUENÇA QUI NUM SARA

    DE CHANHA INTÉ GONORRÉA

    INCARA QUALQUER BORRÉA

    SI SINTINO UM GARANHÃO

    MAS NUM PASSA DUM CAGÃO

    QUI VEVE CUM DIARRÉA

    XII

    A COISA FICÔ DIFICE

    POIS ZEFA ACABÔ SABENO

    SIGUIU IN FRENTE SOFRENO

    PRO MODE O DISSI MI DISSI

    POIS INTÉ CUMADE EUNICI

    DISDIBUIOU A ISTORA

    GORA JÁ TAVA NA HORA

    DI CUNVERSÁ CUM DUDÉ

    SABÊ O QUE QUELE QUÉ

    SI ACERTÁ SEM DEMORA

     XIII

    ZEFINHA TAVA PENSANO

    COMO FALÁ CUM DUDÉ

    POIS CUMA ERA MUIÉ

    TINHA QUI SIGUI LUTANO

    NO BATENTE LABUTANO

    INTÉ ARRUMÁ AS PROVA

    PRA SEM POESIA NEM PROSA

    INQUADRÁ O ELEMENTO

    DISPACHÁ SEM DOCUMENTO

    E CUMEÇÁ VIDA NOVA

    XIV

    MAS ANTES DE ARRESORVÊ

    A PARADA CUM DUDÉ

    ZEFINHA SIGUIA A PÉ

    TENTANO A DÔ ISQUECÊ

    SORRINO PRA ISPARECÊ

    QUANO VIU CHICO PREÁ

    QUI VINHA BEM DIVAGÁ

    CUM SEU SORRISO BANGUELA

    DURIM OLHANO PRA ELA

    CUMA QUEM QUÉ SI ABRAÇÁ

    XV

    FOI AÍ QUI ACONTECEU

    OS ZOI DOS DOIS SE INCONTROU

    ZEFINHA SE ARRUPIOU

    I CHICO FICOU TREMENO

    CUM AS PESTANA BATENO

    I CUMEÇÔ A GAGUEJÁ

    SEM AS PALAVRA INCONTRÁ

    MERMO ASSIM DISSI BOM DIA

    CUMA VAI FULÔ DO DIA

    NOIS IXISTE PRA SI AMÁ.

    XVI

    ZEFINHA NEM DEU OUVIDO

    CONTINUOU SEU PASSEIO

    POIS O MUNDO TAVA CHEIO

    DE CABORÉ INXIRIDO

    E DE CABRA JÁ VIVIDO

    DOUTÔ EM PAQUERAÇÃO

    CUM MUNTA CUNVERSAÇÃO

    PROMETE O MUNDO E O FUNDO

    AMOR ETERNO E PROFUNDO

    E MUNTA BADALAÇÃO

     XVII

    O CHICO ERA BOM SUJEITO

    ERA BOM TRABAIADÔ

    NUM ISTUDÔ PRA DOUTÔ

    MAS APRENDEU DO SEU JEITO

    A LÊ I ISCREVÊ DIREITO

    MAIS AS QUATRO OPERAÇÃO

    MERMO CONTA CUM FRAÇÃO

    JÁ RESORVIA NA HORA

    CUM PROVA DE NOVES FORA

    SEM ERRÁ NA TRANSAÇÃO

    XVIII

    O CHICO PÉ DE PREÁ

     SEMPRE GOSTOU DE ZEFINHA

    DERNA QUI ERA NOVINHA

    ELE PENSOU NAMORÁ

    PORÉM AGIU DIVAGÁ

    E DUDÉ CHEGÔ PRIMERO

    NAMORÔ CASÔ LIGERO

    NUN DEU CHANCE PRU PREÁ

    QUI TEVE QUI AGUENTÁ

    I FICÁ RAPAZ SORTERO

    XIX

    O TEMPO É GRANDE ALIADO

    VIRTUDE É TÊ PACIENÇA

    DEPOIS CHEGA A RECOMPENSA

    COMO BEM DIZ O DITADO

    O CHICO ISPERÔ SENTADO

    SEM PERDÊ A ISPERANÇA

    QUI TINHA DESDE CRIANÇA

    DE SI AJUNTÁ CUM ZEFINHA

    NUMA CAMA BEM QUENTINHA

    PRA FAZÊ UMA LAMBANÇA

    XX

    ENFIM O DIA CHEGÔ

    NA FESTA DA PADROERA

    NA PRAÇA PERTO DA FEIRA

    CHICO A MORENA AVISTÔ

    POIS ZEFINHA SEU AMÔ

    TAVA PARADA SOZINHA

    ISPIANDO PRA BANDINHA

    QUI TOCAVA NA RETRETA

    UM DOBRADO BEM PORRETA

    NO CORETO DA PRACINHA

     XXI

    O CORAÇÃO BATEU FORTE

     I SEM VÊ DUDÉ PU PERTO

    ARRESORVEU SÊ ESPERTO

    E ARRISCÁ SUA SORTE

    MERMO CUM RISCO DE MORTE

    O TESÃO ERA MAIÓ

    E SEM PENSÁ NO PIÓ

    CHEGÔ JUNTO DE ZEFINHA

    ABRAÇÔ A MORENINHA

    SEM MUNTO POROCOTÓ

    XXII

    DE INIÇO ELA ASSUSTÔSSE

    QUIS SI SORTÁ DO ABRAÇO

    CHICO CUNS NELVOS DE AÇO

    FALÔ CUMA FALA DOCE

    A MINHA ISPERA ACABÔSSE

    VAMO SI AMÁ AGORA

    POIS INTÉ PASSÔ DA HORA

    DI NÓIS DOIS FAZÊ AMÔ

    PURQUE DESPOIS QUI NÓIS FÔ

    VOCÊ NUM MI MANDA IMBORA

    XXIII

    ZEFINHA NUM RISISTIU

    FOI PRU BARRACO DI CHICO

    DEPOIS DE TANTO FUXICO

     SUA VERGONHA SUMIU

    RESOVEU DÁ O XIBIU

    PARA QUEM GOSTAVA DELA

    O VELHO CHICO BANGUELA

    QUI TINHA O PÉ DE PREÁ

    TRANSÔ SEM SI INCABULÁ

    CUM CORAGE SEM CAUTELA

    XXIV

    DEPOIS DA NOITE DE AMÔ

    ZEFINHA VOLTÔ PRA CASA

    PUR POUCO NUM SI ATRASA

    POIS LOGO DUDÉ CHEGÔ

    PARECE QUI ADVINHÔ

    JÁ FOI CHAMANDO ZEFINHA

    VEM CÁ MINHA GOSTOSINHA

    PRA NOSSO ATRASO TIRÁ

    TÔ PRONTO PRA NÓIS TRANSÁ

    DÁ UMA BEM RAPIDINHA

     XXV

    ZEFINHA DISSI NUM DÁ

    POIS TÔ CUM DÔ DE CABEÇA

    PUR HOJE VOCÊ MI ISQUEÇA

    QUI EU NUM VÔ NAMORÁ

    TOME UM BAIN PRA MILHORÁ

    DESSE CHERO DE TITICA

    POIS HOJE ESSA PIRIQUITA

    NUM DÁ PRA VOCÊ USÁ

    VÁ DURMI PRA DISCANSÁ

    DESSA CACHAÇA MARDITA

    XXVI

    DIPOIS DE PASSADO UNS DIA

    DUDÉ FICOU MAIS CASERO

    POIS JÁ TAVA MEIO CABRERO

    CUM O QUI ACONTECIA

    POIS ZEFINHA REPELIA

    TODA VEZ QUI ELE TENTAVA

    DIZIA QUI ASSIM NUMA DAVA

    QUI NUM TAVA BEM DISPOSTA

    I DAVA O NÃO POR RESPOSTA

    DUDÉ NUM SI CONFORMAVA

    XXVII

    NA SEMANA ELA SAÍA

    PRA VISITÁ AS CUMADE

    LÁ NU CENTO DA CIDADE

    PROCURÁ CUMADE LIA

    MAS O QUE MERMO ELA IA

    ERA INCONTRÁ CUM PREÁ

    PARA BUTÁ PRA QUEBRÁ

    VIVÊ O AMÔ PROIBIDO

    AGORA DISINIBIDO

    SEM TÊ COMO TERMINÁ

     XXVIII

    DUDÉ JÁ DISCONFIADO

    RESORVEU FICÁ TENTANO

    POIS MERMO DISCONFIANO

    NUM TINHA QUALQUÉ CERTEZA

    QUI SUA XUXU BELEZA

    TAVA LHI BUTANO GAIA

    JÁ AMOLAVA A NAVAIA

    PRA PEGÁ OS DOIS NO SUSTO

    DÁ UM CASTIGO BEM JUSTO

    NU URSO E NA MUIÉ PAIA

    XXIX

    PARTIU PARA O TUDO OU NADA

    E ZEFINHA CHEGOU JUNTO

    I SEM NEM PUXÁ ASSUNTO

    ISPERÔ DUDÉ DEITADA

     DEU UMAS OITO GOZADA

    QUI INDOIDECEU O MARIDO

    QUI PERDUÔ SÊ TRAÍDO

     ACEITÔ A PRÓPIA SORTE

    JÁ SI SINTINO MAIS FORTE

    SEM O ORGULHO FIRIDO

    XXX

    FOI ASSIM QUI MI CONTARO

    NOS MEUS VERSO REGISTREI

    POIS EU NUNCA ACREDITEI

    QUI CORNO NACE CUM FARO

    MUNTO MENOS CUM PREPARO

    PRA CUMPRI A SUA SINA

    MAS COMO A ISTORA INSINA

    É MIÓ TÊ PACIENÇA

    RESORVÊ SEM VIOLENÇA

    E MUDÁ SUA ROTINA

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