• O poeta quase vai à lona. Foi um tremendo susto de consequências ainda sem definição final, mas recebi uma nova chance. Dia 01 de agosto de 2015, o dia em que quase esqueci de tudo.  Por alguns minutos sim, deu branco total. Mas, logo relembrei das coisas e fui para o hospital. Tive um AVC. Cinco dias de internação e mais cinco de espera e fiz a temida ressonância magnética hoje cujo resultado sai amanhã. Aí sim saberei o que muda daqui para a frente. Mas, voilá vamos festejar a vida. Estou feliz por Deus ter sido generoso comigo. Vamos à luta em novo ritmo, num novo tempo. Valeram as orações, o apoio de parentes, amigos, médicos e equipes, a todos meu sincero obrigado.

    Natal/RN, 10/08/2015

  • OPINIÃO: O BRASIL ELEITORAL

     

    Desde a redemocratização do Brasil, esta é sem dúvida a eleição mais disputada e com a campanha mais suja e mentirosa de que se tem registro na história. Nossa jovem democracia está passando por mais um teste. O aparelhamento do Estado pelos partidos não é novidade nem exclusividade do PT. Esta é uma prática danosa e recorrente em todos os níveis de poder na república desde os tempos iniciais. Então, a disputa não é só por votos, mas, sobretudo por poder.  O que falta então para mudar este quadro tão danoso para a nação brasileira? De início respondo: Educar.

    A educação representa a principal solução para melhorar o povo brasileiro e o país, pois através dela o cidadão pode decidir de forma mais lúcida o seu destino e o de sua pátria. A educação em todos os níveis gera oportunidades de qualificação e de renda. Não sou contra os programas sociais de renda aos mais necessitados, só que essa solução tem que ser passageira e não eterna, pois cria uma legião de dependentes, quase miseráveis, sob a falsa bandeira de pobreza combatida. A esmola, já dizia Gonzagão, para um homem que é são, ou lhe mata de vergonha, ou vicia o cidadão. E é isso que estamos assistindo, pois segundo o discurso da presidenta, são 55 milhões de pobres abastecidos com dinheiro público, o que mitiga um pouco a pobreza, mas não a resolve. Espalha-se o terrorismo de Estado em busca do poder ameaçando-se esta enorme e carente massa humana de que se votar contra o PT perderão seus parcos ganhos. É uma infâmia. Pagamos pela secular desigualdade na distribuição da renda no Brasil que é injusta e crônica, além de não interessar aos políticos uma solução de primeiro mundo.

    Nosso país vai passar por maus momentos independente de quem vai ganhar as eleições. Os preços de combustível e energia estão sendo mantidos a garrote por causa das eleições. Não tem como segurar o aumento na área de energia. A inflação é muito maior do que o que se informa. Vem arrocho e não tem como evitá-lo a curto prazo. A dívida interna é gigantesca e faz a festa dos bancos. O consumo interno não crescerá porque a população está endividada em patamares nunca visto antes. O setor industrial sofre com a falta de competitividade e investimentos. Falta mão de obra qualificada. A dívida da Petrobras chega a mais de 200 bilhões de reais, só ela. Enfim, um quadro sombrio.

    Mas, voltando às eleições, o que ocorrerá amanhã? Será que as pesquisas se confirmarão e mesmo com o mar de lama em que o governo está afundado a Sra. Dilma Rousseff será reeleita? Se assim for e houver lisura nas apurações, que se respeite a vontade dos eleitores, pois afinal cada povo tem o governo que merece e elege.

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  • Em concurso recente de amplitude nacional, tive uma de minhas poesias de cordel selecionadas para fazer parte de uma Antologia Poética a ser publicada em breve. Farão parte do livro 250 poetas de diversos estilos escolhidos entre mais de 2000 inscritos. A poesia selecionada foi Dunas de Natal cujo mote foi: “Passeando nas dunas tão desérticas, percebi como é grande a natureza”. É um martelo com versos em decassílabos.

  • Um novo ano calendário também renova a oportunidade de se repensar a própria vida. A maior parte das pessoas vive em uma correria na busca do sustento e da escalada social e nessa busca acaba esquecendo de se cuidar. A equação de muitas pessoas (inclusive a minha) privilegiou até hoje o trabalho, o emprego, a familia, os amigos, o lazer e por último a saúde. Mas, quando você passa um grande susto e escapa dele deve repensar a relação com a vida. Primeiro vem a SAÚDE, depois a FAMÍLIA, depois o TRABALHO. O trabalho ou a renda proporciona a oportunidade  de se conseguir o restante  como lazer e tempo para os amigos. Esta é a grande mudança. Vamos da teoria à prática em 2013.

    Sucesso a todos nós

  • Não é de hoje que venho observando. A imprensa marronzista passou a me atacar novamente. Olhe a Veja, Isto é lá Época de se meter na vida alheia. Tudo porque fui lembrar do tempo que eu era o chefe. Empreguei uns sujeitos traidoristas que, agora depois que eu saí, tão tudo criando asa. Não pedi para adiar coisa nenhuma, pois afinal pra que adiar se não acho preciso fazer.

    Mas, querem fazer. Querem meu impitche depois da saída, só porque dei uma sugestão. Tão armando uma tal de CPI – Cambada Pelo Impitche pra me processar post moribundus est.

    E o motivo do minha solicitação era uma besteira só. Uns cabras velhos companheiros de farras e guerras etilônicas foram acusados de receber mensalão, o que era verdade só pela metade. Também tinha quinzenão e semanão, pois dependia só de votação. Tudo muito normal. E votação era o que não faltava. Mas a plebe populachiana quer ver sangue. Quem está lá pedindo já bebeu no mesmo copo e comeu no mesmo prato.

    A conversa foi de bastidores e palco oculto, portanto sujeita a malentendidos e outras mazelas do mesmo tipo. Se apertar é claro que vou negar, pois sempre dá certo.

    Não sou chegado a receber conselhos, pois vivem me dizendo que ficar doente já foi um aviso preu me aposentar. Mas, sou teimoso, quero estar no meio da folia, da farra política, ou não sou eu. Se precisar me aliar, me junto até com o turco que também já foi prefeito e governador. Em política não tem escândalo, tem conchavo e cumpadre. É isso aí. Quem achar ruim que se exploda.

     

  • Estou entrando em uma nova era. A era de ser avô. Em um intervalo de uma semana nasceram nossos dois primeiros netos o que deixou toda a família feliz. Fico perguntando: Será que vão gostar de ler e escrever? Quem vai gostar mais de Fusca? Quem ficará com os fuscas do vovô? Ou ficarão? Não sei: é o início de um novo tempo. Espero conviver com eles ao longo de muitos anos, o tanto que Deus me permitir. Bem vindos sejam.

    Chegaram João e Vicente

    Nos encheram de alegria

    O amor que a gente sente

    Nos enche de euforia

    O que é bem evidente

    Conforme a gente previa.

     

     

     

  • Este cordel foi um presente para uma amiga guerreira e gente muito boa.

    I

    Eita a mulher é de Touro

    Nasceu em cinco de maio

    Não engole desaforo

    Nem encara de soslaio

    Se precisar canta em coro

    Carrega cesto e balaio

    II

    Na capital do Oeste

    Nossa bela Mossoró

    Terra de cabra da peste

    E de São João com forró

    No coração do Nordeste

    Só se produz o melhor

    III

    Lá nasceu Clélia Maria

    Por Aurelinda parida

    Pois em Patú não daria

    Pra garantir sua vida

    Pois o parto arriscaria

    Perder a filha querida

    IV

    De Mossoró pra Patú

    Subindo a Serra do Lima

    Catar cajá e umbu

    Seja em baixo ou seja em cima

    Sob aquele céu azul

    Lá viveu quando menina

    V

    Depois dela veio mais sete

    Para trazer alegria

    Pois ao poeta compete

    Registrar nesta poesia

    Que nestes versos repete

    A história de Josias

    VI

    Josias é que foi o pai

    De tão numerosa prole

    Da cana o caldo que sai

    Com pão doce a gente engole

    Assim a força não cai

    E o cabra não fica mole.

    VII

    Clélia foi pra Caicó

    Pra morar com a família

    Escolheram o Seridó

    Pra criar filhos e filhas

    Levaram a cana e o nó

    Cachorro e toda a mobília

    VIII

    Foi assim que ela cresceu

    Tomando caldo de cana

    O ping pong  aprendeu

    Era uma atleta bacana

    Uma chama se acendeu

    Lá na terra de Santana

    IX

    Nossa moça decidida

    Se mandou pra capital

    Deixou a terra querida

    Pra morar noutro local

    Queria vencer na vida

    Na cidade do Natal

    X

    Estava com dezessete

    Tinha coragem de bicho

    Foi num caminhão roquete

    Pra buscar o seu capricho

    Porque não tem quem conserte

    Quem vai atrás de seu nicho

    XI

    Enfrentou frio e poeira

    Em cima de um caminhão

    Escapou da tremedeira

    Vestindo a rede e o surrão

    Corajosa e verdadeira

    Acompanhou o irmão

    XII

    Estudou pedagogia

    Se formando professora

    Ensinou com galhardia

    No assunto era doutora

    Paulo Freire era seu guia

    A educação redentora

    XIII

    Curte Xangai e Elomar

    Baianos bons de viola

    Vital de Taperoá

    Também vai na sua cola

    Poria os três a cantar

    Pois nenhum deles enrola

    XIV

    O poeta popular

    Com ela tem sua vez

    Fez Jussier se ajoelhar

    E recitar em francês

    Amazan cumprimentar

    Fraseando em japonês

    XV

    De norte ao sul do Brasil

    Conhece cada pedaço

    Do belo sul varonil

    Até o vale do aço

    No nosso céu cor de anil

    Voou achou seu espaço

    XVI

    Em São Luís viu os bois

    Carregados na cacunda

    Lá se planta muito arroz

    Uma cultura fecunda

    Lá Maranhão, pois, pois

    É que o babaçu abunda

    XVII

    Gosta de dançar forró

    Arroxandim pé de serra

    Quando demora é melhor

    Se divertir nessa guerra

    Com um par ou até só

    Balança o corpo e não erra

    XVIII

    Enfrentou duras batalhas

    Pra defender sua vida

    Foi com a saúde falha

    Que ficou mais aguerrida

    Nem no fio da navalha

    Deu a guerra por perdida

    XIX

    Amou com muita paixão

    Às vezes uns dissabores

    Nem sempre um sim ou um não

    Preenche todas as cores

    Com amor no coração

    A gente supera as dores

    XX

    Rede de largas varandas

    Pra gente timbungar nela

    Seja Vera ou seja Vanda

    No terraço ou na janela

    Ouvindo o toque da banda

    Ou areando a panela

    XXI

    Também é fada madrinha

    De Vivian e Rodrigo

    De Janeeyre a sobrinha

    E de mais de cem amigos

    Tem condão sem ter varinha

    Isto com certeza eu digo.

    XXII

    Para você neste dia

    Desejo de coração

    Muita amizade e alegria

    Saúde e animação

    O poeta que vos fala

    Também morou no sertão.

     

    Natal, 05 de maio de 2012

    Mestre Marcolino

     

  • Depois de um carnaval gripado fui premiado com uma diverticulite novamente. Sim porque no Natal de 2009 emplaquei uma e quase passo dessa para melhor. Dois anos e um mês depois a marvarda me pega de novo e lá fui eu para hospital por cinco dias e todo o sofrimento repetido. Mas, graças a Deus e Nossa Senhora de Fátima e aos médicos e pessoas que me atenderam saí da crise e voltei à ativa. A vida é assim, sempre cheia de surpresas. Agradeço às forças divinas e a minha mulher que não mediu esforço para me acompanhar e ajudar a me curar. Aos muitos que rezaram, agradeço, pois as orações têm muita força.

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  • Comecei a me preparar para o carnaval na sexta-feira, ao chegar em casa e sentir dor na garganta. Foi o começo do meu repouso obrigatório e hoje domingo só piorei da gripe. Aqui só existe carnaval em alguns pólos de folia como as praias de Pirangi, Redinha e no bairro da Ribeira à noite onde acontece, acreditem, o desfile das escolas de samba de Natal. Pois é aqui na capital do RN tem desfile de escolas de samba. Já assisti um há alguns anos e não me decepcionei. Considerando a falta de tradição e de recursos acho que fizeram demais. Amanhã a cidade vai ficar mais parada ainda, pois todo o comércio fecha devido ao dia do comerciário. Afinal também são filhos de Deus.

    Ou seja, está ótimo para não fazer nada. Mas, vou tuitar, ler e escrever se aguentar.

    I

    Oh mas que gripe marvada

    Que me faz sofrer tossindo

    Tá um chuva danada

    Não vejo o céu se abrindo

    Como estou sem fazer nada

    Levo o meu tempo cuspindo

    II

    Como é ruim a tar da gripe

    Dói os peito e a cabeça

    Pior só dor de artrite

    Não tem cristão que mereça

    Traz a coriza e rinite

    E mais coisa que apareça

    Natal/RN – Domingo de carnaval – 2012

     

     

     

  • Chegar aos 90 anos lúcida e com pleno domínio de atos e atitudes é uma benção. Pois é, minha mãe Dona Lourdinha como é conhecida por alguns, ou Veloso por outros chegou lá. Fizemos um encontro para marcar a data. Registrei um pouco de nossa história em um cordel.

    Lourdinha chega aos 90

    I

    Lourdinha chega aos noventa

    Como uma brava guerreira

    Pois ela se reinventa

    Não tem pressa, nem carreira

    Coração forte que agüenta

    A vida sem brincadeira

    II

    Sabe tudo o que acontece

    Porque não falta quem conte

    Conversa que não merece

    Também escuta de monte

    Porém o que lhe apetece

    Nem sempre jorra da fonte

    III

    De vinte e dois para cá

    Viveu e teve conforto

    Viu Lampião se acabar

    O Brasil andando torto

    Sem um bom pra governar

    Porque o bom nasce morto

    IV

    Andou no trem dos ingleses

    De jipe cinqüenta e sete

    Na terra dos portugueses

    Só vai com noventa e sete

    E na Paris dos franceses

    Em dois mil e dezessete.

    V

    A cabeça não se esquece

    De data e acontecimento

    Por que se isso acontece

    Vira logo um sofrimento

    Às vezes até se aborrece

    Pois tem muito sentimento

    VI

    Tinha medo de trovão

    De raio e chuva de vento

    Conheceu Napoleão

    Casou e veio um rebento

    Seguido por um montão

    De tanto embarrigamento

    VII

    Do sertão ao litoral

    Viajava a todo instante

    Mas não foi a Portugal

    Nem na terra de Cervantes

    Mas viu a missa papal

    E a vida seguiu avante

    VIII

    E mesmo sendo baixinha

    É grande a vitalidade

    Com ajuda da vizinha

    Ia pra maternidade

    Nasceu oito criancinhas

    Todos na melhor idade

    IX

    Morou no revezamento

    Em Natal e Caicó

    Sem nenhum constrangimento

    Mudava para melhor

    Não teve arrependimento

    Quando foi pro Seridó

    X

    Viver uma longa vida

    É uma benção do divino

    Não é rua, é avenida

    Na história do destino

    De uma mulher aguerrida

    Que criou muito menino

    XI

    Jamais gostou de dançar

    Nem andar de avião

    Quando é para viajar

    Prefere andar pelo chão

    Pela estrada a rodar

    De jipe ou de caminhão

    XII

    Quando ia pra Santa Rita

    Pras festas do fim do ano

    Falava com a modista

    Pra encomendar os panos

    Pra se vestir como artista

    E ir encontrar os manos

    XIII

    A caravana saía

    Com destino a Paraíba

    Por Campina Grande ia

    Sem passar por Macaíba

    Levando as suas Marias

    Pra sombra da Itaíba

    XIV

    Os meninos também iam

    Completando toda prole

    Uns choravam, outros caíam

    Mas não tinha ninguém mole

    De tudo um pouco comiam

    De galinha a rocambole

    XV

    Napoleão viajava

    No rumo da capital

    E Lourdinha então ficava

    De comandante geral

    Enquanto ele voltava

    Da cidade do Natal

    XVI

    Morou na Jaguarari

    Onde fez muita amizade

    Com as vizinhas dali

    Havia felicidade

    Bebezinha de Valdir

    Com filho da mesma idade

    XVII

    Uma vez eu me perdi

    Quando voltei da escola

    Numa situação me vi

    Sem destino e sem sacola

    Foi ali que aprendi

    Que às vezes ninguém dá bola

    XVIII

    Aquele acontecimento

    Me ensinou a ser esperto

    Gravando a todo momento

    Pra chegar no rumo certo

    Eu chego olhando pro vento

    Me acho em qualquer deserto

    XIX

    A Lourdinha andou de sopa

    Em misto com chapeado

    Eu viajava de toca

    Pra não pegar resfriado

    Vestia uma boa roupa

    Tinha que andar arrumado

    XX

    Nos levava pra consulta

    Com o tal doutor Jamil

    Que vivia na labuta

    Dum jeito que já sumiu

    Com as ciências ocultas

    Muito pouca gente viu

    XXI

    O velho de olhar felino

    Pela unha consultava

    Verminose de menino

    Doença que vomitava

    Os males do intestino

    E o que gente cagava

    XXII

    No sítio de seu Alfredo

    Se sentia a natureza

    Puxar a água bem cedo

    Da cacimba era beleza

    O que nos metia medo

    Era a sua profundeza

    XXIII

    Lourdinha de muitos filhos

    Arranjou muitas comadres

    Passeando pelos trilhos

    Conheceu muitas cidades

    Pessoas de muito brilho

    E muito mais de dez padres

    XXIV

    Sempre com o terço na mão

    Rezando à noite e de dia

    Entoando uma canção

    Lembrando a cova da Iria

    Onde a houve aparição

    Da nossa Santa Maria

    XXV

    Viveu na religião

    Freqüentava a sua igreja

    Pra nós fazia oração

    Com uma reza benfazeja

    Com a fé no coração

    E em Jesus aonde esteja

    XXVI

    Quando chegou aos oitenta

    Houve uma copa do mundo

    O Brasil chegou ao penta

    Com Ronaldo pé no fundo

    O Felipão se apoquenta

    Com jogador vagabundo

    XXVII

    Recitando dez mil versos

    Não se conta toda a história

    Com humildade confesso

    Me falta um pouco a memória

    Por aqui eu me despeço

    À minha mãe toda a glória.

     

    Natal/RN, 11 de fevereiro de 2012.