• Folclore 15.05.2012

     

    De uma forma geral fomos criados dentro de um ambiente tão competitivo, que se não levarmos vantagem no que fazemos no nosso dia a dia somos considerados moles, ou perdedores. E ninguém quer ser um perdedor. Devido a uma propaganda de cigarros feita pelo jogador Gérson da seleção brasileira há mais de trinta anos, a coisa assumiu proporções de lei. Lei popular é verdade, mas amplamente difundida por gerações. Certo? Certo para a história, errado para a lei.

    Sim, porque existem pessoas que fazem de tudo para levar vantagem sem se preocupar nem um pouco com as outras pessoas e os seus direitos. Aí é uma tremenda falta de educação e cidadania.

    Mas, vamos à nossa história:

    Hoje em dia é obrigado por lei que se reservem vagas especiais para os idosos, sejam nos estacionamentos, nas filas de caixas de loterias, supermercados, bancos etc. Não é incomum mulheres jovens se aproveitarem da situação e entrarem na fila que seria para os idosos, gestantes e pessoas com deficiência. Já vi pessoas idosas questionarem e a mulher responder na cara de pau que estava grávida. O que não se pode comprovar em grande parte dos casos. E entende-se nesses casos, gravidez avançada, dificuldade de locomoção, crianças de braço etc. Mas com homem foi a primeira vez que ouvi falar.

    As filas estavam enormes naquele início de mês onde dezenas de pessoas vão para a lotérica com oito, dez ou  mais títulos para pagar. Dispensável dizer que o tempo de espera estava insuportavelmente grande. É aí que aparece nosso personagem:

    Sujeito bem apessoado, ar jovial aparentando no máximo uns quarenta anos, de repente entra na fila dos idosos que era a menor por uma rara coincidência, porque na prática raramente isto ocorre. Ao se posicionar, logo começaram os comentários de revolta dos demais clientes que viam com clareza que o homem não tinha qualquer deficiência aparente que lhe desse direito de frequentar aquela fila. Ao chegar à caixa foi questionado pela funcionária da lotérica:

    Senhor peço que respeite a lei, pois esta fila é para idosos e deficientes e o senhor não parece atender tais requisitos.

    Ao que ele respondeu:

    Moça é verdade, não sou idoso, sou deficiente.

    Ao que ela retrucou: vi o senhor andando normalmente e não parecia ter qualquer dificuldade de locomoção. Qual é a sua deficiência?

    Ele respondeu calmamente: Perdi um ovo.

    Só restou à caixa atender em meio à comoção geral.

    Natal/RN, 14 de maio de 2012

     

    Posted by antunios @ 00:21

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