• Homenagem ao dia Internacional da mulher

    08 de março de 2009

    I

    O dia oito de março

    É dia internacional

    Pois se festeja a mulher

    De uma forma oficial

    Por mim era todo dia

    Pois ficava mais legal

    II

    Mulheres são nossas mães

    São as nossas namoradas

    São as nossas companheiras

    Até o fim da jornada

    Parem e criam nossos filhos

    Enfrentam qualquer parada

     III

    E Deus criou a mulher

    Da costela de Adão

    Tirada do lado esquerdo

    Juntinho do coração

    Completando a sua  obra

    No ciclo da criação

     IV

    Elas são nossas Marias

    Do Amparo e dos Prazeres

    Presentes nas nossas vidas

    Sábias de tantos dizeres

    Conselhos que nunca faltam

    Em perfeitos pareceres

     V

    Já conheci Margaridas

    Rosinhas e outras flores

    Na hora do sofrimento

    Achei Maria das Dores

    Que trouxe luz e esperança

    Um universo de cores

     VI

    Já namorei Marieta

    Já convivi com Concita

    E para não ser injusto

    Achava as duas bonitas

    A primeira usava trança

    A outra laço de fita

     VII

    Na galeria de nomes

    Lembrei também de Isabel

    Que tinha nome de santa

    Na boca lábios de mel

    A pele muito macia

    Os olhos da cor do céu

    VIII

    Julieta era uma artista

    Com as tintas e o pincel

    Coralina na poesia

    Dona Jura no pastel

    Sem esquecer Rita loura

    Que era boa no bordel

    IX

    Passei no clube das Pás

    Dancei com Ana Maria

    Nos forró de pé de serra

    Dancei com Zélia e Luzia

    Antonia e Maria Eulália

    E outras da freguesia

     X

    Eu trago na experiência

    Pelas viagens que fiz

    Muitos lugares bonitos

    Como turista aprendiz

    Mas foi ali em Olinda

    Que conheci Beatriz

     XI

    Beatriz na minha vida

    Foi um anjo especial

    Pois ela botou no mundo

    Uma mulher sem igual

    Que hoje mora comigo

    Na cidade do Natal

     XII

    Os anos são trinta e cinco

    O tempo passou depressa

    Parecendo que foi ontem

    Que iniciou a conversa

    Começando um grande amor

    Que sobrevive sem pressa

     XIII

    Ângela significa anjo

    Mensageira do divino

    Casou e me deu três filhos

    Uma moça e dois meninos

    É o meu braço direito

    E quem completa o meu tino

     XIV

    Meu dia a dia é feliz

    Muitas mulheres comigo

    A mãe Lourdinha Veloso

    Me inspira no que eu digo

    E reza para o meu anjo

    Para eu não correr perigo

     XV

    As minhas irmãs são quatro

    São todas quatro, Maria

    Quando Monica diz que faz

    Auxiliadora auxilia

    Assistida pelas outras

    Pra não haver correria

     XVI

    Bianca que é minha filha

    Também se chama Maria

    Ventura traz do seu berço

    A cultura ela aprecia

    É o xodó do papai

    Inspiração de poesia

     XVII

    As minhas primas são muitas

    A todas eu quero bem

    Por isso não cito nomes

    Pra não esquecer ninguém

    Se sintam homenageadas

    E eu fico feliz também

     XVIII

    Não posso esquecer as tias

    Pilares na minha vida

    As vivas e as que partiram

    Mulheres muito queridas

    Me amaram como a um filho

    Sempre me deram guarida

     XIX

    E as minhas afilhadas

    Moram no meu coração

    Para Danuza e Daene

    Escrevo com emoção

    São duas filhas queridas

    Que amo com devoção

     XX

    E tem as minhas sobrinhas

    Que já somam mais de dez

    São tantas moças bonitas

    Que Xuxa não chega aos pés

    Pra todas o meu abraço

    E vida longa sem revés

    XXI

    Tem também  as pequeninas

    Da terceira geração

    Ana Beatriz e Tessa

    Eu beijo no coração

    Faço o mesmo com Geórgia

    Que eu amo de paixão

     XXII

    E Beatriz e as Letícias?

    Eu beijo do mesmo jeito

    Para Regina e Bruninha

    Desejo um mundo perfeito

    Mando um cheiro e um abraço

    E um pacote de confeito

     XXIII

    Minhas cunhadas queridas

    Fafá e Ana Maria

    Eu beijo e abraço vocês

    Seja noite, seja dia

    Mulheres especiais

    Se for melhor não se cria

     XXIV

    Também faço uma homenagem

    Para Nara e Mariana

    As minhas futuras noras

    Uma dupla bem bacana

    Que gosto de coração

    É gente que a gente ama

     XXV

    De Sueli e Rossana

    Guardo sempre na lembrança

    Saudade de bons momentos

    Nas viagens e andanças

    Que sejamos sempre amigos

    Jamais perco a esperança

     XXVI

    E Vera Lucia e Goret?

    O que é que posso dizer?

    Valéria e Lucia Norinho

    São amigas pra valer

    Essa é uma turma de ouro

    Que jamais vou esquecer

     XXVI

    E assim no meu dia a dia

    Trabalhei com tantas mais

    Pra todas o meu carinho

    Desde os tempos de rapaz

    Farei tudo que puder

    Dentro do que for capaz

     XXVIII

    No dia a dia atual

    Tem umas dez perto de mim

    Lorena, Flavia e Kadija

    Sempre fazendo um lanchim

    Daiane, Mona e Jéssica

    E Josi rindo pra mim

    XXIX

     Dona Ilma representa

    Nossa mulher nordestina

    Lucicleide e Antonia Edna

    Formam dupla gente fina

    Com essa turma por perto

    A gente não desanima

     XXX

    Para quem eu não citei

    Eu peço a compreensão

    Pois mesmo sem por o nome

    Moram no meu coração

    Pois das pessoas que gosto

    Eu lembro com emoção

     XXXI

    Para as mulheres do mundo

    Parabéns por esse dia

    Para a mulher brasileira

    Muito amor no dia a dia

    O poeta se despede

    Com uma grande alegria.

     

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  • O amor de uma mãe pelo seu filho é insuperável. Não há palavras suficientes para descrevê-lo. Fiz esta poesia em homenagem a todas as mães deste mundo.

    I

    A pedra mais preciosa

    O metal mais valioso

    O quadro mais primoroso

    Ou a canção mais famosa

    A lua mais majestosa

    Que eu consigo lembrar

    Nem perto chega a passar

    Embora eu não desanime

    Amor de mãe é sublime

    Sem nada pra comparar

     II

    Maria pra nosso bem

    Gerou Jesus salvador

    Filho de Deus protetor

    Chegou ao mundo em Belém       

    Pregou em Jerusalém

    Na Galiléia e no mar

    Tentando o povo salvar

    Foi morto pelo regime

    Amor de mãe é sublime

    Sem nada pra comparar

     III

    Ela o viu apanhando

    Sem nada poder fazer

    Viu o seu filho morrer

    O chicote maltratando

    Com fé ficou esperando

    Seu filho ressuscitar

    As promessas renovar

    A esperança que redime

    Amor de mãe é sublime

    Sem nada pra comparar

     IV

    Por mais que o filho não preste

    A mãe nunca o abandona

    Mesmo os nascidos na zona

    A roupa dele ela veste

    Até no meio da peste

    Do filho ela vai cuidar

    Com o peito amamentar

    Sem que ninguém lhe ensine

    Amor de mãe é sublime

    Sem nada pra comparar

     V

    A seca lá no sertão

    No coração do Nordeste

    Maltrata o cabra da peste

    Que sai em busca de pão

    A mãe agüenta a pressão

    Com os filhos pra sustentar

    Só com a fé pra ajudar

    Sem ter ninguém que lhe estime

    Amor de mãe é sublime

    Sem nada pra comparar

     VI

    Da mãe é filho o rei

    Também é filho o poeta

    Sem contar que o atleta

    Também é filho que eu sei

    Com uma mulher me casei

    Para os meus filhos gerar

    Criar amar e educar

    Pra formar o melhor time

    Amor de mãe é sublime

    Sem nada pra comparar

     

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  • O soneto não é o meu forte, mas admiro muito os poetas que escrevem bem neste estilo. Mas, vamos escrevendo.

    AMAR COM PAIXÃO

     

    Um amor construído em base forte

    Modelado com arte, com ternura

    Dia a dia vivido com lisura

    Com respeito carinho e boa sorte

     

    Segue a reta do sul até o norte

    Temperado na luta e na bravura

    Convivendo sem medos, com doçura

    Viverá pela causa que importe

     

    Merecer e viver um grande amor

    Para todos os seres tem valia

    Deves crer e buscar que ele aparece

     

    E tratá-lo com jeito, maestria

    Que assim você terá o que merece

    Pra vivê-lo com paixão e com ardor

     

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  • BIA e BELUGA
    BIA e BELUGA

    BELUGA – UM PROGNATA DO BARULHO

     I

    Beluga não é baleia

    Como se pode pensar

    É um buldogue manhoso

    Difícil de segurar

    Se a pessoa bobeia

    E vacilar, se aperreia

    Não pode se descuidar

     II

    O bicho é de raça pura

    Também é gordo e cagão

    Tem uma cara invocada

    Respira mal e é babão

    E com tanta qualidade

    Ronca com facilidade

    Inda por cima é peidão

     III

    Tem força como um trator

    Quando caga cisca em cima

    Derruba o lixo da casa

    Chega a dona desanima

    Mas tem a pegada forte

    Parece um leão do norte

    Morde embaixo e rasga em cima

    IV

    Começou na Inglaterra

    A fama desse durão

    Enfrentava touro bravo

    Raivoso como um trovão

    Pra evitar a chifrada

    Ia com a cara abaixada

    Botava o touro no chão

    V

    Isso há três séculos atrás

    Com os seus antepassados

    Quando a raça foi formada

    Com os cachorros treinados

    Lutando com touros bravos

    Gladiadores escravos

    De humanos desalmado

    VI

    Eram batalhas cruéis

    Que duravam muitas horas

    O touro é bicho valente

    Com raiva não se apavora

    Quando acertava a chifrada

    Cão com a barriga rasgada

    Botava os bofes de fora 

     VII

    Cachorro pegando touro

    Parece até que é demais

    Mas assim aconteceu

    Há muitos anos atrás

    Fazendo a fama da raça

    Que chegou e sentou praça

    Em duras lutas mortais

    VIII

    Beluga ganhou seu nome

    Porque nos lembra a baleia

    É branco, gordo e fofão

    Tem a cara muito feia

    Mas isso é padrão da raça

    Chama atenção onde passa

    Quando na rua passeia

     IX

    O baixinho é tenebroso

    Tem uma mordida potente

    Pegou um cão bem maior

    Quando atacou de repente

    Jogou o bicho no chão

    Quebrou o pé e a mão

    E duas filas de dente

    X

    Mas esse saiu barato

    Se puxar aos ancestrais

    Vai pegar boi pelo queixo

    Segurar não soltar mais

    Pois é um cão prognata

    Só descola quando mata

    E o bicho não mexe mais

    XI

    Mas não se pode negar

    Ele não é educado

    Bagunça por onde passa

    Deixa tudo esculhambado

    Não me pergunte os porquês

    Mas em bom pernambuquês

    Ele é amundiçado

    XII

    Mas como todo valente

    Ele tem um ponto fraco

    Pois a cachorra da casa

    É quem manda sem ter saco

    É valente e pequenina

    É lhasa e se chama Nina

    Porém garante o seu taco

    XIII

    Mas no frigir desses ovos

    Beluga é muito querido

    Só tem um ano de idade

    É valente e destemido

    Corre com força e com graça

    Mas a ninguém ameaça

    Embora seja aguerrido

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

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  • PARTE III – MARTELO AGALOPADO – 17.09.2009

    O MARTELO, segundo Francisco Linhares e Otacílio Batista, “sua denominação não vem do fato de ser empregado como meio de os contadores se martelarem durante suas pugnas”, mas, de sua origem no século XVII de autoria de um Professor da Universidade de Bolonha, um diplomata francês chamado Jaime de Martelo.

                           Ainda segundo os autores, o Martelo atual criação do genial violeiro paraibano Silvino Pirauá Lima, é uma estrofe de dez versos, em decassílabos, obedecendo à mesma ordem de rima dos versos da Décima onde rimam o primeiro, quarto e quinto versos, o segundo com o terceiro, o sexto com o sétimo e o décimo e o nono com o oitavo.

                           O estilo atual, uma variação da Décima, em uma estrofe do poeta Lira Flores, citado pelo grande Ariano Suassuna em um trabalho sobre cantadores de viola:

     

    Quando as tripas da terra mal se agitam,
     E os metais derretidos se confundem,

     E os escuros diamantes que se fundem,
     Da cratera ao ar se precipitam.
     As vulcânicas ondas que vomitam
     Grossas bagas de ferro incendiado,
     Em redor, deixam tudo sepultado
     Só com o som da viola que me ajuda,
     Treme o sol, treme a terra, o tempo muda,
     Eu cantando Martelo agalopado.

     

                           Observe-se que as sílabas são tônicas na terceira, na sexta e na décima. Este é o estilo muito usado quando se recebe um mote (também chamado de glosa), que compõe os dois últimos versos da estrofe. Alguns motes  ficaram famosos ao serem musicados por artistas da MPB, como por exemplo:

    na poesia  Nordeste Independente gravada por Elba Ramalho de autoria dos poetas paraibanos Ivanildo Vilanova e Braulio Tavares

     

    Imagine o Brasil ser dividido

    E o Nordeste ficar Independente

     

    Já que existe no sul esse conceito
    Que o nordeste é ruim, seco e ingrato
    Já que existe a separação de fato
    É preciso torná-la de direito
    Quando um dia qualquer isso for feito
    Todos dois vão lucrar imensamente
    Começando uma vida diferente
    De que a gente até hoje tem vivido
    Imagine o Brasil ser dividido
    E o Nordeste ficar independente

     

     

                          

  • I

    O caminho da vida é tortuoso

    Armadilhas estão sempre presentes

    O que faz ser a gente diferente

    É viver pelo modo virtuoso

    Pois assim tudo fica mais gostoso

    Faz a vida em si mais prazerosa

    A pessoa se torna mais bondosa

    Pelo amor que terá constantemente

    E amando, é feliz intensamente

    Recompensa por ser laboriosa

    II

    Lealdade plantada em bom rincão

    Sempre traz amizade permanente

    Um amigo leal é um presente

    Pra guardar com amor no coração

    Se lembrar de cuidar com devoção

    Dessa jóia tão rica e preciosa

    Uma peça assim tão valiosa

    Vai lhe dar por retorno seu carinho

    Ajudando a trilhar o seu caminho

    Na estrada da sorte venturosa

    III

    Não se deve viver nem um pouquinho

    Pelo modo chamado vicioso

    Pois não é nem um pouco auspicioso

    Se viver de um jeito tão mesquinho

    Não se ganha, se perde ligeirinho

    Todo o amor de quem está por perto

    As pessoas se afastam isso é certo

    Ninguém quer conviver dessa maneira

    É assim a verdade verdadeira

    Entender e saber é ser esperto.

     

     

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  • Na cultura popular nordestina existem situações que, apesar de engraçadas, fazem parte do dia-a-dia da população. Uma das figuras mais temidas é a do sujeito que chega junto das mulheres de forma subreptícia e muitas vezes encontra a oportunidade para um romance e o aparecimento de mais uma vítima com a testa enfeitada. No meio dos peões de obra é popularmente chamado de Urso, Pé de lã e o chifre de gaia. Numa dessas conversas fui desafiado com um mote:

    NUNCA DEIXE O URSO PÉ DE LÃ

    TE PEGÁ NO DESCUIDO E BOTÁ GAIA

    I

    É sabido por todo cidadão,

    Do agreste, do sertão, do litorá

    No Brasil, na Ispanha e Portugá

    Na Alemanha, na China e no Japão

    Qui  o azá vai pegá o gavião

    Qui  casá  e namorá com muié paia

    O coitado só sofre e se atrapaia

    Seje esperto com o papo da maçã

    Nunca deixe o urso pé de lã

    Te pegá no descuido e botá gaia

    II

    Mi perdoi os defensô da natureza

    Mas caçá,  o tar de urso, né pecado

    Pois o bicho, num tem pena, é marvado

    Vai fazê sua cabeça com certeza

    Iguauzim a um boi, que safadeza

    Só passano na bala e na navaia

    Pois um corno assim vai vestir saia

    E ficá parecido com a irmã

    Nunca deixe o urso pé de lã

    Te pegá no descuido e botá gaia

     III

    Já vi cabra metido a ser bacana

    Se gabano de pegá muié de lote

    Na cozinha, no quintá e atrás do pote

     Marizé,  Zefa quenga e Juliana

    Todo dia, todo mês, toda semana,

    Mas levô, um infeite na cangaia

    Duma nêga conhecida como Anaia

    Deu bobeira no xamego com a cunhã

    Nunca deixe o urso pé de lã

    Te pegá no descuido e botá gaia

    IV

    Conheci  a beata Marieta

    Numa serra bem pertim de Quixadá  

    A mais bela que vi no Ceará

     Numa festa na hora da retreta

    Já mi vi afagando aquelas têtas

    E o que tinha iscondido pela saia

    Quis fazê ali mermo uma gandaia

    Com a muié do vendedô de arribaçã

    Nunca deixe o urso pé de lã

    Te pegá no descuido e botá gaia

    V

    Fui dançar um forró em Mossoró

    Com uma gringa morena mexicana

    Cara linda com jeito bem bacana

    Produzida cum que tinha de milhó

    Muito ouro, perfume, ruge e pó

    Fui olhá um cavalo lá na baia

    Pé de lã pruveitou da minha faia

    Se deitou com a morena no divã

    Nunca deixe o urso pé de lã

    Te pegá no descuido e botá gaia

     

     

     

     

     

  • GÊNEROS DA POESIA POPULAR – PARTE II – 15.09.2009
    Existe uma variação da sextilha com sete linhas ou sete pés. No início do século XX, um cantador alagoano chamado Manoel Leopoldino de Mendonça Serrador fez uma adaptação sextilha escrevendo a estrofe com sete versos, rimando a segunda com a quarta linha, a quinta com a sexta e a sétima com a segunda e a quarta. Vejamos o exemplo nos versos abaixo retirados do cordel As Coisas do Nosso Amor escrito por Mestre Marcolino:

    Em começo de namoro
    Né fácil pegá nos peito
    Pois mermo a moça querendo
    Num acha muito direito
    Pois pra o bem das virtude
    Tem qui tomá atitude
    Pois num conhece o sujeito

    Ou ainda nos versos de outro cordel de Mestre Marcolino feito em homenagem ao casamento de um primo:

    As moças do meu rincão
    São como mel de uruçú
    Têm doce no coração
    E o canto do uirapuru
    Cheiro de manjericão
    Muita beleza e ação
    São flor do mandacaru

    A diferença nessa estrofe fica por conta da rima cruzada em todos os versos: primeiro, terceiro, quinto e sexto; segundo, quarto e sétimo versos.

  • GÊNEROS DA POESIA POPULAR – PARTE I – 13.09.2009
    A poesia popular através dos seus poetas e menestréis foi se aperfeiçoando ao longo dos séculos e é escrita hoje em dia de várias formas e estilos. De acordo com estudo publicado por Francisco Linhares e Otacílio Batista existem cerca de 36 modalidades.
    Entre as mais usadas está a Sextilha com rimas cruzadas. Ela teve origem na Oitava de Ariosto criada por Ludovico Ariosto que escreveu a obra Orlando Furioso no século XVI. A Oitava de Ariosto caiu em desuso, mas originou a sextilha usada pela maioria dos nossos poetas. A Oitava de Ariosto foi introduzida em Portugal por Sá de Miranda irmão de Mem de Sá. Este estilo foi utilizado por Camões para escrever a obra épica da língua portuguesa “Os Lusíadas”.
    Os Lusíadas – Canto I
    1
    As armas e os barões assinalados,
    Que da ocidental praia Lusitana,
    Por mares nunca de antes navegados,
    Passaram ainda além da Taprobana,
    Em perigos e guerras esforçados,
    Mais do que prometia a força humana,
    E entre gente remota edificaram
    Novo Reino, que tanto sublimaram;

    Nos Lusíadas os seis primeiros versos rimam entre si na seqüência “primeiro, terceiro e quinto” e “ segundo, quarto e sexto”. O sétimo rima com o oitavo, formando uma seqüência ABABABCC . Além disso têm a sexta e a décima sílaba tônicas.
    A sextilha é um dos estilos preferidos pelos cordelistas. A forma mais usada é a que os versos rimam na segunda, quarta e sexta linhas e têm a sétima sílaba tônica, é o chamado estilo aberto, pois os versos da primeira, terceira e quinta linha não rimam entre si.
    Ex. Estrofe do cordel Zé Soares e a Caçada das Onças de Mestre Marcolino:
    A mata era perigosa
    Pro cristão e pro ateu
    Pois lá tinha muita onça
    Muita cotia e cuteu
    Jacaré e cobra d’água
    Vacilou bicho comeu

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  • Esta poesia foi inspirada no”HABEAS PINHO” do grande poeta e conterrâneo Ronaldo da Cunha Lima. Uma questão familiar onde um telefone foi bloqueado pela suposição de que seria mal utilizado. A solução foi proposta em verso para resolver o impasse a um dos irmãos que estudava Direito na época.

    HABEAS FONE

     I

    EM NOME DO BOM DIREITO

    PRA QUE SE FAÇA JUSTIÇA

    NÃO VÁ PARTIR DA PREMISSA

    SE O CRIME INDA NÃO FOI FEITO

    A NÃO SER QUE POR DESPEITO

    NÃO RESPEITE O CIDADÃO

    COLOQUE A ACUSAÇÃO

    SEM PROVAS E SEM LIMITES

    SÓ NA BASE DO PALPITE

    SEM REGRAS, NA EXCEÇÃO

    II

     NA LEI O TEXTO DEFINE

    DIGO COM TODO O RESPEITO

    NÃO SE JULGA POR DEFEITO

    JÁ QUE A RAIVA NÃO REDIME

    QUE POR JUSTO SE ENSINE

    TRATAR CERTO ESSA QUESTÃO

    NÃO SE FAZ ACUSAÇÃO

    SEM PROVAS E SEM LIMITES

    SÓ NA BASE DO PALPITE

    SEM REGRAS, NA EXCEÇÃO

    III

    SEM QUERER QUE DESANIME

    COM O APERTO DENTRO DO PEITO

    E O CORAÇÃO CONTRAFEITO

    COMO PAI, PEÇO QUE AFINE

    NUM GESTO BOM E SUBLIME

    O AMOR COM SEU IRMÃO

    SEM FAZER ACUSAÇÃO

    SEM CERTEZA E SEM LIMITE

    SÓ NA BASE DO PALPITE

    SEM REGRAS, NA EXCEÇÃO

    IV

    DO SERTÃO DE PETROLINA

    MESMO COM TODO DEFEITO

    PEÇO QUE PENSE NO LEITO

    E QUE O BOM SENSO PREVINA

    A SABEDORIA ENSINA

    ASSINE COM O CORAÇÃO

    DO FONE, A LIBERAÇÃO

    JÁ QUE A FALTA NÃO EXISTE

    SÓ NA BASE DO PALPITE

    SEM REGRAS, NA EXCEÇÃO

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