• Na atual sociedade de consumo na maioria das vezes as pessoas medem o seu sucesso principalmente pelo que conseguem em bens materiais. Nada contra, pois sem dinheiro fica difícil obter o que se precisa para sobreviver. Entretanto, essa busca desenfreada pelo $uce$$o, quando não é coroada do êxito  que a pessoa espera, leva muita gente à frustação, decepção e o que é pior, à depressão. Por que isto acontece? Porque falta fé em si próprio. Quando você não vence a culpa não é do mundo, e talvez não seja totalmente sua. Mas a derrota só é total quando você desiste de você.

    I
    Lutar e não desistir
    Não perder a esperança
    Ter fé sempre persistir
    Que depois vem a bonança
    Ser feliz no existir
    Mantendo a perseverança
    II
    Deus em primeiro lugar
    Faz a coisa acontecer
    Mas, é preciso lutar
    Desde até o amanhecer
    É preciso pelejar
    Não desistir de crescer
    III
    Nada vem fácil na vida
    Toda conquista é suada
    Depois da seca ardida
    Sempre vem a invernada
    Após a luta renhida
    A conta fica abonada
    IV
    A força todos nós temos
    Jamais deixe arrefecer
    Pois a fé no que nós cremos
    Mostram um novo renascer
    Com um olhar novo te vemos
    Não desista de você.

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  • Volto a escrever no meu blog depois de uma pausa para concluir o meu novo livro. Foi batizado como “Conversa de Matuto”. Está saindo do forno e breve, muito breve estará disponível em papel nas livrarias e como e-book através do site. É um livro de cordel que reúne parte do que eu já publiquei em folhetos e uma parte ainda não publicada.

    Tem mais algumas novidades. Vou lançar uma página com receitas dos diversos rincões que visito por esse Brasil afora na coluna “Culinária em Verso e Prosa”.

    Vem muito mais por aí. Aguardem.

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  • Uma homenagem à nossa diversidade, nossa mistura de raças e cores, odores e sabores, artistas e atores e tudo o mais que nos rodeia nesse país abençoado.

     

    NOSSO BRASIL MULTICORES

    I

    EU SOU UM BRANCO CAFUSO

    NASCIDO AQUI NO NORDESTE

    RESPEITO A LEI, NÃO ABUSO

    NEM PRECISO FAZER TESTE

    MAS QUER ME DEIXAR CONFUSO

    CRITIQUE A ROUPA QUE USO

    EU VIRO UM CABRA DA PESTE

    II

    O BRASIL DE MUITAS RAÇAS

    EM APARENTE HARMONIA

    RECEBEU EM SUAS PRAÇAS

    PRA VIVER NA SERVENTIA

    ESCRAVOS QUE POR DESGRAÇA

    AQUI NESSA VIDA PASSA

    SEM RECEBER ALFORRIA

    III

    PRA CÁ VEIO JAPONÊS

    CHINÊS E ITALIANO

    ALEMÃO E PORTUGUÊS

    ESPANHOL E ANGOLANO

    IRLANDÊS E ESCOCÊS

    AMERICANO E FRANCÊS

    ARGENTINO E JAMAICANO

    IV

    A POPULAÇÃO NATIVA

    AMERÍNDIOS RESIDENTES

    ALI NA MATA CATIVA

    VIVIAM MUITO CONTENTES

    MAS O BRANCO NA OITIVA

    NÃO INCLUIU NOS CONVIVAS

    FEZ OS ÍNDIOS INDIGENTES

     

    V

    NOSSO POVO BRASILEIRO

    TEM MUITA DIVERSIDADE

    JÁ TEM MUITO ESTRANGEIRO

    QUE AQUI VIVE À VONTADE

    MISTUROU TUDO LIGEIRO

    GRINGO VIROU BATUQUEIRO

    CASOU NA COMUNIDADE

    VI

    ASSIM COM TANTA MISTURA

    EM TANTAS NATIVIDADES

    TÊM A MAIOR FORMOSURA

    AS NOSSAS LINDAS BELDADES

    LOIRAS, MORENAS, FOFURAS

    MULATAS QUE BELESURA

    É MUITA VARIEDADE

    VII

    NOSSA LÍNGUA PORTUGUESA

    NO BRASIL É BEM JOCOSA

    NO SUL RELEMBRA A NOBREZA

    NO NORDESTE É CAVILOSA

    ISTO É QUE FAZ A BELEZA

    O TEXTO SEM AVAREZA

    NO SOTAQUE EM SUA PROSA

    VIII

    NO SUL SE FALA TICHÊ

    JÁ NO NORDESTE É OXENTE

    EM MINAS UAI SE VÊ

    EM SÃO PAULO É DIFERENTE

    LÁ FALA TU, NÃO VOCÊ

    E OUTROS PEREPEPÊ

    CONFUNDE A CUCA DA GENTE

     

     

    IX

    NOSSO PAÍS UM GIGANTE

    DE REGIÕES DIFERENTES

    NO SUL O VENTO CORTANTE

    NO NORTE CHUVA FREQUENTE

    NORDESTE SECA CONSTANTE

    LEMBRA O INFERNO DE DANTE

    TRAZ O SOFRER PROS VIVENTES

    X

    NO NORDESTE TEM CAATINGA

    NO NORTE MATA FECHADA

    NO SUL EXISTE A RESTINGA

    NO SUDESTE A INVERNADA

    NO CENTRO OESTE MANDINGA

    NATUREZA CHORAMINGA

    O FIM DA MATA CERRADA

    XI

    TEMOS SAMBA E BOSSA NOVA

    UM BOM FORRÓ PÉ DE SERRA

    BEBENDO NA FONTE NOVA

    CANTAM AXÉ NA BOA TERRA

    SERTANEJO QUE INOVA

    O POVÃO GOSTA E APROVA

    DECORA A LETRA E NÃO ERRA

    XII

    BUMBA MEU BOI MARANHENSE

    FAZ FOLIA NO SÃO JOÃO

    NO CARNAVAL RECIFENSE

    SE DANÇA FREVO A ROJÃO

    NA BAHIA NINGUÉM VENCE

    A ALEGRIA CIRCENSE

    DE IVETE E SEU CORDÃO

     

     

    XIII

    A MAIOR FESTA DO MUNDO

    O CARNAVAL CARIOCA

    TEM SENTIMENTO PROFUNDO

    MUITA MUDANÇA PROVOCA

    JOSÉ, MARIA E OSMUNDO

    SÃO BARÕES POR UM SEGUNDO

    MUITA SAUDADE EVOCA

    XIV

    A ESCOLA SEGUE A PÉ

    EM LINDA COREOGRAFIA

    SÓ TEM PASSISTA PELÉ

    SAMBANDO COM MAESTRIA

    FALSOS CONDES DE BONÉ

    TRAZENDO O SAMBA NO PÉ

    EM PERFEITA ALEGORIA

    XV

    NOSSO ESPORTE PREFERIDO

    DESPERTA GRANDES PAIXÕES

    É DE LONGE O MAIS QUERIDO

    CAMPEÃO DAS MULTIDÕES

    E AINDA FOI UNGIDO

    COM UM REI NEGRO NASCIDO

    ALI EM TRÊS CORAÇÕES

    XVI

    ALÉM DE NOSSAS FRONTEIRAS

    TEMOS A COPA DO MUNDO

    MANDELA E SUA BANDEIRA

    FEZ UM TRABALHO FECUNDO

    LUTOU UMA VIDA INTEIRA

    SOFREU DE TODA MANEIRA

    DEU SEU RECADO PROFUNDO

     

     

    XVII

    RACISMO E SEGREGAÇÃO

    NÃO É POSSÍVEL ACEITAR

    NÃO SE FAZ UMA NAÇÃO

    LUTANDO PRA SEPARAR

    POR ISSO A MELHOR AÇÃO

    É FAZER A UNIÃO

    E A TODOS EDUCAR

    XVIII

    NOSSO BRASIL É MESTIÇO

    E ESSA É NOSSA BELEZA

    É ESSE O NOSSO FEITIÇO

    DIGO COM TODA CERTEZA

    É FUNDAMENTAL QUE ISSO

    NÃO PROVOQUE REBULIÇO

    E NEM DEMONSTRE FRAQUEZA

    XIX

    POIS É A DIVERSIDADE

    DE UM BRASIL MULTICOR

    NOSSA MAIOR QUALIDADE

    O NOSSO CASO DE AMOR

    PRA NOSSA FELICIDADE

    É ESSA REALIDADE

    QUE FAZ O NOSSO ESPLENDOR

    XX

    O BRASIL É BEM DIVERSO

    EM CLIMA E PROSPERIDADE

    TAMBÉM NA RIMA E NO VERSO

    TEM MUITA VARIEDADE

    POR ISSO AMIGO PROFESSO

    QUE ESTE NOSSO UNIVERSO

    É O MELHOR DE VERDADE

     

     

    XXI

    EM FUTEBOL SOMOS PENTA

    UMA PAIXÃO BRASILEIRA

    O NOSSO VÔLEI ARREBENTA

    COM PONTARIA CERTEIRA

    AQUI NINGUÉM SE CONTENTA

    O CORAÇÃO NÃO AGUENTA

    SER UM VICE NA CARREIRA

    XXII

    ESPORTE E RELIGIÃO

    NÃO DÁ NEM PRA DISCUTIR

    PARTE DO MUNDO É PAGÃO

    UM MODO DE EXISTIR

    PODENDO VIVER CRISTÃO

    OU OUTRA RELIGIÃO

    SER MUÇULMANO E FAQUIR

    XXIII

    RESPEITAR AS DIFERENÇAS

    É O QUE TODOS ESPERAM

    VIVENDO SEM DESAVENÇAS

    TODOS OS POVOS PROSPERAM

    NINGUÉM ESPERA QUE VENÇAM

    A LEI DAQUELES QUE PENSAM

    QUE PELA FORÇA LIDERAM

    XXIV

    COM LIBERDADE E RESPEITO

    O MUNDO VIVE MELHOR

    PORQUE GENTE SEM DEFEITO

    NÃO SE ENCONTRA AO REDOR

    POIS O TAL DO PRECONCEITO

    FERE A TODOS NO DIREITO

    DE VIVER COMO ELE SÓ

     

     

    XXV

    CADA UM GOSTA DE UM JEITO

    É PRECISO PACIÊNCIA

    POIS NINGUÉM NASCE PERFEITO

    ISTO É REAL NA ESSÊNCIA

    NÃO SE DEVE ESTAR SUJEITO

    A QUE SE FALTE AO RESPEITO

    E NÃO AJA COM DECÊNCIA

    XXVI

    O CANTADOR NORDESTINO

    É UM POETA CANORO

    POIS É DOM DO SEU DESTINO

    RECITAR VERSO SONORO

    A PALAVRA VIRA HINO

    NUMA RIMA QUE É O FINO

    É UM MOMENTO QUE ADORO

    XXVII

    NOSSA ARTE NA RETRETA

    TEM OPERETA E BAIÃO

    TEM MESTRE NA CLARINETA

    TEM DOUTOR EM VIOLÃO

    TEM BERIMBAU COM BAQUETA

    TEM TOCADOR DE TROMBETA

    ZABUMBA E ACORDEÃO

    XXVIII

    O QUE SERIA DO MUNDO

    COM TODAS COISAS IGUAIS?

    UM MUNDO SÓ DE RAIMUNDOS

    DE JOSÉS OU GENIVAIS?

    ERA UM BURACO SEM FUNDO

    COM O FORMATO ROTUNDO

    SEM SABER PRA ONDE VAI

     

     

    XXIX

    O DIREITO É GARANTIDO

    PELA CONSTITUIÇÃO

    NÃO PODE SER REPRIMIDO

    QUEM TEM OUTRA OPÇÃO

    POIS NÃO PODE SER BANIDO

    QUEM USA SUA LIBIDO

    POR SUA CONVICÇÃO

    XXX

    SOU POETA NORDESTINO

    NO INVERNO E NO VERÃO

    PELOS MEUS VERSOS AFINO

    O CANTAR DO MEU BORDÃO

    RIMA PRA MIM É O FINO

    O CORDEL É MEU DESTINO

    POESIA É MINHA PAIXÃO

    XXXI

    MAS HÁ QUEM GOSTE DO VERSO

    ESCRITO EM FORMA DE PROSA

    DRUMMOND DE TANTO SUCESSO

    RECITOU SEM FAZER GLOSA

    UM ESTILO BEM DIVERSO

    QUE FEZ UM GRANDE PROGRESSO

    NA POESIA E BOSSA NOVA

    XXXII

    ESSE É MEU ENTENDIMENTO

    RESPEITO A DIVERSIDADE

    O MUNDO A CADA MOMENTO

    ENTENDE ESSA VERDADE

    NÃO PODE HAVER SENTIMENTO

    FOMENTANDO O SOFRIMENTO

    SER CONTRA A VARIEDADE

     

     

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  • Este final de semana aconteceu a Feira de Artesanato de Natal no alto da Candelária. Lá encontramos os mais variados artistas, como o escultor Mestre Ambrósio e suas esculturas de santos barrocos, o Mestre Paulo Varela recitando seus versos e contando seus causos, artistas conhecidos, artistas anônimos, mas todos divulgando seu trabalho e criatividade, mostrando a força da arte potiguar em todas as suas nuances. Este site passa a partir de agora a ser mais um veículo de divulgação da arte e cultura populares,tão importantes para a formação de um povo.

    Flashes da mostra:

    1. Mestre Paulo Varela poeta do Assú

    feira-de-artesanato-2-012

    2. Jovens visitantes – futuros artistas

    feira-de-artesanato-2-019

    3. Escultor Rhasec

    feira-de-artesanato-2-018

    4. Artistas do Engenho das Artes ( Ângela Ventura, Elenir e  a Professora Odete Tavares)

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    5. O poeta cordelista Mestre Marcolino com a poetisa cordelista Núbia Lira

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    6. Quadros de Ângela Ventura

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    7. Artesã Cileide

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    8. Pessoal do Pastel Paulista

    feira-de-artesanato-027

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  • Em temporada de Copa do Mundo, vamos relembrar um fato que supostamente aconteceu, mas, se não foi totalmente verdadeiro, eu diria que a ficção ficou só por conta dos personagens, pois o jogo foi real.

    CAMPEONATO ROUBADO

     

     

    Existia um gringo egresso da Europa oriental que militou por muitos anos no futebol do nordeste do Brasil. Conhecia como poucos as malandragens do futebol e sabia tudo o que ocorria nos bastidores e porões do famoso esporte bretão.

    Certa vez correu uma história que, segundo diziam, fora contada por ele e se referia a uma final de campeonato ocorrida em um estado da região onde um dos times fora roubado descaradamente.

    O fato era o seguinte:

    Pela primeira vez o campeonato seria decidido fora do eixo das duas maiores cidades do Estado, a capital no litoral e uma cidade do agreste de grande importância econômica, cultural e financeira, onde ficavam os três melhores times do Estado. A ida da decisão para uma cidade pequena no interior era inédita e dava pela primeira vez a esperança da conquista de um título por um time pequeno e sem tradição.

    A população toda se mobilizou para buscar a conquista do tão sonhado campeonato. Entretanto, como ocorre até os dias de hoje, havia uma grande preocupação com o juiz que apitaria o jogo, pois os árbitros eram escolhidos na Federação que ficava na capital, bem perto dos interesses dos grandes clubes. Havia um sentimento na visão dos torcedores de que, o juiz geralmente favorece o clube grande de mais tradição.

    Para minimizar esse risco, solicitaram à Federação a contratação de um juiz de outro Estado , preferencialmente do Rio de Janeiro que era na época, a Meca do futebol brasileiro. O presidente da federação concordou para acalmar os ânimos. O juiz viria do Rio de Janeiro para Recife e ele em pessoa o escoltaria da capital pernambucana até o local do jogo. Falavam também as más línguas que o presidente do time adversário viajara no mesmo vôo. De Recife o juiz foi levado de carro pelo presidente da Federação para a cidade onde ocorreu o evento.

    A cidade estava em festa. Contavam com a vantagem da torcida fanática, o time jogando em casa, e o campo quase sem grama, com os buracos bem conhecidos pelo pessoal local e um perigo para os jogadores mais sofisticados do time grande acostumados com grama macia e bem tratada. Ali se praticava literalmente o famoso futebol de poeira como eram chamados os jogos no estádio municipal, dadas às condições do campo.

    Chegou o dia do jogo, tão esperado por todos. Uma vitória por qualquer placar daria o campeonato ao time da cidade anfitriã. Qualquer outro resultado consagraria o time visitante, tantas vezes campeão.

    No entanto pairava uma pergunta no ar: E se o juiz roubasse? Ele não sairia inteiro de lá. Não tinha como escapar. Logo ao chegar fora avisado, se roubar morre, pois vamos estar de olho, declarou o chefe da torcida organizada local.

    Nunca um título estivera tão perto de ser conquistado por um time fora do eixo dos grandes. Parece que dessa vez David venceria Golias mais uma vez, reeditando a famosa passagem bíblica.

    O time da casa tinha poucos destaques entre os seus esforçados atletas. Entretanto, dois merecem ser lembrados:

    O primeiro era o ponta esquerda, que era um raio. Um metro e cinqüenta e seis centímetros de pura velocidade, embora seu talento para jogar não fosse tão grande quanto a facilidade com  que abraçava umas garrafas da branquinha, conseguidas em um engenho próximo. Mas, fazia lá os seus gols, graças à rapidez que chegava à área adversária. Não era brilhante, mas, servia. Certa vez o técnico de um time do Recife o viu jogando e disse: Se tivesse um centímetro de inteligência seria o melhor jogador do mundo. Nessa estória ele é o Zé do Mé.

    O outro era o beque central, que tinha como principal habilidade dar de bico na bola, costume aprendido na usina de açúcar de uma cidade próxima onde deu seus primeiros chutes. Seu lema era: “bola pro mato que o jogo é de campeonato”. Avisado sobre a força do ataque do time visitante, prometera solene: “Não passarão”, lembrando a famosa frase de Dolores Ibárruri, conhecida como La Passionária, figura lendária da guerra civil espanhola. Devido ao número da chuteira que calçava, 45, ficou conhecido como Zé Pezão.

    O time visitante não cantou de galo, ficou como uma raposa na espreita, esperto esperando a vez de dar as cartas e ganhar mais um campeonato. Tinha o melhor elenco, a melhor campanha, ganhara dois dos três turnos e levava a vantagem do empate. Já entrava em campo com a mão na taça. Seus jogadores vinham de vários estados, sendo alguns de Pernambuco, outros do Ceará, além de Bahia e São Paulo. Pessoal experiente, ganhando bons salários e gordos bichos nas vitórias e às vezes até nos empates.

    Time profissional, usava uniforme padrão de primeira linha vindo de São Paulo, com destaque para o patrocínio de empresa estampado no peito como acontece até os dias de hoje. Era o que tinha de melhor no Estado.

     Dentre os vários destaques tinha um meia esquerda que era a estrela do time. Crioulo cheio de ginga e um ego do tamanho do Maracanã. Será chamado aqui de Zé Quelé em homenagem a um dito popular conhecido no interior que diz que quando a pessoa é besta “só quer ser as pregas de Quelé”. Além de boçal, ele tinha a convicção de que o juiz estava comprado e o jogo seria tranqüilo, mesmo parecendo uma coisa difícil de acontecer dada as circunstâncias da partida. Mas,… em futebol tudo é possível.

    Começa o jogo após o tradicional minuto de silêncio que sempre aparece nesses eventos. Sem esquecer que todos cantaram o hino nacional, perfilados como soldados, mão no peito como verdadeiros patriotas. Ou pelo menos fingiram que cantaram, pois a maioria dos jogadores nem conhecia as primeiras estrofes do nosso querido hino.

    No primeiro ataque do time visitante Zé Pezão divide a bola com Zé Quelé que faz corpo mole e cai na maior encenação. Todo mundo viu que a jogada foi viril, mas na bola. Só um cego veria diferente. Mas o juiz marcou a falta em cima da linha, frontal ao gol. A torcida reclamou porque o zagueirão nem tocou no outro jogador. Os primeiros gritos de ladrão ecoaram no estádio, somados a diversas homenagens à progenitora do árbitro, alem de ameaças diretas. Cartão amarelo para Pezão que reclamou, embora com justa razão. O azeite para fritar o juiz começara a ser aquecido.

    Enquanto isso, Quelé ajeitou a bola displicente, afastou-se meio metro e esperou o a autorização. Partiu para a bola crente que ia fazer o gol. Chutou um metro acima da trave para alívio da torcida local. O jogo continuou, bola pra lá, bola pra cá e novo ataque do campeão. O lateral direito entrou  impedido, recebeu a bola, deslocou o goleiro e cruzou para Quelé na marca do pênalti que também estava totalmente na banheira e só com a trave à sua frente. A derrota parecia decretada, pois so estavam ele, a bola e a trave. O que aconteceu em seguida ninguém poderia prever. O atacante isolou a bola com violência e ela caprichosamente bateu no travessão e foi para fora. O impedimento fora escandaloso, o bandeirinha tinha marcado e o juiz ignorou. Começava a ficar claro que o Sr. Árbitro havia sido comprado. Não dava para pensar diferente. O jogo continuou e terminou o primeiro tempo. O juiz saiu do campo para o vestiário aparentemente protegido pela polícia.

    Começa o segundo tempo e mal a bola rola, Quelé, sempre ele, avança em direção à área adversária e é travado na hora de finalizar. Cai escandalosamente e a falta é apitada. Os jogadores cercam o juiz, pois a jogada fora nitidamente na bola, corpo a corpo normal, mas não adiantou. Mais dois cartões amarelos para o time da casa, serviram para acalmar os ânimos e aumentar a ira da torcida.

    Quelé abriu distância, correu e bateu na bola com violência em direção ao ângulo superior direito. Mas o goleiro num esforço espetacular voou para desviá-la para escanteio. O 0 X 0 continuava mantido. O time da casa animou-se e partiu para o ataque. Bola lançada nas costas do zagueiro e Zé do Mé, o veloz ponta esquerda aparece por trás da zaga pega a bola e parte célere em direção ao gol. Executa o goleiro e a bola vai para o fundo das redes. O grito de gol ecoa no pequeno estádio seguido de um ohhh de frustração. O gol fora anulado. Impedimento, dado pelo bandeirinha e confirmado pelo juiz. Jogada difícil porque Zé do Mé era um raio e partira da mesma linha dos zagueiros. Sem jeito. O gol foi anulado.

     Assim que o tiro de meta foi batido diante da população indignada, a bola foi lançada para Quelé que estava novamente totalmente impedido. A jogada foi interrompida e o meia, estrela do time visitante veio com tudo para cima do juiz que sem pestanejar puxou o cartão vermelho e o expulsou. A confusão estava formada, mas não adiantou. O campeão estava com dez e  sem o seu melhor jogador. Zé Quelé fora mandado mais cedo para o chuveiro. A tensão aumentou no campo, mas como era de se esperar alegrou a torcida local que voltou a ter esperanças na conquista do campeonato. Agora começaram a acreditar que o juiz era honesto, não tinha sido comprado. Afinal, expulsar o melhor jogador do time visitante, do todo poderoso campeão não era pra qualquer um. E ainda dera mais dois cartões amarelos para os que reclamaram.

    O jogo ficou mais tenso, com jogadas ríspidas lá e cá, mas nada de perigo para os goleiros. A bola não saía do meio do campo e da intermediária devido ao grande número de faltas de parte a parte.

    Já no finalzinho do tempo regulamentar, uma bola foi cruzada sobre a área do time da casa e um jogador do time visitante chocou-se com Zé Pezão e caiu. Sem pestanejar o juiz marcou o penalty, para tristeza geral da torcida da casa. O atacante ajeitou a bola com carinho e afastou-se olhando no vazio para não encarar o goleiro nem dar dica em que canto iria chutar. O apito soou autorizando a cobrança e fez-se um silêncio mortal no estádio. O atacante correu e bateu firme na bola. Gol e 1X0 para o time visitante. O sonho virara pesadelo, pois mais uns poucos minutos e o jogo acabou. Restavam as lágrimas da frustração para a população da cidade. O time visitante, tantas vezes campeão, vencera mais uma vez. Enquanto festejavam, o juiz retirou-se discretamente sem chamar a atenção. No geral fizera um bom jogo aos olhos da torcida.

    Ao voltar,  encontrou-se com o dirigente do time campeão que pagara por seus préstimos que foi logo perguntando: Você enlouqueceu? Expulsou nosso melhor jogador, quase pôs tudo a perder! Ao que o juiz respondeu: Qual era o seu objetivo? Não era o campeonato? Você o tem. Marquei duas faltas inexistentes e deixei passar um impedimento escandaloso e seu jogador desperdiçou as três oportunidades. Se eu marcasse o pênalti com ele em campo, quem iria bater? O cartola respondeu: ele é claro, pois é o batedor oficial da equipe. O juiz retrucou: e ele com certeza iria perder, pois não era o dia dele. E eu como ficaria? Como iria arranjar outro penal? O seu negócio era seu time ganhar o campeonato. O meu era ganhar meu dinheiro e sair inteiro, sem agressões da torcida local. Meta atingida.

    A corrupção vencera mais uma vez.

     

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  • O Natal é especialmente representativo para mim. No Natal de 2009 sofri um grande susto, pois passei mal na hora da ceia e acabei internado por três dias em um hospital. Jamais esquecerei pois tudo na vida tem um profundo significado. O que aconteceu foi um alerta, e mais do que nunca, nessas horas é que sentimos como é bom viver. Agradeço às divinas forças que me ajudaram a sair da crise e reviver. Obrigado Senhor.

    I

    Pra sentir como a vida é preciosa

    É preciso sofrer um grande susto?

    Não concordo e também não acho justo

    Caminhar por estrada tortuosa

    Pois viver de uma forma harmoniosa

    É o jeito mais sábio e dadivoso

    Existir pelo modo virtuoso

    Valoriza este dom que Deus nos deu

    Que é real para o rico e o plebeu

    Pois viver, é em si, maravilhoso

    II

    Levo a vida comigo sem temores

    Pois aceito os ditames do destino

    Ao sofrer de um mal no intestino

    No Natal padeci de muitas dores

    O vermelho pintando as outras cores

    A chegar numa forte hemorragia

    Me levando a sofrer grande agonia

    Internado naquele nosocômio

    Que me fez perder peso e patrimônio

    Pra ganhar minha carta de alforria

    III

    Ao saber o valor da assistência

    Quase volto a sofrer internamento

    Pois a conta incluindo apartamento

    Me deixou em estado de dormência

    Paciente precisa paciência

    E sentir que a vida vale mais

    Vou avante, não vou olhar pra trás

    E tentar melhorar daqui pra frente

    Evitar sentir tudo novamente

    Mas passar pela dor, não quero mais.

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  • MOTE

    Marcolino é rapaz muito garboso

    Protetor, defensor das perseguidas

    I

     O menino chegou botando banca

     Encerrando a era de quarenta

     Começou a crescer lá nos cinqüenta

     E mamou na mãe negra e na mãe branca

     Resolvendo fazer ninguém estanca

     Encontrou na mulher da sua vida

     O seu porto, seu amor, sua guarida

     Que é também o seu bem mais precioso

     Marcolino é rapaz muito garboso

     Protetor, defensor das perseguidas

    II

    Foi vivendo e forjando seus princípios

    Numa luta tenaz trabalhadeira

    Retratada de forma verdadeira

    Construída com muitos sacrifícios

    Uma história com erros, mas sem vícios

    Sob a benção da mãe compadecida

    Enfrentou sua guerra, sua lida

    Se esforçou, foi valente e corajoso

    Marcolino é rapaz muito garboso

     Protetor, defensor das perseguidas

     III

    Namorou com Maria Antonieta

    Chateou o chefão Napoleão

    Que mandou lhe prender lá no porão

    Empurrado, estocado em baioneta

    Sob o toque tristonho da corneta

    Viu chorar muitas damas desvalidas

    Condenado de forma descabida

    Num processo pra lá de duvidoso

    Marcolino é rapaz muito garboso

     Protetor, defensor das perseguidas

    IV

    Brasileiro que é bom, tempo não nega

    Os sessenta chegaram em bom momento

    Tudo em paz, sem ter dor nem sofrimento

    Vai em frente, não cai nem escorrega

    Ao amar não se rende, só se entrega

    Namorou Bernadete e Margarida

    Conheceu e gostou de dona Ida

    Num forró pé de serra bem famoso

    Marcolino é rapaz muito garboso

     Protetor, defensor das perseguidas

     

    Natal/RN, 21 de novembro de 2009

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  • Todo bom engenheiro de obras tem alguma coisa para contar. Nos anos setenta rolava o PLANASA em Recife e presenciei uma cena que só acreditou quem viu. Contei em prosa no livro Caçando Jaburu e outra Histórias e vai aqui nos versos do cordel. 

    A ANTENA DA RADIO FALOU SOZINHA

    I

    Prezado amigo leitor

    Que me dá sua atenção

    Aconteceu no Recife

    E eu narro com emoção

    No bairro Casa Amarela

    Desse querido rincão

    II

    Estava em curso o PLANASA

    Pra fazer saneamento

    A COMPESA trabalhava

    Pra cumprir o fundamento

    Na Rua da Harmonia

    Só tinha cano e cimento

    III

    Ali com as valas cavadas

    No meio de água e lama

    A gente montava os tubos

    Pra levar água bacana

    Para os lares de Recife

    Que antes tinha má fama

    IV

    Má fama da água ruim

    Servida sem tratamento

    Que tinha muitas doenças

    Matando a todo o momento

    Homem, mulher e menino

    Sem qualquer constrangimento

    V

    O Recife padecia

    Com águas de muitas cheias

    Dos dois rios e canais

    Que corriam em suas veias

    Pelas ruas e avenidas

    E a coisa ficava feia

      VI

    Ali ninguém escapava

    Nem o pobre, nem o rico

    A lama cobria tudo

    Com lixo, merda e pinico

    De dia o pobre chorava

    De noite chorava o rico

    VII

    A cheia veio em setenta

    Depois em setenta e dois

    Vinha quase todo ano

    Não deixava pra depois

    Pra resolver a parada

    O governo se propôs

    VIII

    Precisava construir

    Barragens pra segurar

    A cheia quando ela vinha

    Para tudo inundar

    Foi feita uma em Carpina

    E outra em Tapacurá

    IX

    Essa água toda junta

    Precisava tratamento

    Pra população beber

    Sem passar por sofrimento

    Água vinda pelo cano

    E não no lombo do jumento

    X

    Lá no caminho dos canos

    Bem pertim duns pés de coco

    Tinha uma antena de rádio

    No riacho do Cavouco

    Podia matar de choque

    Todo cuidado era pouco

    XI

    E foi montando esses canos

    Que eu então presenciei

    Uma coisa tão incrível

    Quase não acreditei

    Ouvi a rádio falando

    Mas o rádio eu não liguei

     XII

    Raimundo peão do pixe

    Um cabra muito tinhoso

    Resolveu fazer um teste

    Pra ver se era perigoso

    Pulou a cerca de arame

    Era muito curioso

    XIII

    Ali no pé da antena

    Ele achou que era bacana

    Quando avistou os dois ferros

    Meio enterrados na lama

    Ver se ali dava choque

    Com um cipó de gitirana

    XIV

    Ao encostar o capim

    No meio das duas barras

    O fogo saiu de dentro

    Revelando as suas garras

    Parecia um raio do céu

    Se soltando das amarras

    XV

    Raimundo pulou de lado

    Enquanto o fogo estalava

    Então se ouviu o som

    Que da antena emanava

    Era que mesmo sem rádio

    Aquela peste falava

    XVI

    Quase ninguém acredita

    Nessa história verdadeira

    Que aconteceu no Recife

    Num dia de quarta-feira

    O povo diz que é mentira

    Coisa sem eira nem beira

    XVII

    Acreditem meus leitores

    Quando ouvi aquele som

    Saindo dali sem nada

    Num volume muito bom

    Era a PE ERRE A oito

    Tocando um samba do Tom

     

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  • Um amigo de meu primo me propôs fazer uma poesia sobre o seguinte Mote:

    UM NINHO DE PAPA CAPIM

    COM DOIS PAPA CAPIM DENTRO

    Para quem não sabe o Papa Capim é um pássaro muito canoro. Ficou assim a poesia dos Papa Capim

    I

    Nossa fauna brasileira

    Tem passarim a vontade

    Em grande variedade

    Cantam de toda maneira

    Uma ária seresteira

    No abrigo ou ao relento

    Sob a chuva ou sob o vento

    No quintal e no jardim

    Um ninho de Papa capim

    Com dois Papa capim dentro

    II

    Canário belga , sanhaço

    Sabiá e tuiuiú

    O canto do uirapuru

    Composto em belo compasso

    Tem na mata seu espaço

    Propaga seu som ao vento

    Num canto com sentimento

    Na mata espera por mim

    Um ninho de Papa capim

    Com dois Papa capim dentro

    III

    A caatinga no inverno

    É verde e muito florida

    Reproduz e gera vida

    No seu espaço materno

    Refazendo o ciclo eterno

    Produz muitos nascimentos

    E naquele lindo evento

    Avistei perto de mim

    Um ninho de Papa capim

    Com dois Papa capim dentro

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  • Por mais estranho que possa parecer, os triângulos amorosos são bem comuns no interior. Conheci até quartetos nas minhas andanças pelo interior do Brasil. A história de Zefa e Chico retrata o abandono que, muitas vezes, as mulheres sofrem por parte de maridos ignorantes e com uma cultura de que mulher é só para parir e servir.

    I

    SEU DOTÔ VOU LHE CONTÁ

    O QUI AQUI SE ASSUCEDEU

     POIS DE FATO ACONTECEU

    CUM CHICO PÉ DE PREÁ

    QUI RESORVEU SI INGRAÇAR

    DE ZEFINHA DE DUDÉ

    MODE AS ANCA DA MUIÉ

    QUI REBOLA QUANO PASSA

    ANDANO CHEIA DE GRAÇA

    E MUITO PEREQUETÉ.

    II

    ERA UMA NOITE ISTRELADA

    FESTEJANO A PADROEIRA

    MUITA CACHAÇA BREJEIRA

    E QUEIJO CUM MARMELADA

    TINHA CERVEJA GELADA

    TIRA GOSTO DE GALINHA

    CUM FARINHA BREJEIRINHA

    NUM PIRÃO MUITO ARRETADO

    GOSTOSO E APIMENTADO

    PREPARADO POR ZEFINHA

    III

    VEI UM PADE LÁ DA FRANÇA

    VEI PULIÇA, DELEGADO

    MAIS UM CABO E TRÊS SORDADO

    PRA GARANTIR SIGURANÇA

    DE MUIÉ ,VÉI E CRIANÇA

    E DE MATUTO BRIGÃO

    COMO ZÉ DA CONCEIÇÃO

    QUI FICAVA IMBRIAGADO

    FALANO TODO INROLADO

    E DIZENO PALAVRÃO

    IV

    TODO MUNDO TAVA ARMADO

    UM CUSTUME DO SERTÃO

    CUM REVORVE E MOSQUETÃO

    E PUNHÁ MUITO AFIADO

    FACA E FACÃO AMOLADO

    SE UM CABRA ASSIM BEM VISTIDO

    LEVA UMA GAIA ISCONDIDO

    CUM CERTEZA SI APERREIA

    QUER LOGO METER A PEIA

    FICÁ BRABO E ATRIVIDO

     V

    DUDÉ FI DE BIU CANINHA

    É CABRA MUITO DISPOSTO

    POR ZEFA TEM MUITO GOSTO

    CONHECEU ELA NOVINHA

    CUM SUA PRIMA RITINHA

    NUM FORRÓ DE PÉ DE SERRA

    O MIÓ DAQUELA TERRA

    NUMA NOITE DE SÃO JOÃO

    QUANDO SOLTAVA ROJÃO

    QUI PARECIA UMA GUERRA

    VI

    CUMEÇARO A NAMORÁ

    E FORO LOGO CASANO

    CUM ZEFA EMBARRIGANO

    QUAJI NO PÉ DO ALTÁ

    DUDÉ BUTOU PRA QUEBRÁ

    PRA ZEFA NUM DEU MOLEZA

    ERA SÓ NA SAFADEZA

    NO QUINTÁ E NA ALCOVA

    POIS TESÃO DE MUIÉ NOVA

    NUM ISFRIA COM CERTEZA

    VII

    QUANO ZEFA SI CASÔ

    TINHA FEITO DIZESSETE

    DUDÉ TINHA VINTE E SETE

    E O CASÁ SE CUMPRETÔ

    O VIGARO ABENÇOOU

    NOVA FAMIA FORMADA

    CUM ZEFA JÁ IMPRENHADA

    NUM BUCHO DE MAIS DE MÊS

    DUDÉ NUM PERDEU A VEZ

    TINHA INXIDO A NAMORADA

    VIII

    OS ANO FORO PASSANO

    A VIDA SEGUINO IN FRENTE

    ZEFA VIVENO CONTENTE

    SUAS CRIANÇA CRIANO

    UM BRUGUELO A CADA ANO

    JÁ TINHA SEIS NA NINHADA

    E DUDÉ NA CACHORRADA

    VIVIA RAPARIGANO

    E MUNTA CANA TOMANO

    CUMA PUTA AGALEGADA

     IX

    NUM DEMORÔ MUNTO NÃO

    CUMEÇARO OS MIXIRICO

    VIZIN FAZENO FUXICO

    DAQUELA SITUAÇÃO

    SE ZEFA SABIA OU NÃO

    NUM CUMENTAVA NADINHA

    SOFRIA MERMO SOZINHA

    SEM INFORMÁ PRAS CRIANÇA

    QUI O PAI VIVIA NA DANÇA

    NO CABARÉ DE ROSINHA

    X

    DUDÉ PUXÔ E ARRASTÔ

    TODAS MANIA DO PAI

    POIS TODA NOITE ELE VAI

    PRO BUTECO DE NESTÔ

    ZEFA FICA NO TRICÔ

    ELE SE FAZ DE BACANA

    VAI INCHER O CÚ DE CANA

    IGUALZIM A BIU CANINHA

    VAI DIRRUBANO A BRANQUINHA

    E FAZENO JUS A FAMA

    XI

    ADISPOIS DE INCHER A CARA

    SEGUE DIRETO PRA ZONA

    LÁ INCONTRA AQUELAS DONA

    QUI VEVE IN RIBA DA VARA

    CUM DUENÇA QUI NUM SARA

    DE CHANHA INTÉ GONORRÉA

    INCARA QUALQUER BORRÉA

    SI SINTINO UM GARANHÃO

    MAS NUM PASSA DUM CAGÃO

    QUI VEVE CUM DIARRÉA

    XII

    A COISA FICÔ DIFICE

    POIS ZEFA ACABÔ SABENO

    SIGUIU IN FRENTE SOFRENO

    PRO MODE O DISSI MI DISSI

    POIS INTÉ CUMADE EUNICI

    DISDIBUIOU A ISTORA

    GORA JÁ TAVA NA HORA

    DI CUNVERSÁ CUM DUDÉ

    SABÊ O QUE QUELE QUÉ

    SI ACERTÁ SEM DEMORA

     XIII

    ZEFINHA TAVA PENSANO

    COMO FALÁ CUM DUDÉ

    POIS CUMA ERA MUIÉ

    TINHA QUI SIGUI LUTANO

    NO BATENTE LABUTANO

    INTÉ ARRUMÁ AS PROVA

    PRA SEM POESIA NEM PROSA

    INQUADRÁ O ELEMENTO

    DISPACHÁ SEM DOCUMENTO

    E CUMEÇÁ VIDA NOVA

    XIV

    MAS ANTES DE ARRESORVÊ

    A PARADA CUM DUDÉ

    ZEFINHA SIGUIA A PÉ

    TENTANO A DÔ ISQUECÊ

    SORRINO PRA ISPARECÊ

    QUANO VIU CHICO PREÁ

    QUI VINHA BEM DIVAGÁ

    CUM SEU SORRISO BANGUELA

    DURIM OLHANO PRA ELA

    CUMA QUEM QUÉ SI ABRAÇÁ

    XV

    FOI AÍ QUI ACONTECEU

    OS ZOI DOS DOIS SE INCONTROU

    ZEFINHA SE ARRUPIOU

    I CHICO FICOU TREMENO

    CUM AS PESTANA BATENO

    I CUMEÇÔ A GAGUEJÁ

    SEM AS PALAVRA INCONTRÁ

    MERMO ASSIM DISSI BOM DIA

    CUMA VAI FULÔ DO DIA

    NOIS IXISTE PRA SI AMÁ.

    XVI

    ZEFINHA NEM DEU OUVIDO

    CONTINUOU SEU PASSEIO

    POIS O MUNDO TAVA CHEIO

    DE CABORÉ INXIRIDO

    E DE CABRA JÁ VIVIDO

    DOUTÔ EM PAQUERAÇÃO

    CUM MUNTA CUNVERSAÇÃO

    PROMETE O MUNDO E O FUNDO

    AMOR ETERNO E PROFUNDO

    E MUNTA BADALAÇÃO

     XVII

    O CHICO ERA BOM SUJEITO

    ERA BOM TRABAIADÔ

    NUM ISTUDÔ PRA DOUTÔ

    MAS APRENDEU DO SEU JEITO

    A LÊ I ISCREVÊ DIREITO

    MAIS AS QUATRO OPERAÇÃO

    MERMO CONTA CUM FRAÇÃO

    JÁ RESORVIA NA HORA

    CUM PROVA DE NOVES FORA

    SEM ERRÁ NA TRANSAÇÃO

    XVIII

    O CHICO PÉ DE PREÁ

     SEMPRE GOSTOU DE ZEFINHA

    DERNA QUI ERA NOVINHA

    ELE PENSOU NAMORÁ

    PORÉM AGIU DIVAGÁ

    E DUDÉ CHEGÔ PRIMERO

    NAMORÔ CASÔ LIGERO

    NUN DEU CHANCE PRU PREÁ

    QUI TEVE QUI AGUENTÁ

    I FICÁ RAPAZ SORTERO

    XIX

    O TEMPO É GRANDE ALIADO

    VIRTUDE É TÊ PACIENÇA

    DEPOIS CHEGA A RECOMPENSA

    COMO BEM DIZ O DITADO

    O CHICO ISPERÔ SENTADO

    SEM PERDÊ A ISPERANÇA

    QUI TINHA DESDE CRIANÇA

    DE SI AJUNTÁ CUM ZEFINHA

    NUMA CAMA BEM QUENTINHA

    PRA FAZÊ UMA LAMBANÇA

    XX

    ENFIM O DIA CHEGÔ

    NA FESTA DA PADROERA

    NA PRAÇA PERTO DA FEIRA

    CHICO A MORENA AVISTÔ

    POIS ZEFINHA SEU AMÔ

    TAVA PARADA SOZINHA

    ISPIANDO PRA BANDINHA

    QUI TOCAVA NA RETRETA

    UM DOBRADO BEM PORRETA

    NO CORETO DA PRACINHA

     XXI

    O CORAÇÃO BATEU FORTE

     I SEM VÊ DUDÉ PU PERTO

    ARRESORVEU SÊ ESPERTO

    E ARRISCÁ SUA SORTE

    MERMO CUM RISCO DE MORTE

    O TESÃO ERA MAIÓ

    E SEM PENSÁ NO PIÓ

    CHEGÔ JUNTO DE ZEFINHA

    ABRAÇÔ A MORENINHA

    SEM MUNTO POROCOTÓ

    XXII

    DE INIÇO ELA ASSUSTÔSSE

    QUIS SI SORTÁ DO ABRAÇO

    CHICO CUNS NELVOS DE AÇO

    FALÔ CUMA FALA DOCE

    A MINHA ISPERA ACABÔSSE

    VAMO SI AMÁ AGORA

    POIS INTÉ PASSÔ DA HORA

    DI NÓIS DOIS FAZÊ AMÔ

    PURQUE DESPOIS QUI NÓIS FÔ

    VOCÊ NUM MI MANDA IMBORA

    XXIII

    ZEFINHA NUM RISISTIU

    FOI PRU BARRACO DI CHICO

    DEPOIS DE TANTO FUXICO

     SUA VERGONHA SUMIU

    RESOVEU DÁ O XIBIU

    PARA QUEM GOSTAVA DELA

    O VELHO CHICO BANGUELA

    QUI TINHA O PÉ DE PREÁ

    TRANSÔ SEM SI INCABULÁ

    CUM CORAGE SEM CAUTELA

    XXIV

    DEPOIS DA NOITE DE AMÔ

    ZEFINHA VOLTÔ PRA CASA

    PUR POUCO NUM SI ATRASA

    POIS LOGO DUDÉ CHEGÔ

    PARECE QUI ADVINHÔ

    JÁ FOI CHAMANDO ZEFINHA

    VEM CÁ MINHA GOSTOSINHA

    PRA NOSSO ATRASO TIRÁ

    TÔ PRONTO PRA NÓIS TRANSÁ

    DÁ UMA BEM RAPIDINHA

     XXV

    ZEFINHA DISSI NUM DÁ

    POIS TÔ CUM DÔ DE CABEÇA

    PUR HOJE VOCÊ MI ISQUEÇA

    QUI EU NUM VÔ NAMORÁ

    TOME UM BAIN PRA MILHORÁ

    DESSE CHERO DE TITICA

    POIS HOJE ESSA PIRIQUITA

    NUM DÁ PRA VOCÊ USÁ

    VÁ DURMI PRA DISCANSÁ

    DESSA CACHAÇA MARDITA

    XXVI

    DIPOIS DE PASSADO UNS DIA

    DUDÉ FICOU MAIS CASERO

    POIS JÁ TAVA MEIO CABRERO

    CUM O QUI ACONTECIA

    POIS ZEFINHA REPELIA

    TODA VEZ QUI ELE TENTAVA

    DIZIA QUI ASSIM NUMA DAVA

    QUI NUM TAVA BEM DISPOSTA

    I DAVA O NÃO POR RESPOSTA

    DUDÉ NUM SI CONFORMAVA

    XXVII

    NA SEMANA ELA SAÍA

    PRA VISITÁ AS CUMADE

    LÁ NU CENTO DA CIDADE

    PROCURÁ CUMADE LIA

    MAS O QUE MERMO ELA IA

    ERA INCONTRÁ CUM PREÁ

    PARA BUTÁ PRA QUEBRÁ

    VIVÊ O AMÔ PROIBIDO

    AGORA DISINIBIDO

    SEM TÊ COMO TERMINÁ

     XXVIII

    DUDÉ JÁ DISCONFIADO

    RESORVEU FICÁ TENTANO

    POIS MERMO DISCONFIANO

    NUM TINHA QUALQUÉ CERTEZA

    QUI SUA XUXU BELEZA

    TAVA LHI BUTANO GAIA

    JÁ AMOLAVA A NAVAIA

    PRA PEGÁ OS DOIS NO SUSTO

    DÁ UM CASTIGO BEM JUSTO

    NU URSO E NA MUIÉ PAIA

    XXIX

    PARTIU PARA O TUDO OU NADA

    E ZEFINHA CHEGOU JUNTO

    I SEM NEM PUXÁ ASSUNTO

    ISPERÔ DUDÉ DEITADA

     DEU UMAS OITO GOZADA

    QUI INDOIDECEU O MARIDO

    QUI PERDUÔ SÊ TRAÍDO

     ACEITÔ A PRÓPIA SORTE

    JÁ SI SINTINO MAIS FORTE

    SEM O ORGULHO FIRIDO

    XXX

    FOI ASSIM QUI MI CONTARO

    NOS MEUS VERSO REGISTREI

    POIS EU NUNCA ACREDITEI

    QUI CORNO NACE CUM FARO

    MUNTO MENOS CUM PREPARO

    PRA CUMPRI A SUA SINA

    MAS COMO A ISTORA INSINA

    É MIÓ TÊ PACIENÇA

    RESORVÊ SEM VIOLENÇA

    E MUDÁ SUA ROTINA

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