• Em 2009 escrevi a primeira parte do Martelo do Fim do Mundo, baseado na hecatombe provocada pelo Katrina. Com o andar da carruagem, a revolta da mãe Terra aumentou, com vulcões das terras geladas acordando e parando o tráfego aéreo na Europa com erupções nunca vistas, terremotos em vários lugares, culminado com o do Japão com tsunamis destruidoras e afundando o país em mais de um metro. Muita gente morrendo, muita destruição e pouco aprendizado. Não se respeita a natureza e terminamos todos pagando um alto preço por isso. Vamos preservar os recursos naturais. Já é um pouco tarde, mas, antes tarde, do que nunca.

    Martelo do fim do mundo – Parte II

    I

    Quando o céu se revolta e a chuva cai

    Com a força de raios e trovões

    Como tiros de mais de mil canhões

    Uma frota de trens ou muito mais

    Destruindo e acabando tudo vai

    Sendo a água a arma dessa guerra

    Avançando com ira pela terra

    Como força sem fim da natureza

    Este mundo se acaba com certeza

    Pela água, com fogo ou pela terra.

    II

    Tsunami é o nome de uma onda

    Que por pouco não acaba com o Japão

    Trinta metros de água desde o chão

    Tão veloz que parece a super Honda

    E embora eu pergunte e não responda

    Com que força ela chega aqui na Terra

    É mortal o impacto que ela encerra

    Provocando muita dor, muita tristeza

    Este mundo se acaba com certeza

    Pela água, com fogo ou pela terra.

    III

    Quando a água vital desaparece

    E a seca se espalha pelo chão

    Mato seca se espalha de montão

    De repente a mata se aquece

    Um incêncio do nada aparece

    Avançando do mar até a serra

    Em Natal, Barcelona ou em Camberra

    Preservar é sinal de esperteza

    Este mundo se acaba com certeza

    Pela água, com fogo ou pela terra.

    Em Natal, 01 de junho de 2011

     

     

  • Na atual sociedade de consumo na maioria das vezes as pessoas medem o seu sucesso principalmente pelo que conseguem em bens materiais. Nada contra, pois sem dinheiro fica difícil obter o que se precisa para sobreviver. Entretanto, essa busca desenfreada pelo $uce$$o, quando não é coroada do êxito  que a pessoa espera, leva muita gente à frustação, decepção e o que é pior, à depressão. Por que isto acontece? Porque falta fé em si próprio. Quando você não vence a culpa não é do mundo, e talvez não seja totalmente sua. Mas a derrota só é total quando você desiste de você.

    I
    Lutar e não desistir
    Não perder a esperança
    Ter fé sempre persistir
    Que depois vem a bonança
    Ser feliz no existir
    Mantendo a perseverança
    II
    Deus em primeiro lugar
    Faz a coisa acontecer
    Mas, é preciso lutar
    Desde até o amanhecer
    É preciso pelejar
    Não desistir de crescer
    III
    Nada vem fácil na vida
    Toda conquista é suada
    Depois da seca ardida
    Sempre vem a invernada
    Após a luta renhida
    A conta fica abonada
    IV
    A força todos nós temos
    Jamais deixe arrefecer
    Pois a fé no que nós cremos
    Mostram um novo renascer
    Com um olhar novo te vemos
    Não desista de você.

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  • Volto a escrever no meu blog depois de uma pausa para concluir o meu novo livro. Foi batizado como “Conversa de Matuto”. Está saindo do forno e breve, muito breve estará disponível em papel nas livrarias e como e-book através do site. É um livro de cordel que reúne parte do que eu já publiquei em folhetos e uma parte ainda não publicada.

    Tem mais algumas novidades. Vou lançar uma página com receitas dos diversos rincões que visito por esse Brasil afora na coluna “Culinária em Verso e Prosa”.

    Vem muito mais por aí. Aguardem.

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  • Por volta dos idos de 80, constumávamos nos reunir em família às sextas-feiras e convidar alguns amigos para um joguinho de canastra. Varávamos a noite entre goles de whisky, tira-gosto e boas conversas. Um dos frequentadores assíduos da residência de um primo era um profissional de comunicações muito conhecido no Recife. Chamava-se Fernando Castelão. Ficara famoso por apresentar um dos primeiros programas de TV ao vivo no início da década de 60, o Você faz o Show. Salvo engano era na Tv Jornal do Commercio. Muito bem, Castelão era um grande contador de histórias e tinha uma verdadeira coleção de causos e casos, quase sempre temperados com muito humor e muitas vezes com versos.

    Contou certa vez, que um grupo de cidadãos já na terceira para a quarta idade, costumava se encontrar pelas manhãs na praça de Casa Forte, um bairro nobre do Recife. Reuniam-se aposentados de diversas profissões no amanhecer da capital pernambucana para caminhar e prosear, geramente falando do que já tinham feito. Ocorre que, neste mesmo horário, também costumavam frequentar a praça uma grande quantidade de secretárias do lar que tinham como primeira tarefa do dia, levar os cachorrinhos das madames para passear e descarregar no local enquanto as patroas dormiam. Eram um deleite para os velhinhos. À medida que a idade avança e a vista encurta, as mulheres ficam cada vez mais bonitas. E elas provocavam os vovôs.

    Mas, tinha uma que era especial. Morena com seus 22 anos, alta, altiva, pernas bem torneadas, um charme só. Além disso, tinha uma bunda perfeita, parecia feita à mão por um escultor talentoso. Foi demais para um juiz que também era poeta. Fez uma homenagem justíssima aos atributos da moça. Nunca soube seu nome para dar os créditos ao autor.

    ELEGIE À BUNDA

    Quando ela passa, todo mundo espia

    Não para a cara que não é formosa,

    Mas, para a bunda que é maravilhosa.

    Em bunda nunca vi tanta magia,

    Quebra, requebra, rodopia,

    Numa sensação vertiginosa.

    E deve ser assim uma bunda cor de rosa,

    Da cor do céu quando desponta o dia.

    E ela que sabe que sua bunda é boa,

    Segue faceira e rebolando à toa.

    E eu fico aqui, extasiado e mudo,

    Não pela cara que não vale nada,

    Mas pela bunda, que é o que vale tudo.

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  • Uma homenagem à nossa diversidade, nossa mistura de raças e cores, odores e sabores, artistas e atores e tudo o mais que nos rodeia nesse país abençoado.

     

    NOSSO BRASIL MULTICORES

    I

    EU SOU UM BRANCO CAFUSO

    NASCIDO AQUI NO NORDESTE

    RESPEITO A LEI, NÃO ABUSO

    NEM PRECISO FAZER TESTE

    MAS QUER ME DEIXAR CONFUSO

    CRITIQUE A ROUPA QUE USO

    EU VIRO UM CABRA DA PESTE

    II

    O BRASIL DE MUITAS RAÇAS

    EM APARENTE HARMONIA

    RECEBEU EM SUAS PRAÇAS

    PRA VIVER NA SERVENTIA

    ESCRAVOS QUE POR DESGRAÇA

    AQUI NESSA VIDA PASSA

    SEM RECEBER ALFORRIA

    III

    PRA CÁ VEIO JAPONÊS

    CHINÊS E ITALIANO

    ALEMÃO E PORTUGUÊS

    ESPANHOL E ANGOLANO

    IRLANDÊS E ESCOCÊS

    AMERICANO E FRANCÊS

    ARGENTINO E JAMAICANO

    IV

    A POPULAÇÃO NATIVA

    AMERÍNDIOS RESIDENTES

    ALI NA MATA CATIVA

    VIVIAM MUITO CONTENTES

    MAS O BRANCO NA OITIVA

    NÃO INCLUIU NOS CONVIVAS

    FEZ OS ÍNDIOS INDIGENTES

     

    V

    NOSSO POVO BRASILEIRO

    TEM MUITA DIVERSIDADE

    JÁ TEM MUITO ESTRANGEIRO

    QUE AQUI VIVE À VONTADE

    MISTUROU TUDO LIGEIRO

    GRINGO VIROU BATUQUEIRO

    CASOU NA COMUNIDADE

    VI

    ASSIM COM TANTA MISTURA

    EM TANTAS NATIVIDADES

    TÊM A MAIOR FORMOSURA

    AS NOSSAS LINDAS BELDADES

    LOIRAS, MORENAS, FOFURAS

    MULATAS QUE BELESURA

    É MUITA VARIEDADE

    VII

    NOSSA LÍNGUA PORTUGUESA

    NO BRASIL É BEM JOCOSA

    NO SUL RELEMBRA A NOBREZA

    NO NORDESTE É CAVILOSA

    ISTO É QUE FAZ A BELEZA

    O TEXTO SEM AVAREZA

    NO SOTAQUE EM SUA PROSA

    VIII

    NO SUL SE FALA TICHÊ

    JÁ NO NORDESTE É OXENTE

    EM MINAS UAI SE VÊ

    EM SÃO PAULO É DIFERENTE

    LÁ FALA TU, NÃO VOCÊ

    E OUTROS PEREPEPÊ

    CONFUNDE A CUCA DA GENTE

     

     

    IX

    NOSSO PAÍS UM GIGANTE

    DE REGIÕES DIFERENTES

    NO SUL O VENTO CORTANTE

    NO NORTE CHUVA FREQUENTE

    NORDESTE SECA CONSTANTE

    LEMBRA O INFERNO DE DANTE

    TRAZ O SOFRER PROS VIVENTES

    X

    NO NORDESTE TEM CAATINGA

    NO NORTE MATA FECHADA

    NO SUL EXISTE A RESTINGA

    NO SUDESTE A INVERNADA

    NO CENTRO OESTE MANDINGA

    NATUREZA CHORAMINGA

    O FIM DA MATA CERRADA

    XI

    TEMOS SAMBA E BOSSA NOVA

    UM BOM FORRÓ PÉ DE SERRA

    BEBENDO NA FONTE NOVA

    CANTAM AXÉ NA BOA TERRA

    SERTANEJO QUE INOVA

    O POVÃO GOSTA E APROVA

    DECORA A LETRA E NÃO ERRA

    XII

    BUMBA MEU BOI MARANHENSE

    FAZ FOLIA NO SÃO JOÃO

    NO CARNAVAL RECIFENSE

    SE DANÇA FREVO A ROJÃO

    NA BAHIA NINGUÉM VENCE

    A ALEGRIA CIRCENSE

    DE IVETE E SEU CORDÃO

     

     

    XIII

    A MAIOR FESTA DO MUNDO

    O CARNAVAL CARIOCA

    TEM SENTIMENTO PROFUNDO

    MUITA MUDANÇA PROVOCA

    JOSÉ, MARIA E OSMUNDO

    SÃO BARÕES POR UM SEGUNDO

    MUITA SAUDADE EVOCA

    XIV

    A ESCOLA SEGUE A PÉ

    EM LINDA COREOGRAFIA

    SÓ TEM PASSISTA PELÉ

    SAMBANDO COM MAESTRIA

    FALSOS CONDES DE BONÉ

    TRAZENDO O SAMBA NO PÉ

    EM PERFEITA ALEGORIA

    XV

    NOSSO ESPORTE PREFERIDO

    DESPERTA GRANDES PAIXÕES

    É DE LONGE O MAIS QUERIDO

    CAMPEÃO DAS MULTIDÕES

    E AINDA FOI UNGIDO

    COM UM REI NEGRO NASCIDO

    ALI EM TRÊS CORAÇÕES

    XVI

    ALÉM DE NOSSAS FRONTEIRAS

    TEMOS A COPA DO MUNDO

    MANDELA E SUA BANDEIRA

    FEZ UM TRABALHO FECUNDO

    LUTOU UMA VIDA INTEIRA

    SOFREU DE TODA MANEIRA

    DEU SEU RECADO PROFUNDO

     

     

    XVII

    RACISMO E SEGREGAÇÃO

    NÃO É POSSÍVEL ACEITAR

    NÃO SE FAZ UMA NAÇÃO

    LUTANDO PRA SEPARAR

    POR ISSO A MELHOR AÇÃO

    É FAZER A UNIÃO

    E A TODOS EDUCAR

    XVIII

    NOSSO BRASIL É MESTIÇO

    E ESSA É NOSSA BELEZA

    É ESSE O NOSSO FEITIÇO

    DIGO COM TODA CERTEZA

    É FUNDAMENTAL QUE ISSO

    NÃO PROVOQUE REBULIÇO

    E NEM DEMONSTRE FRAQUEZA

    XIX

    POIS É A DIVERSIDADE

    DE UM BRASIL MULTICOR

    NOSSA MAIOR QUALIDADE

    O NOSSO CASO DE AMOR

    PRA NOSSA FELICIDADE

    É ESSA REALIDADE

    QUE FAZ O NOSSO ESPLENDOR

    XX

    O BRASIL É BEM DIVERSO

    EM CLIMA E PROSPERIDADE

    TAMBÉM NA RIMA E NO VERSO

    TEM MUITA VARIEDADE

    POR ISSO AMIGO PROFESSO

    QUE ESTE NOSSO UNIVERSO

    É O MELHOR DE VERDADE

     

     

    XXI

    EM FUTEBOL SOMOS PENTA

    UMA PAIXÃO BRASILEIRA

    O NOSSO VÔLEI ARREBENTA

    COM PONTARIA CERTEIRA

    AQUI NINGUÉM SE CONTENTA

    O CORAÇÃO NÃO AGUENTA

    SER UM VICE NA CARREIRA

    XXII

    ESPORTE E RELIGIÃO

    NÃO DÁ NEM PRA DISCUTIR

    PARTE DO MUNDO É PAGÃO

    UM MODO DE EXISTIR

    PODENDO VIVER CRISTÃO

    OU OUTRA RELIGIÃO

    SER MUÇULMANO E FAQUIR

    XXIII

    RESPEITAR AS DIFERENÇAS

    É O QUE TODOS ESPERAM

    VIVENDO SEM DESAVENÇAS

    TODOS OS POVOS PROSPERAM

    NINGUÉM ESPERA QUE VENÇAM

    A LEI DAQUELES QUE PENSAM

    QUE PELA FORÇA LIDERAM

    XXIV

    COM LIBERDADE E RESPEITO

    O MUNDO VIVE MELHOR

    PORQUE GENTE SEM DEFEITO

    NÃO SE ENCONTRA AO REDOR

    POIS O TAL DO PRECONCEITO

    FERE A TODOS NO DIREITO

    DE VIVER COMO ELE SÓ

     

     

    XXV

    CADA UM GOSTA DE UM JEITO

    É PRECISO PACIÊNCIA

    POIS NINGUÉM NASCE PERFEITO

    ISTO É REAL NA ESSÊNCIA

    NÃO SE DEVE ESTAR SUJEITO

    A QUE SE FALTE AO RESPEITO

    E NÃO AJA COM DECÊNCIA

    XXVI

    O CANTADOR NORDESTINO

    É UM POETA CANORO

    POIS É DOM DO SEU DESTINO

    RECITAR VERSO SONORO

    A PALAVRA VIRA HINO

    NUMA RIMA QUE É O FINO

    É UM MOMENTO QUE ADORO

    XXVII

    NOSSA ARTE NA RETRETA

    TEM OPERETA E BAIÃO

    TEM MESTRE NA CLARINETA

    TEM DOUTOR EM VIOLÃO

    TEM BERIMBAU COM BAQUETA

    TEM TOCADOR DE TROMBETA

    ZABUMBA E ACORDEÃO

    XXVIII

    O QUE SERIA DO MUNDO

    COM TODAS COISAS IGUAIS?

    UM MUNDO SÓ DE RAIMUNDOS

    DE JOSÉS OU GENIVAIS?

    ERA UM BURACO SEM FUNDO

    COM O FORMATO ROTUNDO

    SEM SABER PRA ONDE VAI

     

     

    XXIX

    O DIREITO É GARANTIDO

    PELA CONSTITUIÇÃO

    NÃO PODE SER REPRIMIDO

    QUEM TEM OUTRA OPÇÃO

    POIS NÃO PODE SER BANIDO

    QUEM USA SUA LIBIDO

    POR SUA CONVICÇÃO

    XXX

    SOU POETA NORDESTINO

    NO INVERNO E NO VERÃO

    PELOS MEUS VERSOS AFINO

    O CANTAR DO MEU BORDÃO

    RIMA PRA MIM É O FINO

    O CORDEL É MEU DESTINO

    POESIA É MINHA PAIXÃO

    XXXI

    MAS HÁ QUEM GOSTE DO VERSO

    ESCRITO EM FORMA DE PROSA

    DRUMMOND DE TANTO SUCESSO

    RECITOU SEM FAZER GLOSA

    UM ESTILO BEM DIVERSO

    QUE FEZ UM GRANDE PROGRESSO

    NA POESIA E BOSSA NOVA

    XXXII

    ESSE É MEU ENTENDIMENTO

    RESPEITO A DIVERSIDADE

    O MUNDO A CADA MOMENTO

    ENTENDE ESSA VERDADE

    NÃO PODE HAVER SENTIMENTO

    FOMENTANDO O SOFRIMENTO

    SER CONTRA A VARIEDADE

     

     

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  • O Natal é especialmente representativo para mim. No Natal de 2009 sofri um grande susto, pois passei mal na hora da ceia e acabei internado por três dias em um hospital. Jamais esquecerei pois tudo na vida tem um profundo significado. O que aconteceu foi um alerta, e mais do que nunca, nessas horas é que sentimos como é bom viver. Agradeço às divinas forças que me ajudaram a sair da crise e reviver. Obrigado Senhor.

    I

    Pra sentir como a vida é preciosa

    É preciso sofrer um grande susto?

    Não concordo e também não acho justo

    Caminhar por estrada tortuosa

    Pois viver de uma forma harmoniosa

    É o jeito mais sábio e dadivoso

    Existir pelo modo virtuoso

    Valoriza este dom que Deus nos deu

    Que é real para o rico e o plebeu

    Pois viver, é em si, maravilhoso

    II

    Levo a vida comigo sem temores

    Pois aceito os ditames do destino

    Ao sofrer de um mal no intestino

    No Natal padeci de muitas dores

    O vermelho pintando as outras cores

    A chegar numa forte hemorragia

    Me levando a sofrer grande agonia

    Internado naquele nosocômio

    Que me fez perder peso e patrimônio

    Pra ganhar minha carta de alforria

    III

    Ao saber o valor da assistência

    Quase volto a sofrer internamento

    Pois a conta incluindo apartamento

    Me deixou em estado de dormência

    Paciente precisa paciência

    E sentir que a vida vale mais

    Vou avante, não vou olhar pra trás

    E tentar melhorar daqui pra frente

    Evitar sentir tudo novamente

    Mas passar pela dor, não quero mais.

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  • MOTE

    Marcolino é rapaz muito garboso

    Protetor, defensor das perseguidas

    I

     O menino chegou botando banca

     Encerrando a era de quarenta

     Começou a crescer lá nos cinqüenta

     E mamou na mãe negra e na mãe branca

     Resolvendo fazer ninguém estanca

     Encontrou na mulher da sua vida

     O seu porto, seu amor, sua guarida

     Que é também o seu bem mais precioso

     Marcolino é rapaz muito garboso

     Protetor, defensor das perseguidas

    II

    Foi vivendo e forjando seus princípios

    Numa luta tenaz trabalhadeira

    Retratada de forma verdadeira

    Construída com muitos sacrifícios

    Uma história com erros, mas sem vícios

    Sob a benção da mãe compadecida

    Enfrentou sua guerra, sua lida

    Se esforçou, foi valente e corajoso

    Marcolino é rapaz muito garboso

     Protetor, defensor das perseguidas

     III

    Namorou com Maria Antonieta

    Chateou o chefão Napoleão

    Que mandou lhe prender lá no porão

    Empurrado, estocado em baioneta

    Sob o toque tristonho da corneta

    Viu chorar muitas damas desvalidas

    Condenado de forma descabida

    Num processo pra lá de duvidoso

    Marcolino é rapaz muito garboso

     Protetor, defensor das perseguidas

    IV

    Brasileiro que é bom, tempo não nega

    Os sessenta chegaram em bom momento

    Tudo em paz, sem ter dor nem sofrimento

    Vai em frente, não cai nem escorrega

    Ao amar não se rende, só se entrega

    Namorou Bernadete e Margarida

    Conheceu e gostou de dona Ida

    Num forró pé de serra bem famoso

    Marcolino é rapaz muito garboso

     Protetor, defensor das perseguidas

     

    Natal/RN, 21 de novembro de 2009

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  • Todo bom engenheiro de obras tem alguma coisa para contar. Nos anos setenta rolava o PLANASA em Recife e presenciei uma cena que só acreditou quem viu. Contei em prosa no livro Caçando Jaburu e outra Histórias e vai aqui nos versos do cordel. 

    A ANTENA DA RADIO FALOU SOZINHA

    I

    Prezado amigo leitor

    Que me dá sua atenção

    Aconteceu no Recife

    E eu narro com emoção

    No bairro Casa Amarela

    Desse querido rincão

    II

    Estava em curso o PLANASA

    Pra fazer saneamento

    A COMPESA trabalhava

    Pra cumprir o fundamento

    Na Rua da Harmonia

    Só tinha cano e cimento

    III

    Ali com as valas cavadas

    No meio de água e lama

    A gente montava os tubos

    Pra levar água bacana

    Para os lares de Recife

    Que antes tinha má fama

    IV

    Má fama da água ruim

    Servida sem tratamento

    Que tinha muitas doenças

    Matando a todo o momento

    Homem, mulher e menino

    Sem qualquer constrangimento

    V

    O Recife padecia

    Com águas de muitas cheias

    Dos dois rios e canais

    Que corriam em suas veias

    Pelas ruas e avenidas

    E a coisa ficava feia

      VI

    Ali ninguém escapava

    Nem o pobre, nem o rico

    A lama cobria tudo

    Com lixo, merda e pinico

    De dia o pobre chorava

    De noite chorava o rico

    VII

    A cheia veio em setenta

    Depois em setenta e dois

    Vinha quase todo ano

    Não deixava pra depois

    Pra resolver a parada

    O governo se propôs

    VIII

    Precisava construir

    Barragens pra segurar

    A cheia quando ela vinha

    Para tudo inundar

    Foi feita uma em Carpina

    E outra em Tapacurá

    IX

    Essa água toda junta

    Precisava tratamento

    Pra população beber

    Sem passar por sofrimento

    Água vinda pelo cano

    E não no lombo do jumento

    X

    Lá no caminho dos canos

    Bem pertim duns pés de coco

    Tinha uma antena de rádio

    No riacho do Cavouco

    Podia matar de choque

    Todo cuidado era pouco

    XI

    E foi montando esses canos

    Que eu então presenciei

    Uma coisa tão incrível

    Quase não acreditei

    Ouvi a rádio falando

    Mas o rádio eu não liguei

     XII

    Raimundo peão do pixe

    Um cabra muito tinhoso

    Resolveu fazer um teste

    Pra ver se era perigoso

    Pulou a cerca de arame

    Era muito curioso

    XIII

    Ali no pé da antena

    Ele achou que era bacana

    Quando avistou os dois ferros

    Meio enterrados na lama

    Ver se ali dava choque

    Com um cipó de gitirana

    XIV

    Ao encostar o capim

    No meio das duas barras

    O fogo saiu de dentro

    Revelando as suas garras

    Parecia um raio do céu

    Se soltando das amarras

    XV

    Raimundo pulou de lado

    Enquanto o fogo estalava

    Então se ouviu o som

    Que da antena emanava

    Era que mesmo sem rádio

    Aquela peste falava

    XVI

    Quase ninguém acredita

    Nessa história verdadeira

    Que aconteceu no Recife

    Num dia de quarta-feira

    O povo diz que é mentira

    Coisa sem eira nem beira

    XVII

    Acreditem meus leitores

    Quando ouvi aquele som

    Saindo dali sem nada

    Num volume muito bom

    Era a PE ERRE A oito

    Tocando um samba do Tom

     

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  • Um amigo de meu primo me propôs fazer uma poesia sobre o seguinte Mote:

    UM NINHO DE PAPA CAPIM

    COM DOIS PAPA CAPIM DENTRO

    Para quem não sabe o Papa Capim é um pássaro muito canoro. Ficou assim a poesia dos Papa Capim

    I

    Nossa fauna brasileira

    Tem passarim a vontade

    Em grande variedade

    Cantam de toda maneira

    Uma ária seresteira

    No abrigo ou ao relento

    Sob a chuva ou sob o vento

    No quintal e no jardim

    Um ninho de Papa capim

    Com dois Papa capim dentro

    II

    Canário belga , sanhaço

    Sabiá e tuiuiú

    O canto do uirapuru

    Composto em belo compasso

    Tem na mata seu espaço

    Propaga seu som ao vento

    Num canto com sentimento

    Na mata espera por mim

    Um ninho de Papa capim

    Com dois Papa capim dentro

    III

    A caatinga no inverno

    É verde e muito florida

    Reproduz e gera vida

    No seu espaço materno

    Refazendo o ciclo eterno

    Produz muitos nascimentos

    E naquele lindo evento

    Avistei perto de mim

    Um ninho de Papa capim

    Com dois Papa capim dentro

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  • Um por do sol às margens do Lago de Sobradinho na Bahia, para variar degustando uma cervejinha bem gelada num calor de trinta e poucos graus. De repente uma visão digna de um quadro de Di Cavalcanti . Uma belíssima silhueta saindo da água de vestido a sacudir os cabelos negros sobre aqueles ombros morenos. Era jovem e linda naquela rusticidade sertaneja. Por um instante cheguei a pensar que vinha em nossa direção. Ledo engano, saiu da água e sumiu. Ficaram os versos.

    I

    Flor sertaneja

    De olhar tão doce.

    Quisera que fosses

    Tão linda pra mim.

    II

    Flor sertaneja

    Teu jeito brejeiro.

    Teu riso, teu cheiro

    Eu sonho pra mim.

    III

    Flor sertaneja

    Por mais que eu procure

    Aqui e alhures

    Eu não chego ao fim.

    IV

    Flor sertaneja

    Acabou meu sonho.

    Viverei tristonho.

    Não vens para mim.

     

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