• Folclore 18.02.2013

    José era um daqueles brasileiros que, como tantos, seguem firme acreditando até no impossível. Seu grande sonho sempre foi servir na polícia militar paulista. Tentou algumas vezes, mas sempre fora reprovado no exame psicotécnico. Tinha alguma coisa nele que não batia e podia torná-lo perigoso, talvez, não se sabe, para o exercício da função. A verdade é que ele não desistia. Como não fora admitido na PM, comprou farda e passou a exercer a função ilegalmente. Atendia ocorrências, fazia BO, casava e batizava. Até que um dia uma patrulha descobriu que ele era um falso soldado e o prendeu. Foi processado, condenado a pena alternativa pois já tinha ficado conhecido no meio e na comunidade e todos pediram por ele. Mas, foi avisado. Falsidadade ideológica, jamais. Já não era réu primário e a reincidência seria punida com os rigores da lei. Mas, não teve jeito. Voltou a ser falso polícia e acabou sendo preso novamente. Eram tempos duros de ditadura e o capitão responsável pelo inquérito resolveu lhe dar um susto. Entrou encapuzado na sala, deixou tudo à meia luz e falou solene com a pistola encostada à sua cabeça:

    Zé você é um caso perdido e foi condenado à morte. Todo condenado antes de morrer tem direito a um último pedido. Faça o seu:

    José respondeu de pronto: Me enterre de farda.

    Posted by antunios @ 01:08

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