• MOTE

    Marcolino é rapaz muito garboso

    Protetor, defensor das perseguidas

    I

     O menino chegou botando banca

     Encerrando a era de quarenta

     Começou a crescer lá nos cinqüenta

     E mamou na mãe negra e na mãe branca

     Resolvendo fazer ninguém estanca

     Encontrou na mulher da sua vida

     O seu porto, seu amor, sua guarida

     Que é também o seu bem mais precioso

     Marcolino é rapaz muito garboso

     Protetor, defensor das perseguidas

    II

    Foi vivendo e forjando seus princípios

    Numa luta tenaz trabalhadeira

    Retratada de forma verdadeira

    Construída com muitos sacrifícios

    Uma história com erros, mas sem vícios

    Sob a benção da mãe compadecida

    Enfrentou sua guerra, sua lida

    Se esforçou, foi valente e corajoso

    Marcolino é rapaz muito garboso

     Protetor, defensor das perseguidas

     III

    Namorou com Maria Antonieta

    Chateou o chefão Napoleão

    Que mandou lhe prender lá no porão

    Empurrado, estocado em baioneta

    Sob o toque tristonho da corneta

    Viu chorar muitas damas desvalidas

    Condenado de forma descabida

    Num processo pra lá de duvidoso

    Marcolino é rapaz muito garboso

     Protetor, defensor das perseguidas

    IV

    Brasileiro que é bom, tempo não nega

    Os sessenta chegaram em bom momento

    Tudo em paz, sem ter dor nem sofrimento

    Vai em frente, não cai nem escorrega

    Ao amar não se rende, só se entrega

    Namorou Bernadete e Margarida

    Conheceu e gostou de dona Ida

    Num forró pé de serra bem famoso

    Marcolino é rapaz muito garboso

     Protetor, defensor das perseguidas

     

    Natal/RN, 21 de novembro de 2009

    Tags: , ,

  • Todo bom engenheiro de obras tem alguma coisa para contar. Nos anos setenta rolava o PLANASA em Recife e presenciei uma cena que só acreditou quem viu. Contei em prosa no livro Caçando Jaburu e outra Histórias e vai aqui nos versos do cordel. 

    A ANTENA DA RADIO FALOU SOZINHA

    I

    Prezado amigo leitor

    Que me dá sua atenção

    Aconteceu no Recife

    E eu narro com emoção

    No bairro Casa Amarela

    Desse querido rincão

    II

    Estava em curso o PLANASA

    Pra fazer saneamento

    A COMPESA trabalhava

    Pra cumprir o fundamento

    Na Rua da Harmonia

    Só tinha cano e cimento

    III

    Ali com as valas cavadas

    No meio de água e lama

    A gente montava os tubos

    Pra levar água bacana

    Para os lares de Recife

    Que antes tinha má fama

    IV

    Má fama da água ruim

    Servida sem tratamento

    Que tinha muitas doenças

    Matando a todo o momento

    Homem, mulher e menino

    Sem qualquer constrangimento

    V

    O Recife padecia

    Com águas de muitas cheias

    Dos dois rios e canais

    Que corriam em suas veias

    Pelas ruas e avenidas

    E a coisa ficava feia

      VI

    Ali ninguém escapava

    Nem o pobre, nem o rico

    A lama cobria tudo

    Com lixo, merda e pinico

    De dia o pobre chorava

    De noite chorava o rico

    VII

    A cheia veio em setenta

    Depois em setenta e dois

    Vinha quase todo ano

    Não deixava pra depois

    Pra resolver a parada

    O governo se propôs

    VIII

    Precisava construir

    Barragens pra segurar

    A cheia quando ela vinha

    Para tudo inundar

    Foi feita uma em Carpina

    E outra em Tapacurá

    IX

    Essa água toda junta

    Precisava tratamento

    Pra população beber

    Sem passar por sofrimento

    Água vinda pelo cano

    E não no lombo do jumento

    X

    Lá no caminho dos canos

    Bem pertim duns pés de coco

    Tinha uma antena de rádio

    No riacho do Cavouco

    Podia matar de choque

    Todo cuidado era pouco

    XI

    E foi montando esses canos

    Que eu então presenciei

    Uma coisa tão incrível

    Quase não acreditei

    Ouvi a rádio falando

    Mas o rádio eu não liguei

     XII

    Raimundo peão do pixe

    Um cabra muito tinhoso

    Resolveu fazer um teste

    Pra ver se era perigoso

    Pulou a cerca de arame

    Era muito curioso

    XIII

    Ali no pé da antena

    Ele achou que era bacana

    Quando avistou os dois ferros

    Meio enterrados na lama

    Ver se ali dava choque

    Com um cipó de gitirana

    XIV

    Ao encostar o capim

    No meio das duas barras

    O fogo saiu de dentro

    Revelando as suas garras

    Parecia um raio do céu

    Se soltando das amarras

    XV

    Raimundo pulou de lado

    Enquanto o fogo estalava

    Então se ouviu o som

    Que da antena emanava

    Era que mesmo sem rádio

    Aquela peste falava

    XVI

    Quase ninguém acredita

    Nessa história verdadeira

    Que aconteceu no Recife

    Num dia de quarta-feira

    O povo diz que é mentira

    Coisa sem eira nem beira

    XVII

    Acreditem meus leitores

    Quando ouvi aquele som

    Saindo dali sem nada

    Num volume muito bom

    Era a PE ERRE A oito

    Tocando um samba do Tom

     

    Tags: , ,

  • Um amigo de meu primo me propôs fazer uma poesia sobre o seguinte Mote:

    UM NINHO DE PAPA CAPIM

    COM DOIS PAPA CAPIM DENTRO

    Para quem não sabe o Papa Capim é um pássaro muito canoro. Ficou assim a poesia dos Papa Capim

    I

    Nossa fauna brasileira

    Tem passarim a vontade

    Em grande variedade

    Cantam de toda maneira

    Uma ária seresteira

    No abrigo ou ao relento

    Sob a chuva ou sob o vento

    No quintal e no jardim

    Um ninho de Papa capim

    Com dois Papa capim dentro

    II

    Canário belga , sanhaço

    Sabiá e tuiuiú

    O canto do uirapuru

    Composto em belo compasso

    Tem na mata seu espaço

    Propaga seu som ao vento

    Num canto com sentimento

    Na mata espera por mim

    Um ninho de Papa capim

    Com dois Papa capim dentro

    III

    A caatinga no inverno

    É verde e muito florida

    Reproduz e gera vida

    No seu espaço materno

    Refazendo o ciclo eterno

    Produz muitos nascimentos

    E naquele lindo evento

    Avistei perto de mim

    Um ninho de Papa capim

    Com dois Papa capim dentro

    Tags: , ,

  • Um por do sol às margens do Lago de Sobradinho na Bahia, para variar degustando uma cervejinha bem gelada num calor de trinta e poucos graus. De repente uma visão digna de um quadro de Di Cavalcanti . Uma belíssima silhueta saindo da água de vestido a sacudir os cabelos negros sobre aqueles ombros morenos. Era jovem e linda naquela rusticidade sertaneja. Por um instante cheguei a pensar que vinha em nossa direção. Ledo engano, saiu da água e sumiu. Ficaram os versos.

    I

    Flor sertaneja

    De olhar tão doce.

    Quisera que fosses

    Tão linda pra mim.

    II

    Flor sertaneja

    Teu jeito brejeiro.

    Teu riso, teu cheiro

    Eu sonho pra mim.

    III

    Flor sertaneja

    Por mais que eu procure

    Aqui e alhures

    Eu não chego ao fim.

    IV

    Flor sertaneja

    Acabou meu sonho.

    Viverei tristonho.

    Não vens para mim.

     

    Tags: ,

  • Poesia 02.11.2009 No Comments

    Sempre lembro de Olinda com saudades. Nossa Marim dos Caetés de mar gostoso, barzinhos com aquelas agulhinhas fritas, camarões, goiamuns e aquela cervejinha muito, quase estupidamente gelada. Lembro de um amigo angolano que dizia: Ah daqui se olhar com atenção enxergo minha terra ali do outro lado desse mar. E o carnaval? Como esquecer aquelas horas maravilhosas no Bloco da Saudade subindo e descendo ladeiras no tríduo momesco? Nossa querida Olinda, tão pernambucana, de tantos artistas, de tantos valores.

    I

    Subindo a ladeira

    Revendo a saudade

    Encontro a cidade

    Tão bela e fagueira

    Olinda faceira

    De todas as artes

    Acordas no mar

    Dormes seresteira

    II 

    Eterna boêmia

    De poetas mil

    Tuas ruas retratam

    Com ar juvenil

    Aos velhos, aos jovens

    Passado ou presente

    As honras, as glórias

    Do nosso Brasil

     

    Tags: , ,

  • Poesia 01.11.2009 No Comments

    Viver feliz, sim

    Não por um vão momento

    Diariamente

     

    Viver feliz, sim

    Não fugazmente

    Cada dia, vivendo sorridente

    Semanalmente

     

    Viver feliz, sim

    Não velozmente

    Cada semana passada mansamente

    Mensalmente

     

    Viver feliz, sim

    Não ferozmente

    O mês passando construtivamente

    Semanas numa luta efervescente

    Anualmente

     

    Viver feliz, sim

    Não descontente

    Ano após ano, efusivamente

    O coração amando loucamente

    Correspondido apaixonadamente,

    Eternamente

    Tags: , , ,