• Viva a literatura de cordel. O reconhecimento vem chegando em altas doses, o que estimula o aparecimento de novos autores e novos leitores. A novela Cordel Encantado muito contribuiu para a divulgação dessa nossa arte tão pura. Empresas já patrocinam lançamentos e eventos. Tive a oportunidade de visitar a FENEARTE em Recife e o tema era o cordel. Aqui na CIENTEC na UFRN tinha mais de um estande com poetas e pessoas comuns recitando versos próprios ou de grandes mestres do cordel como Patativa do Assaré e Zé da Luz de saudosa memória.

    I

    Vivas aos nossos cordéis

    Que vêm do seio do povo

    Retratam no seu viés

    O fato antigo e o novo

    Desde grandes menetréis

    A matutos sem anéis

    De coração eu os louvo

    II

    O cordel conta a história

    Do cangaço e Lampião

    Não esquece na memória

    De Gonzaga do Baião

    Da coisa mais vexatória

    Da briga e da moratória

    De Dom Pedro e de Dom João

    III

    Fala de coisas picantes

    De corno de todo tipo

    Urso do pé flutuante

    Traído que sai no grito

    Desgosto com a amante

    Do ciúme avassalante

    Da lei de Chico de Brito

    IV

    Tem receita de remédio

    Para dor de cotovelo

    Para a tristeza e pro tédio

    Pra desenrolar novelo

    Para combater assédio

    Seja forte ou seja médio

    De arrepiar o cabelo

    V

    Ele ensina a namorar

    Escapar de armadilhas

    Como o patrão enrolar

    Desenrolar a partilha

    Com Frei Damião rezar

    Achar moça pra casar

    Versejar com redondilha

    Natal/RN – 30/10/2011

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  • Folclore 25.07.2011 4 Comments

    Conhecer a terra na qual você mora é fundamental para entender sua gente, sua cultura. A Inter TV afiliada da Rede Globo vem fazendo um ótimo trabalho divulgando todos os municípios do Estado. Vendo os programas, fui descobrindo que o RN é muito rico culturalmente. Talento é o que não falta. Este final de semana fomos (eu, minha esposa e minha cunhada) até  Serra de São Bento e Monte das Gameleiras. Foi uma viagem tipo bate e volta. Mas deu para descobrir algumas coisas, ver meios de hospedagem etc. Visitamos a Pousada Pedra Grande em Serra de São Bento. O local é bonito com um vale verde que enche os olhos. Os chalés são aconhegantes. O número de quartos é que é pequeno, tornando-se difícil conseguir hospedagem sem uma reserva muito antecipada. Oportunamente iremos conferir os serviços e curtir o lugar.

    Em Monte das Gameleiras fomos até o cruzeiro de onde se vê todo o vale. Não vimos a disponibilidade de hospedagem no lugar. Fica um registro negativo: A péssima condição das estradas que interligam a BR 101 a esses municípios. A RN 269 entre Ganguaretama e Monte das Gameleiras é perigosa, mal sinalizada e cheia de buracos. O acesso por goianinha e Santo Antonio tem a mesma ruindade. Desse jeito o nosso turista foge. Tá na hora de construir vias com qualidade e mais respeito ao cidadão que as utiliza.

    Na Serra a moça sorriu

    Quando falei da paisagem

    Nos convidou pra voltar

    Deixando aquela mensagem

    Quem dessa água aqui bebe

    Volta de mala e bagagem.

    Parece uma paisagem na Europa. Mas, fica no RN

    Capela do Cruzeiro de Monte das Gameleiras

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  • Folclore 14.06.2011 No Comments

    Luíz Gonzaga, o rei do baião, sempre inspirou muitas pessoas e muitas histórias. Esta hostória segundo me foi contada ,aconteceu no agreste de Pernambuco. Não sei se foi verdade ou mentira, afinal não me cabe investigar isso. A mim cabe a obrigação de contar, somando-se a tantas e tantas que circulam por aí, enriquecendo o folclore brasileiro.

    O baião é um dos ritmos nordestinos mais apreciados. Faz parte da música regional, compondo com o xote e o xaxado, os principais ritmos representantes da musicalidade do forró.

    O incontestável rei do baião é e sempre será o pernambucano de Exu Luis Gonzaga. Ele imortalizou os ritmos do forró através da gravação de centenas de canções num incontável número de discos ao longo de décadas. Mesmo hoje após a sua morte ainda continua venerado e fazendo sucesso e escola no meio musical.

    Ao longo de gerações o velho Lua, como era chamado carinhosamente, vem conquistando fãs apaixonados em todo o Brasil.

    Um desses fãs ardorosos era um caboclo morador do agreste chamado de João de Noca. O apelido, diziam, era por causa da facilidade que sua mãe tinha em fazer amizades e receber as pessoas. Todos gostavam de ir à casa de Noca. Fizeram até uma música para o carnaval segundo contavam.

    João era um apaixonado pelas músicas do rei do baião. Mal assinava o nome, mas, sabia de cor e salteado todas as letras de Gonzagão. Asa Branca, ave Maria, para ele era o hino do sertão. Pense numa música boa que dava emoção.

    Só sabe doutor, quem mora ou já morou no sertão de Pernambuco, durante uma seca braba. Era só ouvir tocar e o homem começava a cantar e logo caía no choro de emoção.

    João tinha todos os Lp’s (abreviatura de Long Playings), do Rei. LP era o nome dado pelas gravadoras aos discos de doze polegadas de diâmetro feitos em vinil. Foram colecionados com muito sacrifício, ao longo de muitos anos, já que João não era um homem de posses. Mantinha-os todos, impecavelmente guardados em suas capas originais.

    Ouvia os discos de vinil tocando em várias rotações. Tinha desde os antigos de 78 rpm com uma música de cada lado, aos de 33 e 1/3 com várias canções de cada lado, mais modernos.

    Ligava diariamente uma velha vitrola que ganhara do patrão. Era da marca ABC, fabricada ali mesmo no Recife no bairro da Mustardinha, bem próxima à fábrica de discos  Rozemblit  onde muitos artistas famosos gravaram álbuns que fizeram a história da música no Brasil.

    Todo cuidado era pouco para não quebrar a agulha magnética ou arranhar os preciosos discos. Vivia feliz com seus sonhos e sua música.

    Já sua mulher, preferia ver o cão a ouvir Luiz Gonzaga. No começo até gostava, mas tomou o maior abuso por causa do fanatismo e egoísmo do marido. Chamava-se Zefa de Zé do Timbó, não se sabe se era porque o pai nascera em Tacaimbó ou porque costumava pescar nos açudes das fazendas na calada da noite utilizando timbó para pegar os peixes. Era uma pesca predatória já que não respeitava nem tamanho nem idade. Se brincasse, arrastava até os alevinos.

    Para piorar a história, ela era doidinha por Waldick Soriano, o maior cantor brega do Brasil e não tinha chance de ouvi-lo na radiola de João, por absoluta falta de oportunidade. Já tinha avisado ao marido que qualquer dia daria fim àqueles discos.

    Viviam na zona rural numa casa de fazenda cedida pelo patrão. Casa típica do semi-árido nordestino tinha uma boa área construída, mesmo não tendo acabamento de chapisco ou reboco, tinha uns poucos pontos de luz. Atrás da casa um grande quintal, onde existia um chiqueiro com algumas cabeças de criação, distribuídas entre caprinos e ovinos, guinéis e galinhas de capoeira. Nos terrenos em volta era uma caatinga só, onde predominava uma vegetação típica composta por mato rasteiro e pés de algaroba e juremas, cheias de espinhos pontiagudos.

    Dentre as músicas gravadas por Luis Gonzaga, a preferida de João de Noca era uma canção chamada O Rabo do Jumento de um compositor potiguar chamado Elino Julião.  Talvez pela lida diária com animais e sendo o jumento um excelente companheiro de trabalho, compadecia-se com a letra da canção que narrava a infelicidade de um muar que teve o seu rabo cortado por um fazendeiro raivoso chamado Nascimento. O imprevidente ser movente invadira o seu terreno e lhe comera algumas espigas de milho e por isso fora castigado.

    Mas, diante da obstinação e do fanatismo de João de Noca em passar todas as horas em que estava em casa com a radiola ligada tocando baião de Luis Lua, sem dar oportunidade para outro cantor, Zefa chegou ao limite da tolerância.

    Sempre que tinha chance, cantarolava “eu não sou cachorro não, pra viver tão humilhada..” música de maior sucesso do seu querido Waldick. Era também uma forma de dar vazão à sua própria insatisfação.

    Um belo dia ela amanheceu virada para a lua. João tinha ido para a feira na cidade e só voltaria no fim da tarde, já que nos sábados de feira, costumava tomar uns gorós jogando bozó com os amigos.

    Zefa resolveu cumprir a promessa tantas vezes adiada. Pegou todos os discos, dos Lp’s aos compactos simples e quebrou um a um e foi jogando a pedaceira no terreno atrás da casa. As capas rasgou todas e fez uma grande fogueira enquanto entre uma risada nervosa e outra cantava “eu não sou cachorro não, …”.

    João voltou no fim da tarde e chegou morrendo de vontade de escutar seus baiões, xotes e xaxados. Ao entrar em casa ficou em choque. Nem um disco na casa e nem sinal da mulher. Entendeu logo o que tinha acontecido. Zefa de Zé do Timbó tinha cumprido a sentença tantas vezes anunciada. Fora embora e ainda o deixara sem os seus amados discos. Certamente sentiria mais falta desses do que dela, pois só lhe davam alegrias, enquanto ela alternava bons e maus momentos. Nos últimos tempos, mais momentos ruins, por causa das constantes brigas devido às diferenças de preferências musicais, entre outras coisas.

    Já tomado pela emoção, ajudado pelas três garrafas de aguardente que tomara com os amigos na feira, ouviu algumas notas bem conhecidas que começavam e paravam em breves intervalos. Eram frases soltas, mas a melodia era a do Rabo do Jumento.

    Eu não quero pagamento Nasci…” e repetia, “eu não quero pagamen…”.

    Guiou-se pelo som chegando a um dos pés de jurema. Era um pedaço de disco enganchado nos galhos da árvore.

    Quando o vento soprava, balançava o galho e o espinho encostado no pedaço de vinil reproduzia trechos da canção.

     

     

     

     

     

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  • Uma colega de trabalho deu uma grande demonstração do quanto gosta da empresa. Agregou no e-mail pessoal o superlativo do nome da organização. De Barros para barríssima. Achei bem curioso e interessante nascendo assim os versos que publico a seguir.

    ELICIANA BARRÍSSIMA

     I

     É UMA MOÇA BACANÍSSIMA

    CHEIA DE BALACO BACO

    SE APRESENTA LOURÍSSIMA

    CONFIANTE NO SEU TACO

    NO DIA-A-DIA ESPERTÍSSIMA

    SABE GARANTIR SEU NACO

     II

    QUEM CONHECE ESTA MENINA

    DIZ QUE ELA É FELICÍSSIMA

    TRABALHA E NÃO DESANIMA

    NESTA VIDA AGITADÍSSIMA

    ELA É MESMO GENTE FINA

    AMIGA NÃO, AMICÍSSIMA

     III

    OS OLHOS CLAROS PARECEM

    DUAS ESMERALDAS, VERDÍSSIMAS

    OS AMIGOS NÃO ESQUECEM

    DESTA MÃE DEDICADÍSSIMA

    QUE TODO MUNDO CONHECE

    ELICIANA BARRÍSSIMA

    19.05 2011 – Natal – RN

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  • Em 2009 escrevi a primeira parte do Martelo do Fim do Mundo, baseado na hecatombe provocada pelo Katrina. Com o andar da carruagem, a revolta da mãe Terra aumentou, com vulcões das terras geladas acordando e parando o tráfego aéreo na Europa com erupções nunca vistas, terremotos em vários lugares, culminado com o do Japão com tsunamis destruidoras e afundando o país em mais de um metro. Muita gente morrendo, muita destruição e pouco aprendizado. Não se respeita a natureza e terminamos todos pagando um alto preço por isso. Vamos preservar os recursos naturais. Já é um pouco tarde, mas, antes tarde, do que nunca.

    Martelo do fim do mundo – Parte II

    I

    Quando o céu se revolta e a chuva cai

    Com a força de raios e trovões

    Como tiros de mais de mil canhões

    Uma frota de trens ou muito mais

    Destruindo e acabando tudo vai

    Sendo a água a arma dessa guerra

    Avançando com ira pela terra

    Como força sem fim da natureza

    Este mundo se acaba com certeza

    Pela água, com fogo ou pela terra.

    II

    Tsunami é o nome de uma onda

    Que por pouco não acaba com o Japão

    Trinta metros de água desde o chão

    Tão veloz que parece a super Honda

    E embora eu pergunte e não responda

    Com que força ela chega aqui na Terra

    É mortal o impacto que ela encerra

    Provocando muita dor, muita tristeza

    Este mundo se acaba com certeza

    Pela água, com fogo ou pela terra.

    III

    Quando a água vital desaparece

    E a seca se espalha pelo chão

    Mato seca se espalha de montão

    De repente a mata se aquece

    Um incêncio do nada aparece

    Avançando do mar até a serra

    Em Natal, Barcelona ou em Camberra

    Preservar é sinal de esperteza

    Este mundo se acaba com certeza

    Pela água, com fogo ou pela terra.

    Em Natal, 01 de junho de 2011

     

     

  • SALVO POR GALANTE

    Nestes tempos bicudos, onde a violência tornou-se uma rotina, fica cada vez mais perigoso sair de casa para viajar, principalmente pelos antigos calmos rincões do interior. O personagem desta história saíra da Paraíba de ônibus com destino a São Paulo como tantos e tantos nordestinos. Quando se pega a estrada para o sudeste, em busca de vida melhor não se leva muita coisa. Leva-se muito mais esperanças e uns poucos pertences e muito pouco dinheiro para sobreviver nos primeiros tempos. Vamos chamá-lo de José, afinal de contas tem muitos na nossa querida Paraíba.

    O ônibus seguia noite adentro pela estrada lá para as bandas de Feira de Santana, quando os passageiros foram acordados e convidados  por assaltantes a entregar tudo o que tinham. Como diria o matuto, além de queda, coice. Um dos bandidos que parecia ser o chefe, começou a interrogar as vítimas perguntando de onde eram. Entre perguntas e respostas, seguiu limpando os desafortunados passageiros. Até que chegou a vez de nosso herói. Como é seu nome meu chapa? José, respondeu meio acanhado, já pensando na tristeza de entregar o pouco que tinha. De onde você é? Sou de Galante. Galante? Na Paraíba? Sim senhor. Virou-se para os comparsas e falou: Com esse não se mexe. Por quê? perguntaram os outros; Respondeu orgulhoso:

    “Meu avô era de Galante”.

    Obs. Galante é um Distrito de Campina Grande na Paraíba, onde tem uma das melhores festas de São João do Brasil.

  • Na atual sociedade de consumo na maioria das vezes as pessoas medem o seu sucesso principalmente pelo que conseguem em bens materiais. Nada contra, pois sem dinheiro fica difícil obter o que se precisa para sobreviver. Entretanto, essa busca desenfreada pelo $uce$$o, quando não é coroada do êxito  que a pessoa espera, leva muita gente à frustação, decepção e o que é pior, à depressão. Por que isto acontece? Porque falta fé em si próprio. Quando você não vence a culpa não é do mundo, e talvez não seja totalmente sua. Mas a derrota só é total quando você desiste de você.

    I
    Lutar e não desistir
    Não perder a esperança
    Ter fé sempre persistir
    Que depois vem a bonança
    Ser feliz no existir
    Mantendo a perseverança
    II
    Deus em primeiro lugar
    Faz a coisa acontecer
    Mas, é preciso lutar
    Desde até o amanhecer
    É preciso pelejar
    Não desistir de crescer
    III
    Nada vem fácil na vida
    Toda conquista é suada
    Depois da seca ardida
    Sempre vem a invernada
    Após a luta renhida
    A conta fica abonada
    IV
    A força todos nós temos
    Jamais deixe arrefecer
    Pois a fé no que nós cremos
    Mostram um novo renascer
    Com um olhar novo te vemos
    Não desista de você.

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  • Volto a escrever no meu blog depois de uma pausa para concluir o meu novo livro. Foi batizado como “Conversa de Matuto”. Está saindo do forno e breve, muito breve estará disponível em papel nas livrarias e como e-book através do site. É um livro de cordel que reúne parte do que eu já publiquei em folhetos e uma parte ainda não publicada.

    Tem mais algumas novidades. Vou lançar uma página com receitas dos diversos rincões que visito por esse Brasil afora na coluna “Culinária em Verso e Prosa”.

    Vem muito mais por aí. Aguardem.

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  • Por volta dos idos de 80, constumávamos nos reunir em família às sextas-feiras e convidar alguns amigos para um joguinho de canastra. Varávamos a noite entre goles de whisky, tira-gosto e boas conversas. Um dos frequentadores assíduos da residência de um primo era um profissional de comunicações muito conhecido no Recife. Chamava-se Fernando Castelão. Ficara famoso por apresentar um dos primeiros programas de TV ao vivo no início da década de 60, o Você faz o Show. Salvo engano era na Tv Jornal do Commercio. Muito bem, Castelão era um grande contador de histórias e tinha uma verdadeira coleção de causos e casos, quase sempre temperados com muito humor e muitas vezes com versos.

    Contou certa vez, que um grupo de cidadãos já na terceira para a quarta idade, costumava se encontrar pelas manhãs na praça de Casa Forte, um bairro nobre do Recife. Reuniam-se aposentados de diversas profissões no amanhecer da capital pernambucana para caminhar e prosear, geramente falando do que já tinham feito. Ocorre que, neste mesmo horário, também costumavam frequentar a praça uma grande quantidade de secretárias do lar que tinham como primeira tarefa do dia, levar os cachorrinhos das madames para passear e descarregar no local enquanto as patroas dormiam. Eram um deleite para os velhinhos. À medida que a idade avança e a vista encurta, as mulheres ficam cada vez mais bonitas. E elas provocavam os vovôs.

    Mas, tinha uma que era especial. Morena com seus 22 anos, alta, altiva, pernas bem torneadas, um charme só. Além disso, tinha uma bunda perfeita, parecia feita à mão por um escultor talentoso. Foi demais para um juiz que também era poeta. Fez uma homenagem justíssima aos atributos da moça. Nunca soube seu nome para dar os créditos ao autor.

    ELEGIE À BUNDA

    Quando ela passa, todo mundo espia

    Não para a cara que não é formosa,

    Mas, para a bunda que é maravilhosa.

    Em bunda nunca vi tanta magia,

    Quebra, requebra, rodopia,

    Numa sensação vertiginosa.

    E deve ser assim uma bunda cor de rosa,

    Da cor do céu quando desponta o dia.

    E ela que sabe que sua bunda é boa,

    Segue faceira e rebolando à toa.

    E eu fico aqui, extasiado e mudo,

    Não pela cara que não vale nada,

    Mas pela bunda, que é o que vale tudo.

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  • Uma homenagem à nossa diversidade, nossa mistura de raças e cores, odores e sabores, artistas e atores e tudo o mais que nos rodeia nesse país abençoado.

     

    NOSSO BRASIL MULTICORES

    I

    EU SOU UM BRANCO CAFUSO

    NASCIDO AQUI NO NORDESTE

    RESPEITO A LEI, NÃO ABUSO

    NEM PRECISO FAZER TESTE

    MAS QUER ME DEIXAR CONFUSO

    CRITIQUE A ROUPA QUE USO

    EU VIRO UM CABRA DA PESTE

    II

    O BRASIL DE MUITAS RAÇAS

    EM APARENTE HARMONIA

    RECEBEU EM SUAS PRAÇAS

    PRA VIVER NA SERVENTIA

    ESCRAVOS QUE POR DESGRAÇA

    AQUI NESSA VIDA PASSA

    SEM RECEBER ALFORRIA

    III

    PRA CÁ VEIO JAPONÊS

    CHINÊS E ITALIANO

    ALEMÃO E PORTUGUÊS

    ESPANHOL E ANGOLANO

    IRLANDÊS E ESCOCÊS

    AMERICANO E FRANCÊS

    ARGENTINO E JAMAICANO

    IV

    A POPULAÇÃO NATIVA

    AMERÍNDIOS RESIDENTES

    ALI NA MATA CATIVA

    VIVIAM MUITO CONTENTES

    MAS O BRANCO NA OITIVA

    NÃO INCLUIU NOS CONVIVAS

    FEZ OS ÍNDIOS INDIGENTES

     

    V

    NOSSO POVO BRASILEIRO

    TEM MUITA DIVERSIDADE

    JÁ TEM MUITO ESTRANGEIRO

    QUE AQUI VIVE À VONTADE

    MISTUROU TUDO LIGEIRO

    GRINGO VIROU BATUQUEIRO

    CASOU NA COMUNIDADE

    VI

    ASSIM COM TANTA MISTURA

    EM TANTAS NATIVIDADES

    TÊM A MAIOR FORMOSURA

    AS NOSSAS LINDAS BELDADES

    LOIRAS, MORENAS, FOFURAS

    MULATAS QUE BELESURA

    É MUITA VARIEDADE

    VII

    NOSSA LÍNGUA PORTUGUESA

    NO BRASIL É BEM JOCOSA

    NO SUL RELEMBRA A NOBREZA

    NO NORDESTE É CAVILOSA

    ISTO É QUE FAZ A BELEZA

    O TEXTO SEM AVAREZA

    NO SOTAQUE EM SUA PROSA

    VIII

    NO SUL SE FALA TICHÊ

    JÁ NO NORDESTE É OXENTE

    EM MINAS UAI SE VÊ

    EM SÃO PAULO É DIFERENTE

    LÁ FALA TU, NÃO VOCÊ

    E OUTROS PEREPEPÊ

    CONFUNDE A CUCA DA GENTE

     

     

    IX

    NOSSO PAÍS UM GIGANTE

    DE REGIÕES DIFERENTES

    NO SUL O VENTO CORTANTE

    NO NORTE CHUVA FREQUENTE

    NORDESTE SECA CONSTANTE

    LEMBRA O INFERNO DE DANTE

    TRAZ O SOFRER PROS VIVENTES

    X

    NO NORDESTE TEM CAATINGA

    NO NORTE MATA FECHADA

    NO SUL EXISTE A RESTINGA

    NO SUDESTE A INVERNADA

    NO CENTRO OESTE MANDINGA

    NATUREZA CHORAMINGA

    O FIM DA MATA CERRADA

    XI

    TEMOS SAMBA E BOSSA NOVA

    UM BOM FORRÓ PÉ DE SERRA

    BEBENDO NA FONTE NOVA

    CANTAM AXÉ NA BOA TERRA

    SERTANEJO QUE INOVA

    O POVÃO GOSTA E APROVA

    DECORA A LETRA E NÃO ERRA

    XII

    BUMBA MEU BOI MARANHENSE

    FAZ FOLIA NO SÃO JOÃO

    NO CARNAVAL RECIFENSE

    SE DANÇA FREVO A ROJÃO

    NA BAHIA NINGUÉM VENCE

    A ALEGRIA CIRCENSE

    DE IVETE E SEU CORDÃO

     

     

    XIII

    A MAIOR FESTA DO MUNDO

    O CARNAVAL CARIOCA

    TEM SENTIMENTO PROFUNDO

    MUITA MUDANÇA PROVOCA

    JOSÉ, MARIA E OSMUNDO

    SÃO BARÕES POR UM SEGUNDO

    MUITA SAUDADE EVOCA

    XIV

    A ESCOLA SEGUE A PÉ

    EM LINDA COREOGRAFIA

    SÓ TEM PASSISTA PELÉ

    SAMBANDO COM MAESTRIA

    FALSOS CONDES DE BONÉ

    TRAZENDO O SAMBA NO PÉ

    EM PERFEITA ALEGORIA

    XV

    NOSSO ESPORTE PREFERIDO

    DESPERTA GRANDES PAIXÕES

    É DE LONGE O MAIS QUERIDO

    CAMPEÃO DAS MULTIDÕES

    E AINDA FOI UNGIDO

    COM UM REI NEGRO NASCIDO

    ALI EM TRÊS CORAÇÕES

    XVI

    ALÉM DE NOSSAS FRONTEIRAS

    TEMOS A COPA DO MUNDO

    MANDELA E SUA BANDEIRA

    FEZ UM TRABALHO FECUNDO

    LUTOU UMA VIDA INTEIRA

    SOFREU DE TODA MANEIRA

    DEU SEU RECADO PROFUNDO

     

     

    XVII

    RACISMO E SEGREGAÇÃO

    NÃO É POSSÍVEL ACEITAR

    NÃO SE FAZ UMA NAÇÃO

    LUTANDO PRA SEPARAR

    POR ISSO A MELHOR AÇÃO

    É FAZER A UNIÃO

    E A TODOS EDUCAR

    XVIII

    NOSSO BRASIL É MESTIÇO

    E ESSA É NOSSA BELEZA

    É ESSE O NOSSO FEITIÇO

    DIGO COM TODA CERTEZA

    É FUNDAMENTAL QUE ISSO

    NÃO PROVOQUE REBULIÇO

    E NEM DEMONSTRE FRAQUEZA

    XIX

    POIS É A DIVERSIDADE

    DE UM BRASIL MULTICOR

    NOSSA MAIOR QUALIDADE

    O NOSSO CASO DE AMOR

    PRA NOSSA FELICIDADE

    É ESSA REALIDADE

    QUE FAZ O NOSSO ESPLENDOR

    XX

    O BRASIL É BEM DIVERSO

    EM CLIMA E PROSPERIDADE

    TAMBÉM NA RIMA E NO VERSO

    TEM MUITA VARIEDADE

    POR ISSO AMIGO PROFESSO

    QUE ESTE NOSSO UNIVERSO

    É O MELHOR DE VERDADE

     

     

    XXI

    EM FUTEBOL SOMOS PENTA

    UMA PAIXÃO BRASILEIRA

    O NOSSO VÔLEI ARREBENTA

    COM PONTARIA CERTEIRA

    AQUI NINGUÉM SE CONTENTA

    O CORAÇÃO NÃO AGUENTA

    SER UM VICE NA CARREIRA

    XXII

    ESPORTE E RELIGIÃO

    NÃO DÁ NEM PRA DISCUTIR

    PARTE DO MUNDO É PAGÃO

    UM MODO DE EXISTIR

    PODENDO VIVER CRISTÃO

    OU OUTRA RELIGIÃO

    SER MUÇULMANO E FAQUIR

    XXIII

    RESPEITAR AS DIFERENÇAS

    É O QUE TODOS ESPERAM

    VIVENDO SEM DESAVENÇAS

    TODOS OS POVOS PROSPERAM

    NINGUÉM ESPERA QUE VENÇAM

    A LEI DAQUELES QUE PENSAM

    QUE PELA FORÇA LIDERAM

    XXIV

    COM LIBERDADE E RESPEITO

    O MUNDO VIVE MELHOR

    PORQUE GENTE SEM DEFEITO

    NÃO SE ENCONTRA AO REDOR

    POIS O TAL DO PRECONCEITO

    FERE A TODOS NO DIREITO

    DE VIVER COMO ELE SÓ

     

     

    XXV

    CADA UM GOSTA DE UM JEITO

    É PRECISO PACIÊNCIA

    POIS NINGUÉM NASCE PERFEITO

    ISTO É REAL NA ESSÊNCIA

    NÃO SE DEVE ESTAR SUJEITO

    A QUE SE FALTE AO RESPEITO

    E NÃO AJA COM DECÊNCIA

    XXVI

    O CANTADOR NORDESTINO

    É UM POETA CANORO

    POIS É DOM DO SEU DESTINO

    RECITAR VERSO SONORO

    A PALAVRA VIRA HINO

    NUMA RIMA QUE É O FINO

    É UM MOMENTO QUE ADORO

    XXVII

    NOSSA ARTE NA RETRETA

    TEM OPERETA E BAIÃO

    TEM MESTRE NA CLARINETA

    TEM DOUTOR EM VIOLÃO

    TEM BERIMBAU COM BAQUETA

    TEM TOCADOR DE TROMBETA

    ZABUMBA E ACORDEÃO

    XXVIII

    O QUE SERIA DO MUNDO

    COM TODAS COISAS IGUAIS?

    UM MUNDO SÓ DE RAIMUNDOS

    DE JOSÉS OU GENIVAIS?

    ERA UM BURACO SEM FUNDO

    COM O FORMATO ROTUNDO

    SEM SABER PRA ONDE VAI

     

     

    XXIX

    O DIREITO É GARANTIDO

    PELA CONSTITUIÇÃO

    NÃO PODE SER REPRIMIDO

    QUEM TEM OUTRA OPÇÃO

    POIS NÃO PODE SER BANIDO

    QUEM USA SUA LIBIDO

    POR SUA CONVICÇÃO

    XXX

    SOU POETA NORDESTINO

    NO INVERNO E NO VERÃO

    PELOS MEUS VERSOS AFINO

    O CANTAR DO MEU BORDÃO

    RIMA PRA MIM É O FINO

    O CORDEL É MEU DESTINO

    POESIA É MINHA PAIXÃO

    XXXI

    MAS HÁ QUEM GOSTE DO VERSO

    ESCRITO EM FORMA DE PROSA

    DRUMMOND DE TANTO SUCESSO

    RECITOU SEM FAZER GLOSA

    UM ESTILO BEM DIVERSO

    QUE FEZ UM GRANDE PROGRESSO

    NA POESIA E BOSSA NOVA

    XXXII

    ESSE É MEU ENTENDIMENTO

    RESPEITO A DIVERSIDADE

    O MUNDO A CADA MOMENTO

    ENTENDE ESSA VERDADE

    NÃO PODE HAVER SENTIMENTO

    FOMENTANDO O SOFRIMENTO

    SER CONTRA A VARIEDADE

     

     

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