• Não é de hoje que venho observando. A imprensa marronzista passou a me atacar novamente. Olhe a Veja, Isto é lá Época de se meter na vida alheia. Tudo porque fui lembrar do tempo que eu era o chefe. Empreguei uns sujeitos traidoristas que, agora depois que eu saí, tão tudo criando asa. Não pedi para adiar coisa nenhuma, pois afinal pra que adiar se não acho preciso fazer.

    Mas, querem fazer. Querem meu impitche depois da saída, só porque dei uma sugestão. Tão armando uma tal de CPI – Cambada Pelo Impitche pra me processar post moribundus est.

    E o motivo do minha solicitação era uma besteira só. Uns cabras velhos companheiros de farras e guerras etilônicas foram acusados de receber mensalão, o que era verdade só pela metade. Também tinha quinzenão e semanão, pois dependia só de votação. Tudo muito normal. E votação era o que não faltava. Mas a plebe populachiana quer ver sangue. Quem está lá pedindo já bebeu no mesmo copo e comeu no mesmo prato.

    A conversa foi de bastidores e palco oculto, portanto sujeita a malentendidos e outras mazelas do mesmo tipo. Se apertar é claro que vou negar, pois sempre dá certo.

    Não sou chegado a receber conselhos, pois vivem me dizendo que ficar doente já foi um aviso preu me aposentar. Mas, sou teimoso, quero estar no meio da folia, da farra política, ou não sou eu. Se precisar me aliar, me junto até com o turco que também já foi prefeito e governador. Em política não tem escândalo, tem conchavo e cumpadre. É isso aí. Quem achar ruim que se exploda.