• Este final de semana aconteceu a Feira de Artesanato de Natal no alto da Candelária. Lá encontramos os mais variados artistas, como o escultor Mestre Ambrósio e suas esculturas de santos barrocos, o Mestre Paulo Varela recitando seus versos e contando seus causos, artistas conhecidos, artistas anônimos, mas todos divulgando seu trabalho e criatividade, mostrando a força da arte potiguar em todas as suas nuances. Este site passa a partir de agora a ser mais um veículo de divulgação da arte e cultura populares,tão importantes para a formação de um povo.

    Flashes da mostra:

    1. Mestre Paulo Varela poeta do Assú

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    2. Jovens visitantes – futuros artistas

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    3. Escultor Rhasec

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    4. Artistas do Engenho das Artes ( Ângela Ventura, Elenir e  a Professora Odete Tavares)

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    5. O poeta cordelista Mestre Marcolino com a poetisa cordelista Núbia Lira

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    6. Quadros de Ângela Ventura

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    7. Artesã Cileide

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    8. Pessoal do Pastel Paulista

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  • Em temporada de Copa do Mundo, vamos relembrar um fato que supostamente aconteceu, mas, se não foi totalmente verdadeiro, eu diria que a ficção ficou só por conta dos personagens, pois o jogo foi real.

    CAMPEONATO ROUBADO

     

     

    Existia um gringo egresso da Europa oriental que militou por muitos anos no futebol do nordeste do Brasil. Conhecia como poucos as malandragens do futebol e sabia tudo o que ocorria nos bastidores e porões do famoso esporte bretão.

    Certa vez correu uma história que, segundo diziam, fora contada por ele e se referia a uma final de campeonato ocorrida em um estado da região onde um dos times fora roubado descaradamente.

    O fato era o seguinte:

    Pela primeira vez o campeonato seria decidido fora do eixo das duas maiores cidades do Estado, a capital no litoral e uma cidade do agreste de grande importância econômica, cultural e financeira, onde ficavam os três melhores times do Estado. A ida da decisão para uma cidade pequena no interior era inédita e dava pela primeira vez a esperança da conquista de um título por um time pequeno e sem tradição.

    A população toda se mobilizou para buscar a conquista do tão sonhado campeonato. Entretanto, como ocorre até os dias de hoje, havia uma grande preocupação com o juiz que apitaria o jogo, pois os árbitros eram escolhidos na Federação que ficava na capital, bem perto dos interesses dos grandes clubes. Havia um sentimento na visão dos torcedores de que, o juiz geralmente favorece o clube grande de mais tradição.

    Para minimizar esse risco, solicitaram à Federação a contratação de um juiz de outro Estado , preferencialmente do Rio de Janeiro que era na época, a Meca do futebol brasileiro. O presidente da federação concordou para acalmar os ânimos. O juiz viria do Rio de Janeiro para Recife e ele em pessoa o escoltaria da capital pernambucana até o local do jogo. Falavam também as más línguas que o presidente do time adversário viajara no mesmo vôo. De Recife o juiz foi levado de carro pelo presidente da Federação para a cidade onde ocorreu o evento.

    A cidade estava em festa. Contavam com a vantagem da torcida fanática, o time jogando em casa, e o campo quase sem grama, com os buracos bem conhecidos pelo pessoal local e um perigo para os jogadores mais sofisticados do time grande acostumados com grama macia e bem tratada. Ali se praticava literalmente o famoso futebol de poeira como eram chamados os jogos no estádio municipal, dadas às condições do campo.

    Chegou o dia do jogo, tão esperado por todos. Uma vitória por qualquer placar daria o campeonato ao time da cidade anfitriã. Qualquer outro resultado consagraria o time visitante, tantas vezes campeão.

    No entanto pairava uma pergunta no ar: E se o juiz roubasse? Ele não sairia inteiro de lá. Não tinha como escapar. Logo ao chegar fora avisado, se roubar morre, pois vamos estar de olho, declarou o chefe da torcida organizada local.

    Nunca um título estivera tão perto de ser conquistado por um time fora do eixo dos grandes. Parece que dessa vez David venceria Golias mais uma vez, reeditando a famosa passagem bíblica.

    O time da casa tinha poucos destaques entre os seus esforçados atletas. Entretanto, dois merecem ser lembrados:

    O primeiro era o ponta esquerda, que era um raio. Um metro e cinqüenta e seis centímetros de pura velocidade, embora seu talento para jogar não fosse tão grande quanto a facilidade com  que abraçava umas garrafas da branquinha, conseguidas em um engenho próximo. Mas, fazia lá os seus gols, graças à rapidez que chegava à área adversária. Não era brilhante, mas, servia. Certa vez o técnico de um time do Recife o viu jogando e disse: Se tivesse um centímetro de inteligência seria o melhor jogador do mundo. Nessa estória ele é o Zé do Mé.

    O outro era o beque central, que tinha como principal habilidade dar de bico na bola, costume aprendido na usina de açúcar de uma cidade próxima onde deu seus primeiros chutes. Seu lema era: “bola pro mato que o jogo é de campeonato”. Avisado sobre a força do ataque do time visitante, prometera solene: “Não passarão”, lembrando a famosa frase de Dolores Ibárruri, conhecida como La Passionária, figura lendária da guerra civil espanhola. Devido ao número da chuteira que calçava, 45, ficou conhecido como Zé Pezão.

    O time visitante não cantou de galo, ficou como uma raposa na espreita, esperto esperando a vez de dar as cartas e ganhar mais um campeonato. Tinha o melhor elenco, a melhor campanha, ganhara dois dos três turnos e levava a vantagem do empate. Já entrava em campo com a mão na taça. Seus jogadores vinham de vários estados, sendo alguns de Pernambuco, outros do Ceará, além de Bahia e São Paulo. Pessoal experiente, ganhando bons salários e gordos bichos nas vitórias e às vezes até nos empates.

    Time profissional, usava uniforme padrão de primeira linha vindo de São Paulo, com destaque para o patrocínio de empresa estampado no peito como acontece até os dias de hoje. Era o que tinha de melhor no Estado.

     Dentre os vários destaques tinha um meia esquerda que era a estrela do time. Crioulo cheio de ginga e um ego do tamanho do Maracanã. Será chamado aqui de Zé Quelé em homenagem a um dito popular conhecido no interior que diz que quando a pessoa é besta “só quer ser as pregas de Quelé”. Além de boçal, ele tinha a convicção de que o juiz estava comprado e o jogo seria tranqüilo, mesmo parecendo uma coisa difícil de acontecer dada as circunstâncias da partida. Mas,… em futebol tudo é possível.

    Começa o jogo após o tradicional minuto de silêncio que sempre aparece nesses eventos. Sem esquecer que todos cantaram o hino nacional, perfilados como soldados, mão no peito como verdadeiros patriotas. Ou pelo menos fingiram que cantaram, pois a maioria dos jogadores nem conhecia as primeiras estrofes do nosso querido hino.

    No primeiro ataque do time visitante Zé Pezão divide a bola com Zé Quelé que faz corpo mole e cai na maior encenação. Todo mundo viu que a jogada foi viril, mas na bola. Só um cego veria diferente. Mas o juiz marcou a falta em cima da linha, frontal ao gol. A torcida reclamou porque o zagueirão nem tocou no outro jogador. Os primeiros gritos de ladrão ecoaram no estádio, somados a diversas homenagens à progenitora do árbitro, alem de ameaças diretas. Cartão amarelo para Pezão que reclamou, embora com justa razão. O azeite para fritar o juiz começara a ser aquecido.

    Enquanto isso, Quelé ajeitou a bola displicente, afastou-se meio metro e esperou o a autorização. Partiu para a bola crente que ia fazer o gol. Chutou um metro acima da trave para alívio da torcida local. O jogo continuou, bola pra lá, bola pra cá e novo ataque do campeão. O lateral direito entrou  impedido, recebeu a bola, deslocou o goleiro e cruzou para Quelé na marca do pênalti que também estava totalmente na banheira e só com a trave à sua frente. A derrota parecia decretada, pois so estavam ele, a bola e a trave. O que aconteceu em seguida ninguém poderia prever. O atacante isolou a bola com violência e ela caprichosamente bateu no travessão e foi para fora. O impedimento fora escandaloso, o bandeirinha tinha marcado e o juiz ignorou. Começava a ficar claro que o Sr. Árbitro havia sido comprado. Não dava para pensar diferente. O jogo continuou e terminou o primeiro tempo. O juiz saiu do campo para o vestiário aparentemente protegido pela polícia.

    Começa o segundo tempo e mal a bola rola, Quelé, sempre ele, avança em direção à área adversária e é travado na hora de finalizar. Cai escandalosamente e a falta é apitada. Os jogadores cercam o juiz, pois a jogada fora nitidamente na bola, corpo a corpo normal, mas não adiantou. Mais dois cartões amarelos para o time da casa, serviram para acalmar os ânimos e aumentar a ira da torcida.

    Quelé abriu distância, correu e bateu na bola com violência em direção ao ângulo superior direito. Mas o goleiro num esforço espetacular voou para desviá-la para escanteio. O 0 X 0 continuava mantido. O time da casa animou-se e partiu para o ataque. Bola lançada nas costas do zagueiro e Zé do Mé, o veloz ponta esquerda aparece por trás da zaga pega a bola e parte célere em direção ao gol. Executa o goleiro e a bola vai para o fundo das redes. O grito de gol ecoa no pequeno estádio seguido de um ohhh de frustração. O gol fora anulado. Impedimento, dado pelo bandeirinha e confirmado pelo juiz. Jogada difícil porque Zé do Mé era um raio e partira da mesma linha dos zagueiros. Sem jeito. O gol foi anulado.

     Assim que o tiro de meta foi batido diante da população indignada, a bola foi lançada para Quelé que estava novamente totalmente impedido. A jogada foi interrompida e o meia, estrela do time visitante veio com tudo para cima do juiz que sem pestanejar puxou o cartão vermelho e o expulsou. A confusão estava formada, mas não adiantou. O campeão estava com dez e  sem o seu melhor jogador. Zé Quelé fora mandado mais cedo para o chuveiro. A tensão aumentou no campo, mas como era de se esperar alegrou a torcida local que voltou a ter esperanças na conquista do campeonato. Agora começaram a acreditar que o juiz era honesto, não tinha sido comprado. Afinal, expulsar o melhor jogador do time visitante, do todo poderoso campeão não era pra qualquer um. E ainda dera mais dois cartões amarelos para os que reclamaram.

    O jogo ficou mais tenso, com jogadas ríspidas lá e cá, mas nada de perigo para os goleiros. A bola não saía do meio do campo e da intermediária devido ao grande número de faltas de parte a parte.

    Já no finalzinho do tempo regulamentar, uma bola foi cruzada sobre a área do time da casa e um jogador do time visitante chocou-se com Zé Pezão e caiu. Sem pestanejar o juiz marcou o penalty, para tristeza geral da torcida da casa. O atacante ajeitou a bola com carinho e afastou-se olhando no vazio para não encarar o goleiro nem dar dica em que canto iria chutar. O apito soou autorizando a cobrança e fez-se um silêncio mortal no estádio. O atacante correu e bateu firme na bola. Gol e 1X0 para o time visitante. O sonho virara pesadelo, pois mais uns poucos minutos e o jogo acabou. Restavam as lágrimas da frustração para a população da cidade. O time visitante, tantas vezes campeão, vencera mais uma vez. Enquanto festejavam, o juiz retirou-se discretamente sem chamar a atenção. No geral fizera um bom jogo aos olhos da torcida.

    Ao voltar,  encontrou-se com o dirigente do time campeão que pagara por seus préstimos que foi logo perguntando: Você enlouqueceu? Expulsou nosso melhor jogador, quase pôs tudo a perder! Ao que o juiz respondeu: Qual era o seu objetivo? Não era o campeonato? Você o tem. Marquei duas faltas inexistentes e deixei passar um impedimento escandaloso e seu jogador desperdiçou as três oportunidades. Se eu marcasse o pênalti com ele em campo, quem iria bater? O cartola respondeu: ele é claro, pois é o batedor oficial da equipe. O juiz retrucou: e ele com certeza iria perder, pois não era o dia dele. E eu como ficaria? Como iria arranjar outro penal? O seu negócio era seu time ganhar o campeonato. O meu era ganhar meu dinheiro e sair inteiro, sem agressões da torcida local. Meta atingida.

    A corrupção vencera mais uma vez.

     

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