• SALVO POR GALANTE

    Nestes tempos bicudos, onde a violência tornou-se uma rotina, fica cada vez mais perigoso sair de casa para viajar, principalmente pelos antigos calmos rincões do interior. O personagem desta história saíra da Paraíba de ônibus com destino a São Paulo como tantos e tantos nordestinos. Quando se pega a estrada para o sudeste, em busca de vida melhor não se leva muita coisa. Leva-se muito mais esperanças e uns poucos pertences e muito pouco dinheiro para sobreviver nos primeiros tempos. Vamos chamá-lo de José, afinal de contas tem muitos na nossa querida Paraíba.

    O ônibus seguia noite adentro pela estrada lá para as bandas de Feira de Santana, quando os passageiros foram acordados e convidados  por assaltantes a entregar tudo o que tinham. Como diria o matuto, além de queda, coice. Um dos bandidos que parecia ser o chefe, começou a interrogar as vítimas perguntando de onde eram. Entre perguntas e respostas, seguiu limpando os desafortunados passageiros. Até que chegou a vez de nosso herói. Como é seu nome meu chapa? José, respondeu meio acanhado, já pensando na tristeza de entregar o pouco que tinha. De onde você é? Sou de Galante. Galante? Na Paraíba? Sim senhor. Virou-se para os comparsas e falou: Com esse não se mexe. Por quê? perguntaram os outros; Respondeu orgulhoso:

    “Meu avô era de Galante”.

    Obs. Galante é um Distrito de Campina Grande na Paraíba, onde tem uma das melhores festas de São João do Brasil.