• Folclore 29.10.2009 1 Comment

    Aqui está mais uma das histórias que publiquei no livro “Caçando Jaburu e outras histórias”.                                                                                      

    No ano da graça de 1968, passeando pela feira de Campina Grande na Paraíba dei de cara com um daqueles contadores de histórias tão comuns no Nordeste do Brasil. Normalmente estão vendendo literatura de cordel, uma das manifestações mais puras da poesia popular brasileira.

    O moço nesse caso estava ensinando a jogar no bicho e vendendo uma combinação de palpites prontos com simpatias para os crédulos arriscarem a sorte na busca de acertar uma milhar premiada na cabeça, ou seja, no primeiro prêmio.

    O jogo do bicho é uma contravenção tolerada em todos os estados brasileiros, mas, regulamentada na Paraíba no tempo em que o Dr. João Agripino Maia era governador do Estado.

    Consiste numa loteria com um grupo de vinte e cinco animais em ordem alfabética, cada um representado por um número. Começa com a águia que é a número 01 e termina com a vaca que é a de número 25. A premiação menor é quando se acerta no grupo que paga na maioria das cidades brasileiras R$ 15,00 por cada real apostado.

    A dezena paga R$ 50,00 reais por cada real um jogado, a centena R$ 400,00 e a maior é quando se acerta a milhar do primeiro prêmio que paga em média R$ 4.000,00 por cada unidade de moeda jogada, variando o valor de cidade para cidade.

    Os jogos são divididos em cinco prêmios compostos de uma milhar cada um. Ou seja, pode-se tirar a sorte em qualquer milhar desde que se jogue do 1º ao 5º. Cada animal do grupo é reconhecido por quatro dezenas em ordem crescente mais dois dígitos variando de 01 a 99 compondo a milhar.

    Exemplo: A águia é reconhecida pelas dezenas de terminação 01, 02, 03 e 04, associada a qualquer dezena entre 01 e 99 compondo a milhar. Assim, 0101 é águia, 9901 é águia, 5004 é águia. Somam 400 milhares para cada bicho em cada prêmio, totalizando 2000 milhares nos cinco prêmios e 50000 no total dos 25 bichos. Isso em cada corrida, pois à época eram sorteados três prêmios durante o dia, pela manhã, à tarde e à noite.

    Conta a história que o jogo do bicho foi inventado pelo Barão de Drummond em 1892 no Rio de Janeiro. O Barão era dono do Jardim Zoológico e recebia subvenção da Coroa  para manter tudo funcionando. Com o advento da República a verba foi cortada e o Zoológico passou a ter dificuldades para sobreviver. Foi quando surgiu a idéia de lançar a loteria animal.

    O sonho é um grande aliado do jogador do bicho. Permite as mais diversas interpretações e como às vezes dá certo, segue no imaginário popular como uma grande ferramenta de auxílio para ganhar no jogo.

    O propagandista, como eram chamados aqueles homens que divulgavam produtos na feira, contou a seguinte história:

     Numa cidade do interior da Paraíba morava uma senhora que, de tão viciada no jogo, há um bom tempo não sonhava. Consultara uma cartomante que lhe dissera que na próxima vez que sonhasse, receberia uma indicação de palpite para o jogo do bicho que era líquido e certo. Era só ter um pouco de paciência. Após alguns dias  veio o tão esperado sonho com a seguinte indicação; no dia seguinte a primeira pessoa que lhe “desse as horas”, expressão usada no interior para o cumprimento, daria o palpite do jogo do bicho. Mas, tinha uma recomendação importante; ela não poderia dirigir a palavra a ninguém, senão o palpite não viria. Teria que ter paciência e aguardar, para não quebrar o encanto.

    Ela morava numa rua típica das cidades pequenas do Nordeste do Brasil. Casas geminadas, parede e meia como são conhecidas, calçada única, uma porta principal dividida em duas metades e uma só janela com parapeito largo para apreciar o movimento externo nas horas de folga. A casa era uma das últimas da rua, ficando bem próxima a uma vacaria já quase na área rural da cidade. Em frente à casa tinha um cacimbão que servia de fonte  para quase todo mundo, já que água encanada era uma esperança para o futuro naquele sertão esquecido pelos homens, já que Deus não esquece ninguém. O poço ficava bem embaixo de um grande pé de tamarindo que fazia uma sombra muito larga devido à enorme copa da árvore. Era um verdadeiro oásis naquela fornalha sertaneja do semi-árido paraibano.

    A senhora acordou cedo, no raiar do dia e postou-se na janela esperando o cumprimento salvador que traria o palpite para o jogo vencedor e a sorte grande. Logo os vaqueiros, todos conhecidos, começaram a passar para ordenhar as vacas e para a lida diária e nada. Nem um bom dia, parecia que nunca tinham se visto. As horas foram passando, os filhos acordaram, as pessoas da casa iniciaram suas atividades rotineiras, mas ninguém lhe dirigiu uma só palavra. Parecia que estava invisível, pois nem vizinhos, nem parentes nem amigos lhe dirigiram qualquer cumprimento.

    Decidiu apostar no sonho, permanecendo calada esperando o mensageiro da sorte. Quando o cambista apareceu no início da rua já perto das 11 horas a angústia tomou conta dela, pois estava vendo sua esperança ir embora. Não poderia esperar pelo jogo da tarde, pois a recomendação no sonho era expressa, só vale para o jogo do meio dia.

    Mas, como diz o ditado, “a quem Deus promete não falta”, parou na sua porta um caminhão Chevrolet 46 reduzido pé de bode como era conhecido o modelo da GMC, e o motorista desceu e disse:

    - Bom dia dona Maria. Ela disse para si mesma, é esse, só pode ser.

    A senhora dá licença eu tirar água da sua cacimba para botar aqui no radiador da minha onça? Carro velho no Nordeste é chamado de onça.

    Ela pensou rápido, é ele, não tem erro. No jogo do bicho não tem onça, mas tem os primos, Tigre e Leão, e anotou sem demora para não esquecer.

    Pois não seu Zé, fique à vontade. Ao que o motorista respondeu: vou aproveitar a sua sombra para acertar a Borboleta dessa boca de Jacaré que vem comendo muita gasolina. Ela anotou mais dois no caderninho. Passado algum tempo o motorista e mecânico, dirigiu-se a uma pessoa que vinha em cima da carroceria e que era seu chapeado, como são conhecidos os ajudantes de caminhão e falou:

    Elefante desce daí. Vamos tomar uma para dar fome pro almoço? Vamos patrão, boa idéia. O motorista respondeu:

    Não sabe aquela Gata veia que eu matei o Carneiro dela com o carro? Sei patrão. Pois vá lá na barraca dela pegue uma garrafa de aguardente Touro com tira gosto de Peru pra gente sarrar o Galo nessa cabeça de Porco. O sonho começara a virar um pesadelo depois de tantos palpites.

     Quando Elefante saiu o motorista virou-se para ela e disse: Tá vendo aí D. Maria, esse cabra diz que é Águia, é metido a sabido, mas, não passa de um Burro. Tem 15 filhos, família de Coelho sem condições de sustentar com o dinheiro que ganha. A mulher coitada é magra como uma Cobra, as canelas finas, num tem que ver as canelas de um Avestruz. Nesse ponto da conversa Elefante já retornava com as encomendas e ainda ouviu os últimos comentários. Falando de mim patrão? Não só estava dizendo a D. Maria que você só quer viver da beleza feito Pavão.

    Terminaram de arrumar o caminhão, beber e comer e despediram-se de D. Maria que a essa altura já estava com o caderno cheio. De repente ouviu-se um estampido seguido de um chiado,  e…, acabara de estourar um pneu. Desceram e o motorista constatou que estava sem as ferramentas adequadas para a troca do pneu. Virou-se para Elefante e falou: Elefante, vá lá na casa de compadre Camelo e peça o Macaco dele emprestado, mas, não entre na casa não, pois os Cachorros de lá são brabos e do tamanho de um Cavalo. Ao que Elefante respondeu: Mas patrão, compadre Camelo é muito Urso, não vai querer emprestar o Macaco não.

    Deixe de conversa e vá logo Viado, tá feito Vaca ?

    E assim cumpriu-se a profecia.

    NOTA: Os valores de premiação da história forma pesquisados por ocasião da feitura do livro. Hoje tem cidades que pagam para a milhar 5000×1, a centena 600×1, a dezena 60×1 e o grupo 18 reais por 1 no grupo. Existem ainda uma grande gama de combinações que geram os mais diversos valores de premiação.

    Obs: CONTATO COM O AUTOR: antunios@hotmail.com

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  • Por mais estranho que possa parecer, os triângulos amorosos são bem comuns no interior. Conheci até quartetos nas minhas andanças pelo interior do Brasil. A história de Zefa e Chico retrata o abandono que, muitas vezes, as mulheres sofrem por parte de maridos ignorantes e com uma cultura de que mulher é só para parir e servir.

    I

    SEU DOTÔ VOU LHE CONTÁ

    O QUI AQUI SE ASSUCEDEU

     POIS DE FATO ACONTECEU

    CUM CHICO PÉ DE PREÁ

    QUI RESORVEU SI INGRAÇAR

    DE ZEFINHA DE DUDÉ

    MODE AS ANCA DA MUIÉ

    QUI REBOLA QUANO PASSA

    ANDANO CHEIA DE GRAÇA

    E MUITO PEREQUETÉ.

    II

    ERA UMA NOITE ISTRELADA

    FESTEJANO A PADROEIRA

    MUITA CACHAÇA BREJEIRA

    E QUEIJO CUM MARMELADA

    TINHA CERVEJA GELADA

    TIRA GOSTO DE GALINHA

    CUM FARINHA BREJEIRINHA

    NUM PIRÃO MUITO ARRETADO

    GOSTOSO E APIMENTADO

    PREPARADO POR ZEFINHA

    III

    VEI UM PADE LÁ DA FRANÇA

    VEI PULIÇA, DELEGADO

    MAIS UM CABO E TRÊS SORDADO

    PRA GARANTIR SIGURANÇA

    DE MUIÉ ,VÉI E CRIANÇA

    E DE MATUTO BRIGÃO

    COMO ZÉ DA CONCEIÇÃO

    QUI FICAVA IMBRIAGADO

    FALANO TODO INROLADO

    E DIZENO PALAVRÃO

    IV

    TODO MUNDO TAVA ARMADO

    UM CUSTUME DO SERTÃO

    CUM REVORVE E MOSQUETÃO

    E PUNHÁ MUITO AFIADO

    FACA E FACÃO AMOLADO

    SE UM CABRA ASSIM BEM VISTIDO

    LEVA UMA GAIA ISCONDIDO

    CUM CERTEZA SI APERREIA

    QUER LOGO METER A PEIA

    FICÁ BRABO E ATRIVIDO

     V

    DUDÉ FI DE BIU CANINHA

    É CABRA MUITO DISPOSTO

    POR ZEFA TEM MUITO GOSTO

    CONHECEU ELA NOVINHA

    CUM SUA PRIMA RITINHA

    NUM FORRÓ DE PÉ DE SERRA

    O MIÓ DAQUELA TERRA

    NUMA NOITE DE SÃO JOÃO

    QUANDO SOLTAVA ROJÃO

    QUI PARECIA UMA GUERRA

    VI

    CUMEÇARO A NAMORÁ

    E FORO LOGO CASANO

    CUM ZEFA EMBARRIGANO

    QUAJI NO PÉ DO ALTÁ

    DUDÉ BUTOU PRA QUEBRÁ

    PRA ZEFA NUM DEU MOLEZA

    ERA SÓ NA SAFADEZA

    NO QUINTÁ E NA ALCOVA

    POIS TESÃO DE MUIÉ NOVA

    NUM ISFRIA COM CERTEZA

    VII

    QUANO ZEFA SI CASÔ

    TINHA FEITO DIZESSETE

    DUDÉ TINHA VINTE E SETE

    E O CASÁ SE CUMPRETÔ

    O VIGARO ABENÇOOU

    NOVA FAMIA FORMADA

    CUM ZEFA JÁ IMPRENHADA

    NUM BUCHO DE MAIS DE MÊS

    DUDÉ NUM PERDEU A VEZ

    TINHA INXIDO A NAMORADA

    VIII

    OS ANO FORO PASSANO

    A VIDA SEGUINO IN FRENTE

    ZEFA VIVENO CONTENTE

    SUAS CRIANÇA CRIANO

    UM BRUGUELO A CADA ANO

    JÁ TINHA SEIS NA NINHADA

    E DUDÉ NA CACHORRADA

    VIVIA RAPARIGANO

    E MUNTA CANA TOMANO

    CUMA PUTA AGALEGADA

     IX

    NUM DEMORÔ MUNTO NÃO

    CUMEÇARO OS MIXIRICO

    VIZIN FAZENO FUXICO

    DAQUELA SITUAÇÃO

    SE ZEFA SABIA OU NÃO

    NUM CUMENTAVA NADINHA

    SOFRIA MERMO SOZINHA

    SEM INFORMÁ PRAS CRIANÇA

    QUI O PAI VIVIA NA DANÇA

    NO CABARÉ DE ROSINHA

    X

    DUDÉ PUXÔ E ARRASTÔ

    TODAS MANIA DO PAI

    POIS TODA NOITE ELE VAI

    PRO BUTECO DE NESTÔ

    ZEFA FICA NO TRICÔ

    ELE SE FAZ DE BACANA

    VAI INCHER O CÚ DE CANA

    IGUALZIM A BIU CANINHA

    VAI DIRRUBANO A BRANQUINHA

    E FAZENO JUS A FAMA

    XI

    ADISPOIS DE INCHER A CARA

    SEGUE DIRETO PRA ZONA

    LÁ INCONTRA AQUELAS DONA

    QUI VEVE IN RIBA DA VARA

    CUM DUENÇA QUI NUM SARA

    DE CHANHA INTÉ GONORRÉA

    INCARA QUALQUER BORRÉA

    SI SINTINO UM GARANHÃO

    MAS NUM PASSA DUM CAGÃO

    QUI VEVE CUM DIARRÉA

    XII

    A COISA FICÔ DIFICE

    POIS ZEFA ACABÔ SABENO

    SIGUIU IN FRENTE SOFRENO

    PRO MODE O DISSI MI DISSI

    POIS INTÉ CUMADE EUNICI

    DISDIBUIOU A ISTORA

    GORA JÁ TAVA NA HORA

    DI CUNVERSÁ CUM DUDÉ

    SABÊ O QUE QUELE QUÉ

    SI ACERTÁ SEM DEMORA

     XIII

    ZEFINHA TAVA PENSANO

    COMO FALÁ CUM DUDÉ

    POIS CUMA ERA MUIÉ

    TINHA QUI SIGUI LUTANO

    NO BATENTE LABUTANO

    INTÉ ARRUMÁ AS PROVA

    PRA SEM POESIA NEM PROSA

    INQUADRÁ O ELEMENTO

    DISPACHÁ SEM DOCUMENTO

    E CUMEÇÁ VIDA NOVA

    XIV

    MAS ANTES DE ARRESORVÊ

    A PARADA CUM DUDÉ

    ZEFINHA SIGUIA A PÉ

    TENTANO A DÔ ISQUECÊ

    SORRINO PRA ISPARECÊ

    QUANO VIU CHICO PREÁ

    QUI VINHA BEM DIVAGÁ

    CUM SEU SORRISO BANGUELA

    DURIM OLHANO PRA ELA

    CUMA QUEM QUÉ SI ABRAÇÁ

    XV

    FOI AÍ QUI ACONTECEU

    OS ZOI DOS DOIS SE INCONTROU

    ZEFINHA SE ARRUPIOU

    I CHICO FICOU TREMENO

    CUM AS PESTANA BATENO

    I CUMEÇÔ A GAGUEJÁ

    SEM AS PALAVRA INCONTRÁ

    MERMO ASSIM DISSI BOM DIA

    CUMA VAI FULÔ DO DIA

    NOIS IXISTE PRA SI AMÁ.

    XVI

    ZEFINHA NEM DEU OUVIDO

    CONTINUOU SEU PASSEIO

    POIS O MUNDO TAVA CHEIO

    DE CABORÉ INXIRIDO

    E DE CABRA JÁ VIVIDO

    DOUTÔ EM PAQUERAÇÃO

    CUM MUNTA CUNVERSAÇÃO

    PROMETE O MUNDO E O FUNDO

    AMOR ETERNO E PROFUNDO

    E MUNTA BADALAÇÃO

     XVII

    O CHICO ERA BOM SUJEITO

    ERA BOM TRABAIADÔ

    NUM ISTUDÔ PRA DOUTÔ

    MAS APRENDEU DO SEU JEITO

    A LÊ I ISCREVÊ DIREITO

    MAIS AS QUATRO OPERAÇÃO

    MERMO CONTA CUM FRAÇÃO

    JÁ RESORVIA NA HORA

    CUM PROVA DE NOVES FORA

    SEM ERRÁ NA TRANSAÇÃO

    XVIII

    O CHICO PÉ DE PREÁ

     SEMPRE GOSTOU DE ZEFINHA

    DERNA QUI ERA NOVINHA

    ELE PENSOU NAMORÁ

    PORÉM AGIU DIVAGÁ

    E DUDÉ CHEGÔ PRIMERO

    NAMORÔ CASÔ LIGERO

    NUN DEU CHANCE PRU PREÁ

    QUI TEVE QUI AGUENTÁ

    I FICÁ RAPAZ SORTERO

    XIX

    O TEMPO É GRANDE ALIADO

    VIRTUDE É TÊ PACIENÇA

    DEPOIS CHEGA A RECOMPENSA

    COMO BEM DIZ O DITADO

    O CHICO ISPERÔ SENTADO

    SEM PERDÊ A ISPERANÇA

    QUI TINHA DESDE CRIANÇA

    DE SI AJUNTÁ CUM ZEFINHA

    NUMA CAMA BEM QUENTINHA

    PRA FAZÊ UMA LAMBANÇA

    XX

    ENFIM O DIA CHEGÔ

    NA FESTA DA PADROERA

    NA PRAÇA PERTO DA FEIRA

    CHICO A MORENA AVISTÔ

    POIS ZEFINHA SEU AMÔ

    TAVA PARADA SOZINHA

    ISPIANDO PRA BANDINHA

    QUI TOCAVA NA RETRETA

    UM DOBRADO BEM PORRETA

    NO CORETO DA PRACINHA

     XXI

    O CORAÇÃO BATEU FORTE

     I SEM VÊ DUDÉ PU PERTO

    ARRESORVEU SÊ ESPERTO

    E ARRISCÁ SUA SORTE

    MERMO CUM RISCO DE MORTE

    O TESÃO ERA MAIÓ

    E SEM PENSÁ NO PIÓ

    CHEGÔ JUNTO DE ZEFINHA

    ABRAÇÔ A MORENINHA

    SEM MUNTO POROCOTÓ

    XXII

    DE INIÇO ELA ASSUSTÔSSE

    QUIS SI SORTÁ DO ABRAÇO

    CHICO CUNS NELVOS DE AÇO

    FALÔ CUMA FALA DOCE

    A MINHA ISPERA ACABÔSSE

    VAMO SI AMÁ AGORA

    POIS INTÉ PASSÔ DA HORA

    DI NÓIS DOIS FAZÊ AMÔ

    PURQUE DESPOIS QUI NÓIS FÔ

    VOCÊ NUM MI MANDA IMBORA

    XXIII

    ZEFINHA NUM RISISTIU

    FOI PRU BARRACO DI CHICO

    DEPOIS DE TANTO FUXICO

     SUA VERGONHA SUMIU

    RESOVEU DÁ O XIBIU

    PARA QUEM GOSTAVA DELA

    O VELHO CHICO BANGUELA

    QUI TINHA O PÉ DE PREÁ

    TRANSÔ SEM SI INCABULÁ

    CUM CORAGE SEM CAUTELA

    XXIV

    DEPOIS DA NOITE DE AMÔ

    ZEFINHA VOLTÔ PRA CASA

    PUR POUCO NUM SI ATRASA

    POIS LOGO DUDÉ CHEGÔ

    PARECE QUI ADVINHÔ

    JÁ FOI CHAMANDO ZEFINHA

    VEM CÁ MINHA GOSTOSINHA

    PRA NOSSO ATRASO TIRÁ

    TÔ PRONTO PRA NÓIS TRANSÁ

    DÁ UMA BEM RAPIDINHA

     XXV

    ZEFINHA DISSI NUM DÁ

    POIS TÔ CUM DÔ DE CABEÇA

    PUR HOJE VOCÊ MI ISQUEÇA

    QUI EU NUM VÔ NAMORÁ

    TOME UM BAIN PRA MILHORÁ

    DESSE CHERO DE TITICA

    POIS HOJE ESSA PIRIQUITA

    NUM DÁ PRA VOCÊ USÁ

    VÁ DURMI PRA DISCANSÁ

    DESSA CACHAÇA MARDITA

    XXVI

    DIPOIS DE PASSADO UNS DIA

    DUDÉ FICOU MAIS CASERO

    POIS JÁ TAVA MEIO CABRERO

    CUM O QUI ACONTECIA

    POIS ZEFINHA REPELIA

    TODA VEZ QUI ELE TENTAVA

    DIZIA QUI ASSIM NUMA DAVA

    QUI NUM TAVA BEM DISPOSTA

    I DAVA O NÃO POR RESPOSTA

    DUDÉ NUM SI CONFORMAVA

    XXVII

    NA SEMANA ELA SAÍA

    PRA VISITÁ AS CUMADE

    LÁ NU CENTO DA CIDADE

    PROCURÁ CUMADE LIA

    MAS O QUE MERMO ELA IA

    ERA INCONTRÁ CUM PREÁ

    PARA BUTÁ PRA QUEBRÁ

    VIVÊ O AMÔ PROIBIDO

    AGORA DISINIBIDO

    SEM TÊ COMO TERMINÁ

     XXVIII

    DUDÉ JÁ DISCONFIADO

    RESORVEU FICÁ TENTANO

    POIS MERMO DISCONFIANO

    NUM TINHA QUALQUÉ CERTEZA

    QUI SUA XUXU BELEZA

    TAVA LHI BUTANO GAIA

    JÁ AMOLAVA A NAVAIA

    PRA PEGÁ OS DOIS NO SUSTO

    DÁ UM CASTIGO BEM JUSTO

    NU URSO E NA MUIÉ PAIA

    XXIX

    PARTIU PARA O TUDO OU NADA

    E ZEFINHA CHEGOU JUNTO

    I SEM NEM PUXÁ ASSUNTO

    ISPERÔ DUDÉ DEITADA

     DEU UMAS OITO GOZADA

    QUI INDOIDECEU O MARIDO

    QUI PERDUÔ SÊ TRAÍDO

     ACEITÔ A PRÓPIA SORTE

    JÁ SI SINTINO MAIS FORTE

    SEM O ORGULHO FIRIDO

    XXX

    FOI ASSIM QUI MI CONTARO

    NOS MEUS VERSO REGISTREI

    POIS EU NUNCA ACREDITEI

    QUI CORNO NACE CUM FARO

    MUNTO MENOS CUM PREPARO

    PRA CUMPRI A SUA SINA

    MAS COMO A ISTORA INSINA

    É MIÓ TÊ PACIENÇA

    RESORVÊ SEM VIOLENÇA

    E MUDÁ SUA ROTINA

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  • Nando: Quem tem um amigo nunca está sozinho. Você sempre foi um amigo, um irmão. Mesmo quando tivemos que nos afastar por razões profissionais e familiares, continuamos amigos. Hoje aos sessenta, inicia o terceiro trinta. Saúde e felicidades. Um grande abraço.

    I

    PRIMO NANDO FEZ SESSENTA

    COM A FAMÍLIA COMEMORA

    O TEMPO PASSOU DEPRESSA

    POIS A VIDA NÃO DEMORA

    TEM QUE PRESTAR ATENÇÃO

    PRA NÃO PERDER A RAZÃO

    E PARTIR ANTES DA HORA

                                   II

    HOJE COMEÇA A VELHICE

    NA IDADE CRONOLÓGICA

    MAS NA CABEÇA DE NANDO

    A VELHICE NÃO TEM LÓGICA

    POR ISSO AINDA É MENINO

    DIZ QUE AINDA TOCA O SINO

    COM HARMONIA MELÓDICA

    III

    FOI UM MOLEQUE TRAVESSO

    NOS TEMPOS DE MENINÃO

    VIA FILME DE CAUBÓI

    ZORRO E O HERÓI DO SERTÃO

    MAS JÁ NA ADOLESCÊNCIA

    RECEBIA A INFLUÊNCIA

    DO XAXADO E DO BAIÃO

                                   IV

    NAS FESTAS DE FIM DE ANO

    IA NAMORAR NA PRAÇA

    EM SANTA RITA ERA REI

    NADA DEIXAVA DE GRAÇA

    DEPOIS DE SARRABULHAR

    IA LÁ PRAS POPULAR

    TREINAR PARA SENTAR PRAÇA

                    V

    AS MENINAS JÁ SABIAM

    QUEM ERA O BODE DALI

    FICAVAM TUDO ASSANHADA

    FLERTANDO E QUERENDO RIR

    JÁ PENSANDO NO DINHEIRO

    IAM SENTANDO O TRASEIRO

    JÁ ESPERANDO ELE AGIR

    VI

    O MOÇO ERA CONHECIDO

    TAMBÉM GOSTAVA DE CANA

    SE TIVESSE JURUBEBA

    SATISFAZIA O BACANA

    MAS SE A VERDADE DESEJA

    DESSE UMA BOA CERVEJA

    QUE ESSA LOURA ELE AMA

                                   VII

    QUANDO VINHA O CARNAVAL

    OITO DIAS FARREAVA

    ERA DO BLOCO ANIMADO

    DA FOLIA NÃO ARREDAVA

    NEM PRA COMER UM PIRÃO

    NEM SANDUICHE NEM PÃO

    SÓ A MARVARDA ENTORNAVA

                                   VIII

    PASSOU NO VESTIBULAR

    FOI CURSAR A FACULDADE

    JÁ NAMORAVA COM NUCA

    DESDE DEZ ANOS DE IDADE

    JÁ FALAVA EM SE CASAR

    PRA SEIS MENINOS CRIAR

    JUNTO COM SUA BELDADE

                                   IX

    SEGUIU EM FRENTE NA VIDA

    ESTUDANDO E APRENDENDO

    CONCLUIU E SE FORMOU

    E ASSIM FOI SE FAZENDO

    ASSUMIU SEU MINISTÉRIO

    ABRAÇANDO O MAGISTÉRIO

    UM MESTRE ENTÃO FOI NASCENDO

                                   X

    CASOU E VIERAM OS FILHOS

    QUE FOI COM NUCA CRIANDO

    E LÁ NA ACADEMIA

    CONTINUAVA ENSINANDO

    LEVAVA O CONHECIMENTO

    E COM PLENO SENTIMENTO

    AS TURMAS IA FORMANDO

                                   XI

    ASSIM OS ANOS PASSARAM

    CUMPRIU A META E PAROU

    E COMO BOM BRASILEIRO

    FEZ JUS E SE APOSENTOU

    DIZ QUE HOJE SÓ NAMORA

    FAZ AMOR A TODA HORA

    PRA ISSO NÃO DESCANSOU

                                   XII

    O CABRA É BOM PEGADOR

     PERGUNTE A QUEM O CONHECE

    PEGA TOSSE E RESFRIADO

    DE VEZ EM QUANDO ADOECE

    TEM FEBRE E DOR DE CABEÇA

    E PARA QUE NÃO ESQUEÇA

    QUANDO TEM FEBRE AMOLECE

                             XIII

    MAS DIZ QUE É NAMORADOR

    QUE NUNCA FALHA EM SERVIÇO

    NÃO É A TOA QUE É QUÍMICO

    SABE FAZER O FEITIÇO

    PEGA UM COMPRIMIDO AZUL

    NEM PRECISA FICAR NÚ

    QUE APRONTA UM REBULIÇO

                                   XIV

    MAS BRINCADEIRAS A PARTE

    VOCÊ LUTOU E VENCEU

    DESEJO FELICIDADES

    E O MELHOR QUE PROMETEU

    SIGA VIVENDO O PRESENTE

    ESTEJA SEMPRE CONTENTE

    PORQUE VOCÊ MERECEU

     

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  • Folclore 22.10.2009 2 Comments

    Sempre gostei de ouvir e contar histórias. Umas verdadeiras, outras nem tanto, então fui juntando aqui e ali e acabei fazendo uma coletânea que publiquei no meu primeiro livro cujo título é “Caçando Jaburu e outras Histórias. Aqui vai uma dessas histórias que repasso como me contaram. Se é verdade não sei, mas o cenário é bem real e pode ser visto em muitas cidades do interior do nosso país. Espero que apreciem.

    RESPOSTA ADEQUADA

    Festa de padroeira no interior é sempre o maior acontecimento do ano. Em um país com uma religiosidade tão arraigada como o Brasil, as festas da fé são verdadeiros eventos, onde o religioso e o profano andam lado a lado.

                    Esta história passou-se numa dessas festas em um lugarejo do interior do Nordeste.

                    A festa da padroeira Nossa Senhora das Boas Virtudes durava dez dias. Acontecia sempre nos meses de julho, época menos seca e coincidente com as férias escolares, o que possibilitava receber filhos da terra egressos de outras cidades onde tinham ido morar, estudar e fazer a vida. Vinha gente de todo lugar, incluindo Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Recife entre outras.

                    A igreja matriz ficava no fim da avenida principal, numa grande praça arborizada com um coreto no centro e um passeio dando uma volta completa, por onde as moças desfilavam de braços dados em grupos, enquanto os rapazes ficavam parados observando e flertando em busca daquela que seria a sua namorada na festa e nos bailes.

                    Diariamente aconteciam novenas, e após o culto religioso a banda de música Lira do Sertão fazia uma retreta animando o local enquanto as pessoas divertiam-se no parque de diversões e bebiam umas e outras nas diversas mesas espalhadas pelas ruas em torno da matriz.

     Nos diversos bares e restaurantes eram servidos ótimos tira-gostos da cozinha regional que incluíam sarapatel, buchada de bode, lingüiça de porco, sem falar em carne de sol com macaxeira, regada por uma excelente manteiga de garrafa.

    Não faltava também um churrasco de carne de bode e carneiro guisado com pirão. Galinha de capoeira com pirão de parida servia para levantar até defunto bêbado, coisa bem comum nos finais de noite. Diz-se que um pirão de parida ou uma cabeça de galo, são perfeitos para evitar ressaca no dia seguinte e agüentar a maratona de bailes e bebedeiras.

    Depois da novena e da retreta a quermesse incluía um leilão de produtos doados pela população para gerar renda para a igreja.

                    Mariazinha era uma moça de poucas posses, mas de beleza destacada no lugar, chamando a atenção da garotada que queria namorar. Embora, ainda não tivesse feito dezoito anos, já demonstrava ser muito esperta e sabia como poucas tirar proveito em certas situações. Tinha arrumado um guarda-roupa razoável para agradar os pretendentes durante a festa, mas, faltava-lhe um componente essencial para aparecer bem no último dia da festa na praça e no baile; um belo par de sapatos.

    José era o que se podia chamar de  pessoa do bem. Vivia lá no sítio da família, levando uma vida simples cuidando do gado e das criações. Já tinha algumas cabeças próprias para negociar e fazer um dinheiro para gastar na festa e doar um pouco para as obras da Santa Madre Igreja.

    Só ia à cidade quando tinha negócios ou nas ocasiões festivas. No último sábado da festa, levou sua mercadoria para vender na cidade na feira pública que acontecia durante todo o dia.

    Alguns quilos de carne de cabrito, dois carneiros já tratados, uns trinta quilos de queijo que tinha feito com o leite das vacas, uma carne de sol de primeira e umas garrafas de manteiga. Somava-se ainda lingüiça sertaneja e umas latas de chouriço, um doce muito apreciado feito com sangue de porco, farinha de gergelim, açúcar e castanha de caju assada.

    Vendeu tudo antes das duas da tarde e apurou uns cento e cinqüenta contos de reis. Um conto de réis correspondia a um mil cruzeiros da época em que se chamava cinqüenta centavos de quinhentos réis.

    Botou o dinheiro no bolso e seguiu feliz para o centro da cidade para comprar a roupa que iria vestir à noite na festa. Estava olhando as vitrines quando viu Mariazinha e ficou literalmente encantado, com um olhar de bobo, como se tivesse visto visagem. Ela o estava fitando com um largo sorriso nos lábios carnudos de cabocla bem criada. Virou de lado para ter certeza que era para ele que ela estava realmente olhando. Era, não havia dúvidas, a festa começara bem para Dedé como era conhecido entre os amigos.

    Por ser sempre bem intencionado, costumavam lhe pregar peças e alguns por maldade o chamavam de Dedé Besta, porque sempre era vítima das brincadeiras de mau gosto. Diziam até que uns versos atribuídos ao poeta Moisés Sesiom teriam sido dedicados a ele, dada a tamanha leseira que costumava aparentar.

     

    Andei procurando um besta,

    Um besta que fosse capaz,

    De tanto procurar um besta,

    Encontrei este rapaz,

    Que nem pra besta serve,

    Porque é besta demais.

     

    Ela foi logo puxando conversa com ele.

    Você vai para a quermesse hoje?

    Dedé respondeu: Vou, só falta comprar a roupa, e você?

    Mariazinha respondeu:

    Estou doida pra ir, mas, tem um problema, tenho vestido, mas, não tenho sapato. Talvez tenha que ficar em casa.

    Acabara de jogar o laço

    Falou Dedé:

    Por isso não, se eu lhe der o sapato, você se encontra comigo lá?

    Ela respondeu:

    Com toda certeza, à noite nos encontraremos no leilão da quermesse.

    Então vamos à sapataria, chamou Dedé.

    Ela o guiou rua abaixo na direção da melhor sapataria da cidade. O ponto era famoso na venda de sapatos para as moças da cidade, donzelas ou não, pois encontravam produtos da moda usados nas principais cidades do país. Era evidente que os preços também não eram os mais baratos.

    Ela dirigiu-se à vendedora e já foi pedindo o par de sapatos que já estava separado. Pronto Dedé é esse aqui que eu quero. Pode pagar e à noite nos encontramos conforme combinado. Agora tenho que ir.

    A vendedora apresentou a conta a Dedé que quase morreu de susto quando viu o preço. Setenta contos de réis custava o sapatinho da moça. Era um presente muito caro para quem tinha apurado menos de cento e cinqüenta e ainda tinha alguns gastos para honrar. Mas, agora estava sem jeito. Tirou os cobres do bolso, pagou e saiu pensativo com uma estranha sensação de que tinha sido enrolado. Teria que esperar até à noite para saber.

    Arranjou-se como pode para pagar as contas e comprar sua própria roupa com o pouco que lhe restou, Ficou quase sem dinheiro para gastar no leilão. Encontrou seus amigos e contou-lhes só a parte boa, que tinha arranjado uma tremenda gata para namorar à noite, uma das mais bonitas da cidade. Todos ficaram curiosos e com uma ponta de inveja. Afinal, ainda não tinham conseguido nada.

    Chegou o tão esperado momento. A ansiedade era indisfarçável e Dedé não via a hora de encontrar Mariazinha e mostrar aos amigos a sua grande conquista.

    Ao chegarem ao pátio do leilão lá estava ela, linda em seu vestido de festa e os sapatos brilhando nos pés. Estava rodeada de amigas e de braços com outro e pelo jeito carinhoso dava a entender que era namorado. Foi uma ducha de água fria para Dedé. Ela acenou levemente para ele e desviou a atenção para o leilão.

    Entre uma oferta e outra, havia um espaço para recados, música e participação do público. Num desses intervalos Mariazinha dirigiu-se ao palco, pegou o microfone e anunciou que ia fazer uma homenagem.

    Senhoras e senhores, queridos amigos, quero fazer uma homenagem especial a uma pessoa, que possibilitou a minha presença aqui hoje à noite. É para você Dedé a quadrinha que vou recitar.

     

    Sapato de setenta contos,

    Só quem tem aqui sou eu,

    De braços com quem eu gosto,

    Olhando pra quem me deu.

     

    Foi uma facada pelas costas. Todos riram à vontade, principalmente os que já sabiam do golpe que ela dera no pobre do matuto.

    O locutor anunciou que o direito de resposta para agradecer estava garantido e disponibilizou o microfone para Dedé falar.

    Extremamente contrariado com o papelão que tinha feito, considerou: barco perdido, bem carregado, pensou.

    Senhoras e senhores agradeço a oportunidade para falar e poder responder à altura da homenagem de Mariazinha, e recitou:

     

    Sapatos de setenta contos,

    Só quem tem aqui és tu,

    Custou-me o suor do rosto,

    E as pregas do seu cú.

     

    Estava vingado.

     

     

     

     

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  • Em 1996 cursando pós-graduação em Políticas Públicas na UFPE, realizado em Petrolina/PE, muito se discutia sobre economia e sistemas políticos. Eu fazia uma poesia e um amigo Dr. José Pereira da Costa, um grande poeta, rebatia. Assim tornávamos as aulas mais divertidas. Numa dessa aulas saiu essa pérola…

     

    ECONOMIA TROPICAL

     

    I

    Estou meio atrapalhado

    Com essa tal de economia

    Café, cana de açúcar

    Algodão e rodovia

    Tomei dinheiro emprestado

    Prá pagar a ferrovia

    II

    Trabalhador brasileiro

    De escravo a penitente

    Pegou carta de alforria

    Com a liberdade latente

    Carrega essa cruz nas costas

    Jamais foi independente

    III

    E o tal capitalismo?

    Prá onde é que ele vai?

    Só vejo o Pais penando

    Anda prá frente e prá trás

    Agora exporta folia

    E ninguém trabalha mais

     

     

     

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  • Às vezes o poeta se depara no dia-a-dia com situações inusitadas ou mesmo acontecimentos contemporâneos, tais como catástrofes, crendices e coisas do gênero. Depois do furacão Katrina, em uma roda de conversa alguém falou: “ puxa vida o mundo vai se acabar desse jeito e daí surgiu o mote. Vale lembrar no entanto, que nós estamos levando a natureza a dar o troco, com a nossa ignorância, não respeitando o meio ambiente e o equilíbrio de suas forças.

    ESTE MUNDO SE ACABA COM CERTEZA

    PELA ÁGUA, COM FOGO OU PELA TERRA

                                                                      I

    O vulcão vomitando a sua ira,

    Pelo chão sua lava incandescendente,

    Fogaréu com furor sem precedente,

    Transformando a floresta em grande pira

    Num incêndio que o mundo jamais vira

    Resultante da força que ele encerra

    Pouca gente sobrou depois da guerra

    Dessa força sem fim da natureza

    Este mundo se acaba com certeza

    Pela água, com fogo ou pela terra.

                         II

    Lá no mar começou um furacão

    Uma força voraz devastadora

    Batizado Josefa ou Aldenora

    Vai varrendo o que acha pelo chão

    Automóvel, trem bala ou caminhão

    Pela praia, no mar ou pela serra

    Não tem alvo difícil, ele não erra

    Soberano é mais rei que sua alteza

    Este mundo se acaba com certeza

    Pela água, com fogo ou pela terra.

                          III

    Um estrondo da terra treme o chão

     E o solo então se movimenta

    A estrutura das casas não agüenta

    Pois o ferro e o concreto são em vão

    Cai o prédio, a barragem e o pontilhão

    Chora o povo, com a dor que a luta encerra

    Os destroços desabam, tudo enterra

    Morre gente ao redor é só tristeza

    Este mundo se acaba com certeza

    Pela água, com fogo ou pela terra

     

     

     

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  • Assim acontece com quase todo mundo. Namorar, se apaixonar, espantar os” inxiridos” de plantão, conquistar a moça e casar. Depois ver que na vida tudo vale a pena se a alma não é pequena, conforme dizia Fernando Pessoa. Relembrar é muito bom.

    I

    O nosso conversadeiro

    Faz  tempo qui começou

    Tem mais de trinta janeiro

    Qui a gente se enamorou

    Num foi meu amor primeiro

    Mas foi o mais verdadeiro

    Qui meu coração amou

    II

    Naquele mês de Santana

    Na beira mar recifense

    Tu virou o meu xodó

    Eu virei seu confidente

    Nosso caminho cruzou

    Pela vida enveredou

    E se tornou permanente

    III

    Era quarta-feira, lembro

    Num bar chamado Veleiro

    Com linda noite estrelada

    E um céu de brigadeiro

    No dois pra lá, dois pra cá

    Com as perna a se isfregá

    Num balançá tesudeiro

    IV

    Ah quanta boa lembrança

    Muito tempo bom passou

    Nós viramo gente grande

    Qui namorou e casou

    Saindo da dolecência

    Pra ganhar ixperiença

    Nas brincadeira do amor

    V

    Né pra lembrá com saudade?

    Namorá agarradinho

    Com mil cheirin no cangote

    Alisando de mansinho

    Querendo pegá nos peito

    Ela impurrando sem jeito

    O braço devagazinho

     VI

    Em começo de namoro

    Né fácil pegá nos peito

    Pois mermo a moça querendo

    Num acha muito direito

    Pois pra o bem das virtude

    Tem qui tomá atitude

    Pois num conhece o sujeito

    VII

    Pra dá o primeiro beijo

    Tem qui ajeitá na buchecha

    Porque pra beijo de língua

    Tem que isperá a decha

    Pois beijo bom é robado

    Bejá com os beiço colado

    Qui assim ninguém se quexa

    VIII

    Nas travessura do amor

    Se aprende todo dia

    Pois o qui a mãe num insina

    Si aprende na fulia

    Os home aprende nas puta

    As minina na iscuta

    Ou então na putaria

    IX

    As coisa do nosso amor

    Somente nóis dois qui sabe

    Um abraço bem juntinho

    Um beijinho qui  num babe

    Beijo é bom de todo jeito

    Ou no pescoço ou no peito

    Do jeitinho que lhe cabe

     X

    E o rol dos interessado

    Tava chein de inxirido

    Pretendentes de magote

    Sem capilé nem muído

    De comunista a babão

    Cambada de arrumação

    Cabras sem qualquer sentido

     XI

    Isso era pobrema pouco

    Prum mestre do caqueado

    A coisa pra resolvê

    Era o tar do namorado

    Qui com três ano de casa

    Já tava pra mandá brasa

    E obrigá o noivado

    XII

    Meu povo acredite in neu

    A coisa é dificultosa

    Pois só cum cunversa mole

    Num se sobe as Alterosa

    Precisa ter muito jeito

    Agir de modo perfeito

    Conquistar cum verso e prosa

    XIII

    Às vezes um chocolatim

    Deixado cum displicença

    Na mesa qui ela trabaia

    Pode fazê diferença

    Sabê do que ela gosta

    É sempre a mió resposta

    Pra virá acontecença

    XIV

    Um passo de cada vez

    Todo dia um ajeitado

    Foi uma questão de tempo

    Espantá o namorado

    Qui num era um cabra ruim

    Mas era chei de pantim

    Num servia pro riscado

     XV

    Foi aí que começou

    O tempo do nosso amor

    Que ta durando até hoje

    Com respeito e com fervor

    Andando sempre pra frente

    Batalhando no batente

    Vivendo sem destemor

     XVI

    Entre namoro e noivado

    Dois anos foi ligeirim

    Pedir a moça ao vei Dão

    Não foi tão facim assim

    Pois era um vei das antiga

    Sem falseá na cantiga

    Tudo tim tim por tim tim

     XVII

    No dia qui nós casemo

    Você num chegou na hora

    O pade então ispritou-se

    E quiria ir simbora

    Nós fiquemo debatendo

    Convenci o reverendo

    A isperá a demora

     XVIII

    Fumo vivendo feliz

    Um casá bem aprumado

    Os minino foi nascendo

    Nós criando cum cuidado

    Rigulando os bacurim

    Pra evitar coisa ruim

    Minino maleducado

    XIX

    Nas coisa do nosso amor

    O ciúme era constante

    Passava qualquer bruaca

    Pegava ar num instante

    Eu olhava sem maldade

    O balançá da beldade

    Que era simples passante

    XX

    Mas tu num se conformava

    Se afobava dimais

    Achava qui todo mundo

    Ia querer seu rapaz

    Então lá vinha ciúme

    E um monte de queixume

    E eu num ficava em paz

     XXI

    Quando vinha o carnaval

    Ninguém brincava direito

    Porque no bloco do frevo

    Ninguém achava defeito

    Depois de quarenta cana

    Toda catraia é bacana

    Todo mundo é bom sujeito

    XXII

    Mas se você não bebeu

    Num entende tanto abraço

    Um bebo segura o outro

    Assim ninguém erra o passo

    Toda mulher é amiga

    As mais nova, as mais antiga

    Se brinca sem embaraço

    XXIII

    Olhando por esse lado

    Num dá pra se descuidá

    Porque se marcar bobeira

    O jacaré vem pegá

    Essa parada é difice

    Tem muito disse me disse

    É melhor deixar pra lá

     XXIV

    Nas coisa do nosso amor

    Tem almoço com cuzido

    Um pirão incrementado

    Muita zuada e muído

    Tem verdura da quitanda

    Uma rede na varanda

    Tem soneca com ruído

     XXV

    Ronco separa casais?

    Diz o povo qui separa

    Mas você segura a barra

    Porque meu ronco não para

    Agüenta sem reclamar

    Dorme com meu ronronar

    É coisa de mulher rara

     XXVI

    Cum três filho bem criado

    Ficamo como no iníço

    Dois priquito numa quenga

    Vivendo sem ribuliço

    Namorando como pode

    As vez dançando pagode

    Os dois cum corpo ruliço

    XXVII

    Nóis vivendo de regime

    Cum reumatismo nos pés

    Procurando a melhor forma

    Cum sorvete e canapés

    O qui num falta é vontade

    De ficá duas beldade

    Namorando nos motéis

    XXVIII

    As vezes diz o ditado

    A vontade dá e passa

    Mas nos tempo de hoje in dia

    Os home num se imbaraça

    Ingole uma piula azul

    O bicho aponta pro sul

    O qui vier ele traça

     XXIX

    Nas coisa de nossa vida

    Vamos falá dos amigo

    Essas pedra preciosa

    Carrego sempre comigo

    No lado esquerdo do peito

    No coração do meu jeito

    Jamais fico arrependido

     XXX

    Quiria escrever mais

    Tem tanta coisa a dizê

    Fico com água nos oios

    Já num consigo iscrever

    Pois seu amor me sorriu

    E minha vida seguiu

    Amando sempre você.

     

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  • É isso. Hoje no dia do poeta, cabe-me lembrar alguns cordéis feitos para datas especiais. Um deles é o que homenageou nossa matriarca nos seus jovens 87 anos. Vale relembrar e compartilhar com todos.

    I

    No ano de vinte e dois

    Com a benção do Salvador

    Nasceu Lourdinha Veloso

    Moça de grande valor

    Em onze de fevereiro

    Chegou, gostou e ficou

     II

    Chegou lá na Paraíba

    Na terra de Santa Rita

    Família de boa cepa

    Nobreza que não se imita

    Com dois meses de idade

    Já tinha laço de fita

     III

    O papai era Colombo

    A mamãe era Nevinha

    Com muito jeito e carinho

    Conduziram a garotinha

    Educando e preparando

    Pra quando fosse mocinha

     IV

    A menina ficou moça

    A beleza floresceu

    Começou a trabalhar

    A competência cresceu

    Já queria namorar

    E então aconteceu

     V

    Apareceu um rapaz

    Que vinha da construção

    Das obras do aeroporto

    Que estava em execução

    Sujeito de boa pinta

    De nome Napoleão

     VI

    Nascera no Seridó

    Lá na terra potiguar

    O pai era Pedro Dias

    Um ferreiro singular

    E Dona Ana Fernandes

    Era uma mãe exemplar

    VII

    O pai que era fazendeiro

    Também tinha ferraria

    Fazia foice e facão

    E peça de montaria

    Só não fazia o cavalo

    Porque a égua corria

    VIII

    Começaram a namorar

    E o amor fez efeito

    Escolheu Napoleão

    Para ser o seu eleito

    Então em quarenta e sete

    O casamento foi feito

    IX

    Depois de vãs tentativas

    Chegou mestre Marcolino

    Foi o primeiro da prole

    É  um cabra genuíno

    Madeira de dar em doido

    Cordelista nordestino

    X

    Veio a primeira Maria

    Pra ser Auxiliadora

    A gente chama de Têca

    Tem uns que chamam de Dora

    Estudou pedagogia

    Mas não quis ser professora

    XI

    Veio o terceiro rebento

    Com o nome do avô

    Foi o Pedro Dias Neto

    Papai amou com fervor

    Pois lembrava o velho dele

    Que morava com o Senhor

    XII

    Na capital potiguar

    No bairro do Alecrim

    Nasceu Fernando José

    O quarto depois de mim

    Enquanto o quinto já vinha

    Juntando todos assim

    XIII

    O quinto da grande prole

    Também nasceu em Natal

    Lá no bairro do Tirol

    Dessa linda capital

    Maternidade São Lucas

    Nasceu de parto normal

    XIV

    Batizou-se como Ueliton

    Pra gente virou Tonton

    Vivia bem humorado

    Gostava muito de Ron

    Partiu em noventa e oito

    Era um cara muito bom

    XV

    Nasceu a Lucia de Fátima

    Era a segunda Maria

    Chegou depois de Tonton

    Pra morar na freguesia

    Era a sexta que chegava

    Pra aumentar a dinastia

     XVI

    Não dava tempo crescer

    Nem a barriga murchar

    Pois o pai Napoleão

    Não deixava descansar

    Nem bem desmamava um

    Mamãe voltava a embuchar

    XVII

    Nem bem tirou o resguardo

    A mãe emprenhou de novo

    Veio a terceira Maria

    Pra se juntar com o povo

    Dessa vez Maria Célia

    Começou tudo de novo

    XVIII

    O tempo passou depressa

    Não completou nem três anos

    O veio ajeitou a veia

    Ali debaixo dos panos

    Preparou Maria Monica

    Pra se juntar aos seus manos

     XIX

    O grupo estava completo

    Nesta terra tropical

    Nasceu três em João Pessoa

    E outros três em Natal

    Dois são lá de Caicó

    Nesta turma sem igual

     XX

    Então se multiplicaram

    Neste Brasil federal

    Com genros noras e netos

    Numa história sem igual

    A turma ficou bem grande

    Tudo a partir de um casal

     XI

    Era um casal de outros tempos

    Que hoje não existe mais

    Pois pra criar oito filhos

    Já não tem gente capaz

    De agüentar a parada

    Pois é difícil demais

     XXII

    Pense num cabra disposto

    Era o pai Napoleão

    Criou-se comendo bode

    Com arroz tripa e feijão

    Mel de furo e rapadura

    E raspa de requeijão

     XXIII

    Só assim é que se explica

    Ter tanta disposição

    Um menino atrás do outro

    No carnaval e São João

    Num tinha folga de dia

    Pra fazer reprodução

     XXIV

    A verdadeira heroína

    É a Lourdinha Veloso

    Que está ai até hoje

    Pra conduzir o seu povo

    Cada vez que nasce um

    Começa tudo de novo

      XXV

    Pra confirmar essa história

    Tem um parido recente

    Lá em terras da Europa

    Onde vai ser residente

    E quem sabe no futuro

    Vai se eleger presidente

     XXVI

    Hoje faz oitenta e sete

    E aqui se comemora

    Com filhos netos e genros

    Com irmãs primas e noras

    Pois uma data como essa

    Não se tem a toda hora

     XXVII

    O poeta se despede

    Nesse momento sublime

    Que pela sua grandeza

    A esperança redime

    Que essa festa se repita

    Sem que ninguém desanime

     XXVIII

    Lourdinha em dois mil e dez

    Vai fazer oitenta e oito

    Convidamos todo mundo

    Até dois mil e dezoito

    Pra comemorar o dia

    Com feijoada e biscoito

     

     

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  • BIA: Gostaria de poder encontrá-la todos os dias. Mesmo não sendo possível pessoalmente, mas em espírito estou sempre com você. Você merece tudo de bom e eu quis registrar neste martelo a minha certeza na sua vitória na busca de seus objetivos, tanto profissionais, quanto pessoais. Creia sempre em você e no amor. Deus lhe abençoe e proteja sempre.

    I

    Eu me lembro você bem pequenina

    Eu cantava a canção do Caetano

    Assistí seu crescer a cada ano

    Se tornar uma jovem leonina

    Perna longa, bem reta feminina

    Para mim será sempre uma princesa

    Com seu porte, seu charme e beleza

    Se destaca com fibra nordestina

    E na luta tem fé, não desanima

    Na vitória acredita com certeza

    II

    Ser feliz é o que todos nós queremos

    E você certamente assim será

    Pois merece alguém para lhe amar

    Um amor tipo unidos venceremos

    Com doçura, com paz e nada menos

    Que uma vida feliz e prazerosa

    Um moleque e uma filha bem dengosa

    E o vovô vai ficar muito contente

    A vovó vai sorrir intensamente

    E a família ficará mais numerosa

    III

    Sei que o tempo parece demorado

    Mas tem hora pra tudo acontecer

    Siga em frente lutando pra vencer

    Que o esforço será recompensado

    O que espera irá ser alcançado

    Com certeza, é só ter paciência

    Que o esforço somado à eficiência

    Levará brevemente a vitória

    Reescrevendo então a sua história

    De uma luta pautada na decência

     

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  • Este martelo foi feito para registrar o namoro de meu filho Lucas com sua amada Mariana. Ele deu o Mote e depois de alguns ajustes ficou assim:

    CONSEGUIR NAMORADA IGUAL A MINHA

    SÓ COM BÊNÇÃO, COM SORTE E PACIÊNCIA

    I

    Já andei, já corri por este mundo

    Procurando um amor bem verdadeiro,

    Pra amar sem limites, por inteiro

    Para ser dentre todos, o mais profundo

    O maior, mais sincero, o mais fecundo

    Da pureza nascido na essência

    Construído  com calma, com decência

    Com a certeza  que um dia ele vinha

     CONSEGUIR NAMORADA IGUAL A MINHA

    SÓ COM BÊNÇÃO, COM SORTE E PACIÊNCIA

    II

    Conheci uma moça em Jacobina

    Já pensei que ia ser minha princesa

    Preparei bem ligeiro cama e mesa

    Planejei me casar com a menina

    Não deu certo voltei pra Petrolina

    Decidi apostar na eficiência

    Fui treinar aprender essa ciência

    Para amar em Recife ou na Redinha

    CONSEGUIR NAMORADA IGUAL A MINHA

    SÓ COM BÊNÇÃO, COM SORTE E PACIÊNCIA

     III

    Fui dançar um forró em Cabrobó

     No distante sertão pernambucano

    Numa festa que lá tem todo ano

    Festejando a querida padroeira

    Foi ali que encontrei uma brejeira

    E perdi de uma vez a inocência

    Aprendi a amar com reverência

    Seja ela coroa ou gatinha

    CONSEGUIR NAMORADA IGUAL A MINHA

    SÓ COM BÊNÇÃO, COM SORTE E PACIÊNCIA

    IV

    Do amor não se perde a caravana

    Quem almeja se tornar feliz um dia

    Conquistar uma vida de harmonia

    Na feliz capital pernambucana

    Namorando a gatinha Mariana

    Convivendo em paz, sem má querência

    Um amor pra servir de referência

    Para o filho, o neto  ou pra vizinha

    CONSEGUIR NAMORADA IGUAL A MINHA

    SÓ COM BÊNÇÃO, COM SORTE E PACIÊNCIA

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